14 de Fevereiro de 2017

Li um livro e fiquei com vontade de morar na Dinamarca

Que livro! Sabe quando você começa a ler um livro como uma pessoa e sai dele completamente diferente? Depois de ler O Segredo da Dinamarca eu saí do livro com uma bagagem cultural ainda maior, com aprendizados que só teria se tivesse a oportunidade de morar alguns meses no país, com a possibilidade de fazer comparações que não teria como fazer antes e de pensar no que poderia melhorar por aqui.

O Segredo da Dinamarca me fez pensar e repensar sobre felicidade. Como muitas vezes depositamos no outro algo que é uma responsabilidade nossa. É claro que outras pessoas podem nos proporcionar momentos e pequenos instantes mais felizes, mas isso não pode ser fundamental para que alcancemos diariamente momentos de felicidade. Ela tem que partir da gente, sempre.

Aprendi tantas, tantas coisas…

Saí do livro com uma vontade gigantesca de viver uma experiência naquele país gelado, frio, mas com uma igualdade social que deveria servir de exemplo para o mundo inteiro. Um dos impostos mais altos do mundo, mas com o Estado realmente tomando conta de toda a sua população. Na Dinamarca, toda profissão é valorizada e você pode realmente escolher fazer o que ama, sem que tenha toda aquela pressão de escolha por melhores salários nas profissões que você nunca sonhou em fazer.

É um país que valoriza e trabalha para que todos tenham as mesmas oportunidades. Ensina as crianças a questionarem, pensarem por conta própria, serem mais justas e gentis. Na Dinamarca ninguém tranca as crianças em redomas de proteção. É importante que eles caiam, levantem, aprendam o motivo de terem caído.

A Dinamarca é o país mais feliz do mundo, mas não quer dizer que seja o país das pessoas mais simpáticas. Longe disso. Mas eles não associam simpatia a felicidade. Quando eles sorriem para você desejando um bom dia, não é apenas uma gentileza dita da boca para fora, é realmente o desejo de que o seu dia seja incrível. Por isso, não ficam sorrindo e dizendo isso o tempo todo.

os pais tiram várias semanas de licença paternidade e são tão responsáveis pela criação dos filhos quanto as mães. As horas de trabalho são menores do que na maioria dos países, eles valorizam a produtividade e não o tempo que se passa trabalhando.

E como gostam de beber! Passei o livro inteiro com uma vontade enorme de degustar uma Carlsberg. Também fiquei louca para conhecer Copenhague e todos os restaurantes estrelados, com comidas nórdicas.

Terminei o livro com uma vontade louca de pesquisar preços de passagem agora mesmo e de arrumar a mala para conhecer o país mais feliz do mundo. Que experiência maravilhosa a autora Helen Russell teve a oportunidade de viver. Uma casa, no meio do nada, de frente para o mar. Já tem uns dois anos que tenho um sonho parecido. Uma vontade enorme de sair do meio de tanta coisa e ir morar em um lugar calmo, de frente para o mar, com menos desespero para querer sempre mais.

Antes de ler O Segredo da Dinamarca, esse era um país que nem passava no meu radar. Não era um destino que tinha curiosidade de conhecer. Mas hoje, acho que encaro o meu pavor de avião para visitar, nem que seja por apenas duas semanas.  

Recomendo esse livro para todos os brasileiros. No momento que vivemos, com tanta gente cheia de certezas, com tanta briga sobre esquerda e direita e tantos achismos políticos, é uma excelente leitura para sair um pouco da caixinha e poder conhecer um pouco mais do que deu certo em outros países. Como a Dinamarca conseguiu ser o país mais feliz do mundo? Também recomendo para todos que queiram pensar um pouco mais sobre felicidade. É um livro imperdível para todos! Vou sentir saudades de O Segredo da Dinamarca e tudo que aprendi com a leitura. Ler é sempre bom demais!



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30 de Janeiro de 2017

Por que ser diferente irrita tanta gente?

Estava pensando nisso ontem. Por que o diferente irrita tanto as pessoas? A única conclusão que consegui chegar é que todos estão ficando cada vez mais arrogantes, donos de si e de uma verdade absoluta, que simplesmente não aceitam nada que seja diferente do que usam, pensam, vestem, consomem. No Facebook, nos comentários de sites de notícias e até mesmo em uma roda de conversa com a família ou com amigos é assim. Não existe mais debate, argumentos, bom papo. É isso e ponto final.

Tenho ficado cada vez mais enjoada ao ler comentários em postagens sobre qualquer coisa “polêmica”. Daqui a pouco, dizer que prefere pão de forma a pão de sal vai ser motivo de exclusão nas redes sociais e relacionamentos cortados.

E sabe o que é pior? Não estou nem mesmo falando de política. Estou falando da vida, das escolhas, dos gostos de cada um.

Ontem eu vi um amigo escrever que estava odiando o novo apresentador do Big Brother, aí veio outro na postagem dele e escreveu: Isso não é o pior! Ridículo é ver aquele ¢£*&¨%$# usando vestido. Tem coisa mais tosca?

E aí eu fiquei pensando… “Tem! Mais tosco é você, que se incomoda tanto com algo que não te afeta de maneira alguma”. Mas é claro que não escrevi nada. Não entro mais em conversa nenhuma. Simplesmente cansei de tudo isso.

Mas confesso que eu queria muito entender: Por que o diferente incomoda tanto? Por que um cara não pode usar um vestido se ele está com vontade de fazer exatamente isso? Por que as pessoas precisam dizer se gostam ou não daquilo? Ele pediu a aprovação de alguém?

Pequenas coisas vão gerando comentários tão ferozes, que eu não consigo entender tanto ódio por coisas que nem mesmo nos dizem respeito.

Ando lendo um pouco mais das culturas e diferenças de outros países, de cidades que foram eleitas melhores do mundo em alguma coisa. Gosto de buscar sempre mais informação para a minha vida, mais conhecimento, mais opções. E aí, diversas vezes me peguei pensando: “Imagina se os brasileiros chatos e cheios de censura lessem isso”?

Não se pode mais ser livre, pensar diferente, ser diferente, pois você corre o risco de ser apedrejado em praça pública. As bruxas de ontem, são os diferentes de hoje. Biquíni diferente? Sapato que você ama e que ninguém acha normal? Cabelo do estilo que você quer? Saia ou vestido se você é homem – Supla, obrigada por você já vir usando essas vestimentas desde sempre -? Não pode. A censura vai te pegar. Vai dizer que você só quer aparecer, que quer chamar atenção, que merece apanhar para aprender.

Que tristeza tudo isso! Um mundo que todos acham que suas opiniões são as grandes verdades do universo. Quanta arrogância! Quanto retrocesso! Eu acho tudo que é diferente lindo! Quem sai da caixinha e vai ser feliz do jeito que quer, é quem realmente é feliz. Todos os outros são passarinhos em uma gaiola com medo do mundo lindo que existe fora dela. Ao invés de se soltarem, preferem que os que estão do lado de fora sejam engaiolados. É melhor ficar na comodidade da segurança, do que correr riscos para realizar o que realmente deseja. Mas para não correr o risco de que os mais ariscos consigam voar cada vez mais alto e chegar no lugar que querem, é melhor dar um jeito de prender cada um deles o mais rápido possível. A que ponto chegamos? No ponto em que ser feliz incomoda muita gente.



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