10 de Abril de 2017

Marcos e Emily – Isso não é amor

Nunca me senti tão mal assistindo um programa de televisão como aconteceu com esse Big Brother Brasil. O casal protagonista da edição – Emily e Marcos – mostrou tudo desde que se conheceram, menos amor. O que mais me impressiona é ver muita gente votando “aqui fora”, torcendo pelos dois e realmente achando bonita a relação do casal.

Não, não é bonito.

Nunca foi.

A relação começou com um beijo roubado. Marcos partiu para o ataque e sem que Emily esperasse, logo no início do programa, arrancou um beijo da gaúcha que ficou surpresa com a ousadia do rapaz. Pediu para que ele a respeitasse, pois não ia rolar. Ela não queria. Mas ele insistiu.

De tanto insistir, Marcos “conquistou o coração” da menina com quase vinte anos a menos que ele. Depois de passar semanas seguindo Emily por tudo quanto é canto, dando flores, fazendo declarações apaixonadas… Ele disparou: Se for para rolar alguma coisa entre a gente tem que ser aqui.

– Por quê? – Emily quis saber.

– Porque lá fora você vai ver quantos carros eu tenho, quantas viagens já fiz… E quero que goste de mim pelo que eu sou, não pelo que eu tenho – “explicou”.

Naquele mesmo dia, na festa da casa, o primeiro beijo do casal aconteceu.

E aí começa o enredo pior do que Cinquenta Tons de Cinza – que mulheres suspiram ao ler a história de um cara rico, que dá presentes caríssimos para a “namorada” em troca da dominação no sexo. Sério, gente!! Não consigo entender quem aplaude  – muito menos quem suspira por – relacionamentos abusivos. Não se deve romantizar nenhuma espécie de agressão e abuso. Em hipótese alguma. Seja em um livro ou em um programa de televisão.

No Big Brother, depois do beijo, a mágica do “príncipe encantado” desaparece. Marcos vira um sapo e Emily segue enfeitiçada pelo cara que ele tinha demonstrado ser até então. Percebendo que tinha fisgado o peixe e o tempo todo preocupado em escrever a sua história para o público, Marcos passou a contar toda a história do seu jeito. Usou diversas vezes a garota de palanque para seus discursos quando esteve emparedado e usou de muita violência psicológica ao longo de todo esse relacionamento.

Sabendo ler o jogo e tirar suas interpretações, ele usa a Emily como bem entende. Em alguns momentos, para pagar de bom moço, passa a mão na cabeça, diz que quer que ela fique com o prêmio, pois merece por tudo o que já passou. Mas também quando quer, faz com que a menina se sinta o mais vulnerável possível. “Se for desse jeito, não dá mais” – repete e repete Marcos em diversos momentos.

Quando vê uma câmera virada para ele, ensaia o jeito mais “fofo” de fazer as pazes. E cada vez mais o meu nojo aumenta. Caras como esse merecem a solidão.

Depois de seguir quase o programa inteiro com uma espécie de máscara, Marcos não conseguiu mantê-la até o final. O bom moço perdeu as estribeiras e humilhou seu “melhor amigo” em um dos últimos paredões. Expôs não só um cara que esteve ao lado dele por quase todo o programa, como também toda a família do participante. Disse que um cara que aponta um dedo para uma mulher e chama uma menina de 20 anos de verme, não merece ficar na “casa mais vigiada do país”.

Mas espera aí! Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço?

Depois de tudo isso, Marcos surtou mais ainda. Levantou o dedo e gritou com a participante mais velha de todas as edições do BBB, com outra participante também e como se não fosse suficiente, na última noite ele agrediu verbalmente e fisicamente “o amor” que ele conquistou no programa.  Não, minha gente! Não era amor e nunca foi.

Ah, mas ele não foi expulso? A Emily voltou com ele. Ela perdoou, ela não viu agressão. “Marcos é um príncipe” “Eles formam um casal perfeito” “Todo mundo erra”. Não! Não! E não!

Agressão nunca foi e nunca será sinônimo de amor. Violência psicológica não é bonito. Não é romance. Não é para ganhar torcida. Isso acontece fora da casa e não tem câmeras, nem uma produção para intervir a qualquer momento. Isso é feio, pode machucar e até matar alguém.

Marcos e Emily não formam um lindo casal. Ela é arrogante, tira os outros do sério, é uma pessoa sem respeito com os demais, egoísta? Concordo. Também acho que ela pode ser tudo isso. Mas nada, nada justifica agressão. Os incomodados que se mudem. Se o Marcos viu que a menina o irritava. Fim. Termina o namoro, acaba com o romance e pronto. Ficar junto, humilhar e agredir é uma doença. É triste. E passa longe do que é amor.

Marcos é machista. É um cara que já disse algumas vezes que mulher não pode beber, que a mulher que está ao lado dele tem que usar roupas comportadas e elegantes, é um cara que fala do que tem como se fosse uma das suas melhores qualidades. A relação dos dois não é de amor.

O Tiago sentiu vergonha de apresentar o programa e de “fazer parte” sem poder fazer nada de tudo o que aconteceu entre Emily e Marcos. Eu senti vergonha de cada um que votou e aplaudiu um agressor  machista. E senti pena de ver que uma menina tão nova não percebe – assim como diversas mulheres das mais diferentes idades – que está em um relacionamento abusivo e que continua “apaixonada” por um cara como o Marcos. E não, não gosto dela também. Mas tudo o que eu acho dela não me faz concordar com o que esse cara fez e faz.

Mexeu com uma, mexeu com todas, não é mesmo?

15 de Março de 2017

Bial x Tiago Leifert – Quem é melhor como apresentador do Big Brother Brasil?

Desde que o Big Brother Brasil começou muitas pessoas passaram a comparar Tiago Leifert com o Bial e os questionamentos começaram – quem é o melhor na função de apresentador do programa? E aí, muitas pessoas pediam a volta do Bial dizendo que o Tiago não tinha o mesmo carisma do antigo apresentador.

Que mania feia essa que temos de comparar pessoas. Não é porque um assume o lugar do outro que precisa fazer exatamente igual. Quando um músico canta a música de outro cantor, não é muito mais legal quando ele interpreta de um jeito totalmente diferente? Eu sempre acho que sim.

Já tinha algum tempo que queria falar sobre isso por aqui, mas acabava deixando passar e passar e passar. Mas hoje eu resolvi jogar conversa fora. Vou deixar o post dos restaurantes de Itaipava para amanhã. Estava com vontade de papear.

Muitos jornais disseram que o Tiago não empolgou o público, que possui um discurso mais direto e sem emoção. Mas nos anos anteriores, reclamavam dos discursos emocionados do Bial, quando ele chamava os participantes de heróis. Vocês precisam decidir – emoção ou leveza?

Entre Bial e Tiago, não existe um vencedor. Na minha opinião, cada um tem seu jeito, seu olhar, sua maneira de apresentar e gostar do Big Brother. Bial tinha o olhar do escritor, do jornalista que corre mais do que atrás de notícias, mas que vai em busca de histórias. Bial tem aquele jeito quase fofoqueiro de todo escritor, de realmente querer espiar para entender as relações humanas, de se inspirar com diálogos, de enxergar aquelas pessoas não só como participantes de um “jogo”, mas também como personagens da vida real.

Bial olhava para o Big Brother como quem olha para um livro. Era uma história que se desenrolava durante três meses. Romances, intrigas, dramas e até terror. Em seus discursos era como se ele fosse o narrador. Ele apimentava, incrementava, dava um pouco da sua voz para a história. Usava sua caneta de escritor para fechar um capítulo e abrir outro. A cada eliminação do programa, seus discursos eram como se o eliminado fosse um personagem que deixaria o livro, era como se fosse uma morte, a morte daquele personagem, naquela história.

Já o Tiago trouxe outra cara para o programa. Saiu a literatura e a poesia, entrou o jogo. Ele não vibra com as pessoas, com as relações humanas. Tiago vibra com as jogadas, ele se diverte com as “fases” do reality. Ele vê o programa como uma grande brincadeira – e realmente é!! -.

Quando um participante saía do programa, o Bial sempre perguntava se a pessoa sabia “o que faria agora do lado de fora”. O Tiago já quase celebra “você tem toda a vida real de volta”. É como se ele não conseguisse entender o choro, a saída triste de um participante. É como se ele pensasse: É só um game over, amigo! Bora jogar outro jogo?

Eu adoro mudanças! Gostava do Bial, adoro o Tiago. Gostava da literatura do Bial e adoro a simplicidade do Tiago. Certo ou errado? Não existe. São maneiras diferentes de apresentar e assistir o mesmo programa. Assim como “aqui fora” sempre existiu a briga de quem assiste – por entretenimento – e de quem não assiste – e fala que é um grande lixo.

O Big Brother é mesmo um livro sendo escrito em tempo real, como o Bial gostava de apresentar. Mas também nada mais é do que um jogo, sendo jogado por participantes que precisam fazer as jogadas certas para passar de fase. Assim como em todo livro, uns personagens viram protagonistas. E assim como em todo jogo, sempre existe um vencedor.



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