19 de Dezembro de 2017

Primeiro cuspe para cima acaba de cair na minha testa – Diário da Maternidade

E o primeiro cuspe para cima acaba de cair na minha testa: Chupetas!! Antes mesmo de engravidar eu já tinha decidido – Não daria nem chupeta nem mamadeira para o meu bebê. Quando engravidei, algumas amigas ofereceram tanto um quanto outro de suas filhas que não tinham usado e eu neguei todos aqueles presentes. “A Julia não vai usar”. Estava decidido. Mas o que eu não sabia é que a maternidade real é muito diferente daquela que idealizamos.

Sim, muitas mães conseguem realmente não dar chupeta para os seus bebês. O que é ótimo! Mas será que aquelas que acabam dando a chupeta para seus filhos são as piores mães do mundo? Pois é… Na maternidade existe muito julgamento. Ele começa na gravidez, passa pelo parto e, pelo que eu ando percebendo, dura a vida inteira.

Na última semana eu sofri com a dúvida: dou ou não a chupeta para a Julia? Ela tinha acabado de entrar nos dias de noites em claro, chorando o tempo inteiro e só ficando calma se colocasse no peito. Comecei a pesquisar, falei com a pediatra e com amigas que são mães e descobri que a Julia provavelmente estava com cólica.

Dá muita, muita pena ver a nossa neném jogando as perninhas para cima, se contorcendo, sentindo dor. O chorinho é constante e a sua noite em claro e com ela no seu seio a cada meia hora, vai te deixando esgotada. Resisti. Não daria chupeta para ela. Seguindo a dica da pediatra e de amigas, dei uma homeopatia para cólica que teve um resultado imediato. Julinha voltou a ser o bebê calminho de sempre.

Mas duas noites depois, lá estava a cólica de volta. Aplaudo de pé as mães que conseguem resistir. Eu estava acabada. Tanto com o seio completamente dolorido das mamadas seguidas e lonnnnnngas – o único intervalo entre elas eram os momentos que colocava a Julia para arrotar – quanto com um sono absurdo de não pregar o olho nem um pouquinho durante a noite e por pouquíssimas horas durante o dia. Não dava mais para mim.

Tentei esquentar a barriguinha, colocar no colo encostada na minha barriga, tentei de tudo. Mas o que acalma a Julia é a sucção. Comprei duas chupetas: a MAM e a Avent. As duas no modelo ortodôntico e para recém nascidos. Meu coração estava despedaçado, mas decidi parar de me julgar. Não poderia começar em mim todos esses julgamentos e nem merecia sentir toda aquela culpa pela minha escolha. Seria uma tentativa.

Fervi as duas e depois de metade de mais uma noite em claro, fiz aquilo que não queria fazer de jeito nenhum – dei a chupeta para a Julia. A sucção foi imediata e o choro acabou. Sim, meu coração pesou, minha cabeça não relaxou, mas a Julia ficou calma e satisfeita. Minutos depois ela mesma cuspiu a chupeta e continuou a dormir por duas horas. Como assim? Eu não tinha conseguido aquilo com meu seio, pois quando passava ela do peito para o berço, ela acabava acordando. Mas quando a chupeta caía no próprio bercinho, ela nem se mexia, continuava no soninho dela.

Conversando com uma amiga de infância – que é médica – e que também se transformou em mãe recentemente, comecei a me sentir menos culpada. Ela disse que optou pela chupeta desde o primeiro dia, ainda na maternidade, para não correr o risco da filha dela não pegar. “Sinceramente, acho bem melhor usar a chupeta do que dar remédio. Usei chupeta até os sete anos e nunca precisei usar aparelho e nem tive problema nenhum por causa dela”. Alívio.

Percebendo a minha culpa e a minha resistência, minha mãe começou a me mandar várias fotos minhas com a chupeta na boca. Também não tive nenhum problema por ter usado quando era bebê. Por que então estava carregando toda aquela culpa?

O que acontece é que na maternidade você se julga e é julgado o tempo todo. É claro que eu quero dar o melhor para a minha filha, é claro que eu leio muito para ver o que é melhor para ela, mas nem sempre “o melhor” é realmente o melhor para a gente.

Esse foi o primeiro cuspe para cima que caiu na minha cabeça. Lembro que quando ainda estava grávida a minha prima falou: Depois que você vira mãe aprende a não julgar tanto as escolhas das outras mães. Nem tudo é do jeito que a gente idealiza. Eu não acreditei muito quando ela falou aquilo, mas com menos de um mês da Julia eu começo a perceber que é mesmo uma realidade.

Confesso que não estou totalmente satisfeita com a minha escolha. Ainda dói o coração quando ofereço a chupeta para a minha filha, mas preciso estar bem para dar o melhor para ela e se eu estiver acabada, não consigo dar o melhor de mim. A chupeta serviu muito bem para isso. Como não queria dar, mas acabei dando, decidi que faria tudo com moderação. A chupeta está sendo o remédio nos momentos de desespero, não é um item de livre demanda como a amamentação. Ela está destinada para o meio da madrugada, quando eu realmente estiver no meu limite. E você? Cuspiu alguma vez para o alto antes de ser mãe e viu o cuspe vindo na direção da sua cabeça?

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