13 de Junho de 2017

“Dei o meu cachorro, pois ele fazia xixi fora do lugar”

Nesse final de semana eu infelizmente ouvi a frase: “Dei o meu cachorro, pois ele fazia xixi fora do lugar”. No instante que ouvi aquilo, sofri. Não por aquela mulher, pelos filhos pequenos que contaram aquilo rindo ou pelo marido que parecia “ter se livrado” de quem deixava a casa fora de ordem. Mas sofri imaginando o que o cachorrinho sentiu ao ser “doado” para outra pessoa. A nova casa poderia ser maior, os novos donos cheios de amor, mas tenho certeza que o bichinho sofreu.

Aquilo ficou tão doído dentro de mim que na mesma noite eu tive um pesadelo. Sonhei que tinha dado a Valentina, pois ela era muito levada e no lugar peguei um lulu da pomerânia bem adestrado e que sabia fazer tudo no lugar certo. No pesadelo mesmo eu me arrependia e começava a chorar. Dizia para Vinicius que o cachorrinho novo era fofo e educado, mas não era a Valentina. Comecei a pensar no que ela estava sentindo, se estava olhando a porta da casa nova esperando a hora que a gente ia aparecer e o que estava fazendo naquele momento. Acordei angustiada. Olhei para a ponta da cama e encontrei a Valentina nos meus pés, com a cabecinha encostada em mim, como ela faz toda a noite e senti um alívio tão grande… Só de lembrar de tudo isso, já sinto vontade de chorar.

Ainda era de madrugada, puxei a Valentina para cima, agarrei, dei beijo… Ela toda sonolenta, nem entendeu nada do que estava acontecendo. Eu agradeci muito por ter ela bem ali do meu ladinho e pedi muito para que eu possa ter essa felicidade por muitos anos das nossas vidas.

Já falei algumas vezes sobre isso por aqui, mas acho muito estranho a falta de amor das pessoas. Muitos olham um cachorrinho como um entretenimento para a casa e não como um novo integrante da família. “É só um cachorro” é uma das frases que mais me irrita no mundo. Pois parece que os bichinhos não possuem sentimento, não sofrem  com a nossa ausência ou não nos amam como se fôssemos as pessoas mais importantes do mundo inteiro.

Dói muito em mim quando vejo um cachorrinho abandonado, quando escuto relatos tão despreocupados do tipo “dei meu cachorro pois…”. Não existe pois, não existe motivo para isso. É cruel. Você que faz isso provavelmente não sabe o que é amor, mas infelizmente o seu bichinho sabe e fica sem entender o que aconteceu quando você simplesmente não apareceu mais.

Só compre ou adote um cachorro se você realmente estiver preparado para isso. Eles não são enfeites de casa, entretenimento para te distrair quando você estiver cansado de ficar sozinho ou precisando relaxar a cabeça. Eles podem fazer as necessidades fora do lugar, podem roer móveis, podem latir e tantas outras coisas mais. Eles vão te prender mais em casa, vão querer que você jogue bolinhas muitas horas por dia, vão querer sua atenção. Só tenha um cachorro se você estiver pronto para se doar. Os bichinhos já vivem poucos anos e se você não estiver pronto para transformar esses anos nos melhores das vidas de vocês dois, deixe que o cachorrinho vá para outra família que esteja preparada e pronta para isso.

Desde que engravidei, já ouvi de diversas pessoas: O que você vai fazer com a Valentina quando a Julia chegar? Vou fazer o mesmo que sempre fiz nesse um ano e meio que ela está com a gente – Amar muiiiiito!!!! E ela vai ter mais uma pessoa para ela amar e que vai ser completamente apaixonada por ela. É claro que sei que no início não vai ser tão fácil, mas a gente vai dando um jeito. Não me livraria de Vinicius porque ele ronca, não vou dar a Valentina porque ela pode latir. Ela não vai ser deixada de lado porque tem um bebê chegando… Ela vai ser tão parte da nossa família como sempre foi. Sempre juntos. A diferença é que no lugar de três, seremos quatro. Com as dificuldades e as alegrias de ter um cachorrinho e um neném nas nossas vidas.

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15 de Fevereiro de 2017

Coração apertado – Vacina da Valentina

Segunda nós fomos levar a Valentina no veterinário para tomar as vacinas que ela precisava tomar depois de um ano. No caminho o meu coração já começou a ficar apertado. O veterinário que ela estava acostumada, não está mais atendendo no lugar de sempre e a gente foi em um novo. Ela já gostava do outro, quando chegava na esquina já corria de felicidade, mesmo que pudesse tomar um banho ou uma injeção – coisas que ela odeia!. Mas como sempre foi muito bem tratada no lugar, é um Pet que ela adora ir.

Mas como o veterinário mudou, resolvemos ir em um perto de casa mesmo, que já tinha atendido a Valentina em uma emergência e tinha sido fofo com ela. Na recepção, quando ela ficou com aquela carinha de desconfiada que só ela tem, morri de peninha. Será que ia doer?

No consultório, ela queria fugir de todas as maneiras. O veterinário achou melhor Vinicius segurar ela no colo, para o medo diminuir e eu fiquei fazendo carinho nela, para que não ficasse tão ansiosa – ô cachorrinha que é igual a “mãe”.

Aproveitamos que já estávamos lá, para conversar com o veterinário sobre castração. “Já passou da hora de castrar a Valentina”, já que recentemente decidimos não ter filhotes dela, pois Vinicius está com medo de eu não ter coragem de dar os que nascerem e querer ficar com todos. O veterinário disse que não passou da hora nada, que quanto antes é melhor, mas que não precisamos ficar desesperados por não ter feito isso ainda.

Perguntei tudo sobre a castração e apesar dele me dizer que é tudo bem simples, meu coração ficou muito apertado. Ele disse que depois de deixarmos ela lá, que ele deixa ela em uma sala, para que ela fique mais calma, sem a nossa presença e que depois começam os procedimentos para a cirurgia. Já senti vontade de chorar ao imaginar que a minha pequenininha vai ficar sozinha, sem saber o que está acontecendo e apavorada por estar longe da gente.

Todo mundo diz que é uma cirurgia tranquila e rápida. Todos falam que é melhor fazer isso logo, para evitar o câncer. Mas eu fico sofrendo de saber que ela vai operar. Depois que saímos de lá, passei o dia todo me sentindo um pouco triste, com peninha de “fazer isso com ela”.

É uma preocupação tão grande com o que ela vai sentir, com a tristeza que ela vai ficar quando a gente tiver que deixar ela sozinha no veterinário, sem que ela tenha ideia do que está acontecendo e com pessoas que ela não está acostumada. Amar demais dói! A gente quase deseja ocupar o lugar de quem a gente ama, para que eles não tenham que sentir nenhum tipo de dor. Ainda não sei quando vamos fazer a cirurgia, mas até lá vou conversar com todos que já colocaram seus cachorrinhos para castrar, para que eu possa ficar com o coração menos apertado.



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