15 de Dezembro de 2016

O cachorrinho que mora do lado de lá

Com o cair da noite, a porta da varanda começa a refletir o que está dentro de casa. Mas cachorro sabe lá o que é reflexo?  Todo dia, quando a porta está um pouco fechada e a luz acesa, Valentina corre para olhar intrigada para aquele cachorrinho que sempre vem fazer uma visita, mas nunca se aproxima.

Se está deitada, levanta correndo com a chegada daquele amigo que sempre vem no mesmo horário, mas nunca dá um oi. “Quem é você que deita do outro lado desse vidro e me encara quando eu chego mais perto?” ela parece pensar.

Em alguns dias ela só fica encarando o cachorrinho “do outro lado”.
Outros dias, quando ela está no agito da brincadeira, fica angustiada, querendo que “ele” se aproxime. Chama, mas o cachorrinho nunca responde.

Desce do sofá, sobe no sofá e lá está o cachorrinho fazendo o mesmo. Mas por que ele não chega mais perto? Porque ele não vem brincar também?

Se eu abro a porta da varanda, ela sai correndo para achar aquele amigo. “Mas que droga, como ele pode ser tão rápido assim? Já não tem mais nenhum sinal dele” volta ela triste para a sala.

Mesmo com a porta aberta, ela não esquece mais aquele amigo que nunca se aproxima e vez ou outra ela volta para a varanda na esperança de surpreendê-lo por lá.

😍

Tão pura, tão doce, tão inocente e cheia de amor. Meu coração chega a partir com as carinhas viradas sempre que ela vê o amigo que nunca chega perto. Aquele cachorrinho que só aparece quando chega a noite. O amigo do vidro que quando a porta se abre ou a luz se apaga, já não está mais ali.




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04 de Outubro de 2016

Tudo sobre o meu conto Por Acaso em O Livro Delas

O Livro delas

Muita gente me pergunta sobre inspiração. Como ela surge na hora de escrever um livro, um conto ou uma crônica? Hoje eu resolvi contar para vocês sobre o meu conto Por Acaso, que faz parte dos nove contos de O Livro Delas, lançado pela Rocco, na Bienal de São Paulo.

Outro dia eu contei por aqui sobre o meu amor por Florianópolis e nessa crônica eu falei sobre um amigo do passado que morava na ilha. A ideia para escrever o Por Acaso surgiu mais ou menos por esses dois motivos. Quando eu e Vi fomos conhecer Floripa, ficamos cinco dias hospedados na Lagoa da Conceição e dois dias em Jurerê Internacional. Assim que chegamos nesse nosso segundo destino, a lembrança daquele amigo do passado surgiu. Já fazia 15 anos que não o via e nem mesmo tinha notícias sobre ele, mas ao caminhar na praia, lembrei das descrições que ele fazia sobre aquele lugar nas cartas que escrevia quando a gente ainda se falava.

Com aquelas lembranças, pensei em como seria legal se eu soubesse ainda o endereço dele e como seria se passássemos pela frente da casa e o encontrássemos lá. Imaginei o que teríamos para conversar depois de tanto tempo e o que Vinicius acharia dele, sobre o que conversariam?

E com aqueles pensamentos, uma história surgiu: Uma mulher de uns trinta anos (a minha idade), arquiteta (profissão de Vinicius) indo até Jurerê Internacional (lugar que eu estava quando pensei na história e inspirada naquele pensamento sobre o meu amigo) por causa de um trabalho e resolve passar na frente da casa daquele amigo do passado (ela saberia o endereço dele) apenas para ver como era a casa que ele morava e lembrar de quando eram amigos de infância.

Estava caminhando quando aquelas ideias surgiram. Naquele instante, me deparei com uma casa azul que ficava perto do shopping. Assim como a maioria das casas de Jurerê, não tinha muro e tudo o que tinha nela era perfeito para a história que estava começando a surgir na minha cabeça. Pronto! Estava escolhido o cenário.

Como eu AMO livros escritos através de cartas e e-mails, imaginei como seria se a minha personagem resolvesse enviar uma carta para aquele amigo do passado depois de ter ido até o lugar que ele morava, sem ter coragem de tocar a campainha. Como eles não se falavam há muito tempo, provavelmente aquele já não seria mais o endereço dele. E aí, o restante da ideia do conto fluiu – não posso contar tudo, senão vou acabar dando spoiler sobre o conto.

Mas quando a Renata Frade me chamou para fazer parte do projeto Lit Girls Br, foi alegria total!! Aquele conto, que escrevi com tanto carinho e que começou com uma inspiração que veio de lembranças tão legais, teria uma casa linda como a Rocco e um livro maravilhoso como é O Livro Delas. O nome do conto não poderia ser outro. Por Acaso é totalmente perfeito para ele. Afinal, foi Por Acaso que a história surgiu, o desenrolar do conto também tem tudo a ver com o título. Esse é um trabalho muito especial para mim que eu espero que todos vocês tenham a oportunidade de conhecer e que amem tudo o que vão encontrar por ali.

Se você ainda não tem o seu, pode encontrar nas livrarias de todo o Brasil e também comprar pela internet:

Saraiva

Amazon

Fnac

Travessa

Editora Rocco


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