20 de Janeiro de 2017

A fantasia que se transforma em realidade

Estava assistindo uma palestra sobre literatura e o palestrante – um autor de livros infantis – começou a falar sobre como a fantasia passa a ser realidade, não apenas para as crianças, mas para todos nós. É impressionante perceber como os livros possuem esse dom.

Quem nunca terminou de ler um romance e sentiu vontade de conhecer os personagens? Quem nunca viajou para um lugar que foi cenário de um livro e pensou nos protagonistas que já “estiveram” por lá, mesmo que eles nunca nem mesmo tenham existido de fato.

Pessoas fazem excursões para visitar lugares que foram cenários de histórias da literatura, escrevem cartas para personagens – Julieta, por exemplo -, desabafando sobre seus corações partidos. Visitam a casa do Sherlock, mesmo que ele nunca tenha morado em lugar nenhum. Os sentimentos que temos por todos esses personagens que existem apenas no mundo da fantasia, são reais. Não é incrível tudo isso?

A literatura transforma vidas e mundos. Faz com que alguns lugares ganhem ainda mais graça, transforma o impossível em realidade. E nós vamos sendo envolvidos, vamos nos apaixonando por personagens que existiram apenas na cabeça do autor. Apenas quem escreveu e quem ler aquela história é que vai saber da existência daquelas pessoas. É quase um mundo paralelo.

Tenho vários leitores que já me escreveram contando que foram para Búzios e torceram para encontrar a Mila ou o Leandro andando por lá. Alguns disseram que visitaram os mesmos lugares que eles, apenas para que se sentissem mais próximos. Eu também, quando volto em Búzios fico andando por lá imaginando cada cena da minha história. E é como se naquele mesmo momento, em algum outro tempo, lá estivessem os dois, caminhando de mãos dadas e vivendo o verão de novo. E de novo. E de novo.

Quem não lê perde tudo isso. Perde a capacidade de conhecer esse mundo do meio, esse mundo que mistura um pouco de verdade, um pouco de mentira e que se chama arte. É lá que ela se encontra. No meio do que foi, do que é, do que poderia ter sido e do que nunca vai ser. Literatura é arte. E arte nada mais é do que a fantasia que vira realidade. A fantasia deixa de ser fantasia quando alguém acredita que tudo aquilo pode ter acontecido ou que pode vir a acontecer. Não é algo mágico?




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23 de Novembro de 2016

Exposição de Lego no Rio de Janeiro – Art Of The Brick – eu fui!!

Quando vi no Facebook que teria uma exposição de Lego no Rio de Janeiro, já avisei para Vinicius que eu queria ir. Como precisei ir ao escritório nessa terça, não pensei duas vezes: Carreguei Vinicius comigo e depois de resolver o que precisava, lá fomos nós para o Art of The Brick que está sendo realizado no Museu Histórico Nacional, de terça a domingo, das 10h às 17h30, até o dia 15 de janeiro.

Exposição de Lego no Rio de Janeiro

Antes de chegar ao Museu eu já estava ficando encantada com a transformação do Rio de Janeiro. Ainda não tinha ido a pé para o lado de lá, tinha apenas caminhado pelos lados da Praça Mauá. Mas o lado do Aeroporto Santos Dumont está lindo demais também. Que mudança positiva aconteceu na nossa cidade!

Chegando na exposição descobrimos que a entrada acontece de hora em hora, mas como tínhamos chegado às 13h, conseguimos entrar rapidamente, sem problema nenhum. Assim que entramos, demos de cara com um vídeo sobre o artista que criou todas aquelas peças com o Lego. No mesmo instante eu me apaixonei completamente por Nathan Sawaya.

Lego Nathan Sawaya

No vídeo ele começava respondendo o motivo de ter feito peças de arte em Lego: Porque ninguém tinha feito nada daquilo até aquele momento. Ele era advogado, mas sentia falta de alguma coisa. Quando voltava do trabalho para casa, corria para suas peças de Lego, que gostava de brincar desde criança e soltava a criatividade ali. Depois de mais algum tempo percebeu que não tinha nada a ver com o direito e que gostava mesmo era de ser artista. por esse motivo, jogou tudo para o alto e abraçou o seu sonho de criar.

Ainda bem!

Arte em Lego Nathan Sawaya

A cada passo dado, mais eu me surpreendia com as peças da exposição e com as definições dele sobre o motivo de cada uma daquelas peças. Eu sorria a cada quadradinho, sentia uma identificação enorme com ele, com os sonhos e desejos de Nathan Sawaya. No meu caso, deixaria o Lego de lado e substituiria por uma caneta, um lápis ou um computador.

Engraçado perceber como não é apenas aqui, mas talvez seja uma coisa mundial a desvalorização do artista na sua formação. Não lembro se em um vídeo ou em uma explicação ele falou sobre como as pessoas deveriam dar mais Lego, mais objetos para que as crianças pudessem criar. Segundo ele, toda criança que cresce com a arte, é mais bem sucedida em qualquer profissão. Eu concordo.

arte em Lego

Muitas peças trazem reflexões, fazem a gente pensar em diversas situações da vida e eu sou completamente apaixonada por quem tem esse dom de chacoalhar a gente. É bom demais quando a gente vê bem na nossa frente que os sonhos podem, sim, ser realizados. Quantas pessoas devem ter dito para ele que era uma maluquice largar o direito para “brincar de Lego”? Mas ele teve a coragem de ser feliz e fazer o que amava.

Terminei de caminhar pela exposição sentindo vontade de conhecer Nathan Sawaya e de dar um abraço bem apertado nele. Queria mais e mais pessoas como ele pelo mundo. E tanto pelas peças – que tentei dar o mínimo de spoiler por aqui – quanto pelo que ele tem a dizer, vale muito a pena visitar essa exposição de Lego. Custa 20 reais o ingresso (inteira) e foi um dinheiro muito bem investido. Voltei com o coração mais quentinho e com a alma transbordando de alegria. Pessoas como ele fazem bem. Arte faz bem e todo mundo deveria consumir. Esse já poderia ser o começo da transformação do mundo.

Arte Lego

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