27 de Outubro de 2017

Eu não sei amar menos nem lidar com a culpa

Esses dias estava conversando com Vinicius sobre como eu não sei lidar com a culpa. Nem amar menos. Toda essa reflexão veio por causa da Valentina – nossa buldoguinha. Já tem tempo que eu penso sobre isso. Simplesmente não consigo fazer como a maioria das pessoas, que não sente a menor culpa ao deixar seus cachorrinhos sozinhos o dia inteiro. Me dói a alma saber que a Valentina fica com aquele narizinho lindo colado na porta, choramingando, até a gente voltar. Então, ficou determinado que isso não acontece mais. Tem sempre alguém para ficar com ela.

Mas não é só isso. Mesmo em casa, ela quer sempre ficar pertinho. Quando estamos trabalhando no computador, ela fica nos nossos pés ou na cadeira ao lado. Mas tem também aqueles momentos do dia que ela quer brincar e fica minutos paradinha, com o brinquedo na boca, olhando para a gente, esperando que alguém vá brincar com ela.

Falei para Vinicius que eu não consigo não ir. Uma espécie de culpa cai sobre mim. Fico pensando no tanto de amor que ela dá para a gente e no pouco tempo que os cachorrinhos têm de vida e não consigo deixar de interromper o que estou fazendo para dar minutos de atenção exclusiva para ela. E ela retribui com pulinhos de alegria.

E aí, estava conversando com o Vi justamente sobre isso… Prioridades, amor, culpa e no que realmente devemos dar valor na vida. Já fui questionada várias vezes por dar amor demais, mas não sei amar menos. Sinto quase uma dor física quando tenho que dar menos amor do que gostaria de dar. E depois fico me perguntando… Mas por que eu tenho que seguir o que os outros acham certo?

Nessa semana mesmo tive uma conversa com uma amiga escritora muito querida e ela estava falando sobre tudo isso com relação aos bebês. Ela disse que muitas pessoas acreditam que o melhor é deixar o neném ser independente, chorar até cansar, ao invés de estar sempre presente. E outras preferem fazer a criação do apego, que é estar sempre pronta para acolher o bebê.

É óbvio que o meu coração vai me guiar para o segundo “modelo” de criação. Estou louca já de vontade de ter a minha menininha nos meus braços, de sentir o cheirinho e de estar sempre ao lado dela para quando ela precisar.

Em outro grupo de amigas, algumas disseram que acreditam que esse estar sempre presente faz com que crianças cresçam mimadas. Será?! Fico pensando se não é a falta do amor, do carinho e a compensação dessa falta com presentes e muito sim que acaba estragando as crianças. Não consigo enxergar como amor demais pode ser prejudicial.

Comecei o texto com a Valentina, terminei com a Julia (risos), mas foi o que deu vontade de escrever hoje… Apenas pensamentos e conversas que aconteceram por aqui essa semana e que me fizeram e fazem refletir no quanto estou acertando, errando e no que devo fazer para me tornar uma pessoa melhor.

Veja mais posts sobreamar menos cachorro gravidez Julia lidar com a culpa maternidade neném Valentina
13 de Junho de 2017

“Dei o meu cachorro, pois ele fazia xixi fora do lugar”

Nesse final de semana eu infelizmente ouvi a frase: “Dei o meu cachorro, pois ele fazia xixi fora do lugar”. No instante que ouvi aquilo, sofri. Não por aquela mulher, pelos filhos pequenos que contaram aquilo rindo ou pelo marido que parecia “ter se livrado” de quem deixava a casa fora de ordem. Mas sofri imaginando o que o cachorrinho sentiu ao ser “doado” para outra pessoa. A nova casa poderia ser maior, os novos donos cheios de amor, mas tenho certeza que o bichinho sofreu.

Aquilo ficou tão doído dentro de mim que na mesma noite eu tive um pesadelo. Sonhei que tinha dado a Valentina, pois ela era muito levada e no lugar peguei um lulu da pomerânia bem adestrado e que sabia fazer tudo no lugar certo. No pesadelo mesmo eu me arrependia e começava a chorar. Dizia para Vinicius que o cachorrinho novo era fofo e educado, mas não era a Valentina. Comecei a pensar no que ela estava sentindo, se estava olhando a porta da casa nova esperando a hora que a gente ia aparecer e o que estava fazendo naquele momento. Acordei angustiada. Olhei para a ponta da cama e encontrei a Valentina nos meus pés, com a cabecinha encostada em mim, como ela faz toda a noite e senti um alívio tão grande… Só de lembrar de tudo isso, já sinto vontade de chorar.

Ainda era de madrugada, puxei a Valentina para cima, agarrei, dei beijo… Ela toda sonolenta, nem entendeu nada do que estava acontecendo. Eu agradeci muito por ter ela bem ali do meu ladinho e pedi muito para que eu possa ter essa felicidade por muitos anos das nossas vidas.

Já falei algumas vezes sobre isso por aqui, mas acho muito estranho a falta de amor das pessoas. Muitos olham um cachorrinho como um entretenimento para a casa e não como um novo integrante da família. “É só um cachorro” é uma das frases que mais me irrita no mundo. Pois parece que os bichinhos não possuem sentimento, não sofrem  com a nossa ausência ou não nos amam como se fôssemos as pessoas mais importantes do mundo inteiro.

Dói muito em mim quando vejo um cachorrinho abandonado, quando escuto relatos tão despreocupados do tipo “dei meu cachorro pois…”. Não existe pois, não existe motivo para isso. É cruel. Você que faz isso provavelmente não sabe o que é amor, mas infelizmente o seu bichinho sabe e fica sem entender o que aconteceu quando você simplesmente não apareceu mais.

Só compre ou adote um cachorro se você realmente estiver preparado para isso. Eles não são enfeites de casa, entretenimento para te distrair quando você estiver cansado de ficar sozinho ou precisando relaxar a cabeça. Eles podem fazer as necessidades fora do lugar, podem roer móveis, podem latir e tantas outras coisas mais. Eles vão te prender mais em casa, vão querer que você jogue bolinhas muitas horas por dia, vão querer sua atenção. Só tenha um cachorro se você estiver pronto para se doar. Os bichinhos já vivem poucos anos e se você não estiver pronto para transformar esses anos nos melhores das vidas de vocês dois, deixe que o cachorrinho vá para outra família que esteja preparada e pronta para isso.

Desde que engravidei, já ouvi de diversas pessoas: O que você vai fazer com a Valentina quando a Julia chegar? Vou fazer o mesmo que sempre fiz nesse um ano e meio que ela está com a gente – Amar muiiiiito!!!! E ela vai ter mais uma pessoa para ela amar e que vai ser completamente apaixonada por ela. É claro que sei que no início não vai ser tão fácil, mas a gente vai dando um jeito. Não me livraria de Vinicius porque ele ronca, não vou dar a Valentina porque ela pode latir. Ela não vai ser deixada de lado porque tem um bebê chegando… Ela vai ser tão parte da nossa família como sempre foi. Sempre juntos. A diferença é que no lugar de três, seremos quatro. Com as dificuldades e as alegrias de ter um cachorrinho e um neném nas nossas vidas.

Veja mais posts sobre abandono amor cachorrinho cachorro dei meu cachorro família