01 de Fevereiro de 2017

Você conhece Educação Montessoriana? – Entrevista com Marlene Toledo

Desde que passei a acompanhar os vídeos da Flávia Calina, passei a me interessar mais e mais pela educação montessoriana. Já tinha algum tempo que queria entender e pesquisar mais sobre esse tema. Como essa coluna de quarta feira é para falar de pessoas que foram atrás de seus sonhos, projetos legais, empreendedores… Por que não conversar sobre um tema que pode inspirar e trazer conhecimento para pessoas que desconhecem esse modelo de educação?

Conversei com a Marlene Toledo, que está fazendo especialização em educação montessoriana nos Estados Unidos para conhecer um pouco mais desse método e também do motivo que a levou a buscar esse conhecimento.

Espero que gostem da entrevista e em breve vou trazer mais informações sobre esse tema por aqui.

– Por que você decidiu se especializar em educação montessoriana? Da onde veio a inspiração?

Eu cursei o antigo magistério (CEFAM), e lá tive o primeiro contato com o método da educadora Maria Montessori, mas nunca havia estudado a fundo.

– Você foi fazer a especialização na Califórnia. Acha que no Brasil ainda é pouco o espaço para esse modelo e também para a formação de professores nesse método?

Moro na Califórnia há quase quatro anos e em maio de 2015, em umas das minhas viagens, conheci uma brasileira que estava estudando o método Montessoriano. Trocamos ideias, informações e como sou formada no Brasil na área da educação (conclui magistério, curso de letras e também tenho pós graduação em educação infantil e alfabetização) – decidi investir e arriscar esse curso de especialização aqui antes de voltar ao Brasil.

Não sei como está a preparação no Brasil agora em relação a esse método. Até final de 2012 (antes de vir para os Estados Unidos) sei que não era tão conhecido. Sou de São José dos Campos, interior de SP, porém cidade grande, e na época conhecia apenas uma escola particular Montessoriana. Em algum momento também ouvi que escolas da capital, Campinas e outras enviavam seus profissionais para um curso de formação em Chicago, mas não posso afirmar pois como disse acima, não busquei nenhum aprofundamento sobre esse método antes.

– O que você pretende fazer quando concluir a sua especialização? Voltar ao Brasil e buscar uma escola montessoriana ou pretende permanecer nos Estados Unidos e trabalhar em uma escola daí?

Termino minha especialização em breve e tenho até junho de 2018 para finalizar meu projeto de conclusão e o estágio obrigatório. Realmente espero ter a oportunidade para um visto de trabalho aqui nos Estados Unidos em alguma escola. Mas caso contrário, voltar ao meu país nunca será um problema e acredito ter grande capacidade e habilidades para uma boa posição em uma escola Montessoriana no Brasil ou qualquer outro país, uma vez que o método de ensino é o mesmo em qualquer lugar do mundo, apenas mudando a língua.

– O que mais te encanta na educação montessoriana e o que você acha que é mais complicado nesse modelo?

Fico encantada com tantas e simples ferramentas que podermos guiar o aluno ao conhecimento e auto-educação. O método permite o aluno auto-educar-se e além de tudo, reconhecer seu erro e auto-corrigir-se. O professor é um observador constante e um guia se houver necessidade.

– Você acha que existe um preconceito no Brasil com esse modelo de educação? Ou acredita que muitas pessoas apenas desconhecem o método?

Humm, acredito que ainda não é muito conhecido apenas, não temos muitas escolas. Aqui na área que moro na Califórnia, San Francisco – Bay Area, é muito “famoso”, e tem muitas escolas em todas as cidades e uma grande procura por famílias Americanas, Indianas, Asiáticos e tantas outras. As escolas geralmente são particulares, porém há escolas públicas Montessoriana espalhadas pelo país.

– Na sua opinião, no que uma criança que estuda em uma escola montessoriana se diferencia de outra que estuda em uma escola tradicional?

A criança montessoriana se auto-educa para vida de uma maneira simples e com aprendizagem. É trabalhado a auto estima, concentração, ordem, coordenação e independência desde o berçário. A criança explora seu meio ambiente, as áreas educacionais com a liberdade de escolha, quando ela está pronta para isso. Uma atividade de matemática por exemplo, terá diferentes maneiras de se executar o mesmo objetivo e a criança com livre escolha trabalha na atividade que lhe agrada proporcionando a formação do seu conhecimento.

– Qual é a diferença no conceito e postura do professor de uma sala montessoriana para os outros professores?

O professor é um observador fundamental no dia-a-dia das crianças. Ele prepara o ambiente escolar, materiais, todas as ferramentas necessárias. Usa o tom de voz calmo e baixo. Apresenta os materiais de maneira simples e vocabulário claro. O educador montessoriano não intervém como o dono do saber, e sim como um guia para com o aluno.

– Fala um pouquinho sobre você… Sua formação e o motivo de ter escolhido ser professora.

Sou Joseense nascida e crescida. Desde criança me encantava com crianças. Fazia “babysitting” brincando (risos). Cursei magistério junto ao ensino médio – conhecido como CEFAM- Centro específico de formação e aperfeiçoamento do magistério). Me formei em Letras pela a UNIVAP e conclui a pós-graduação em educação infantil e alfabetização pelo centro educacional Claretiano em 2012. Comecei atuar como professora antes de me formar no magistério, trabalhei em creche, escolas particulares, instituição da Prefeitura na minha cidade e também fui substituta em escola do estado. Por uma época fiquei longe das salas de aula e isso me fez muita falta e também me fez perceber o quanto sempre gostei de ser professora. Acredite, muitas vezes você mais aprende do que ensina! Embarquei para os Estados Unidos em março de 2013 para um programa de intercâmbio chamado Au Pair ( morar com família Americana, cuidar das crianças e estudar inglês) após os 2 anos nesse programa, decidi estender minha estádia e aqui estou mais uma vez, na minha área, me aperfeiçoando e desta vez com algo bem inusitado e numa língua estrangeira!

***

Adoro ouvir histórias de pessoas que tiveram a coragem de transformar um sonho em negócio. Não deixe de ler as outras entrevistas que já rolaram por aqui e não se esqueça que toda quarta tem mais um convidado.




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25 de Janeiro de 2017

Entrevista com a psicóloga Glória Belém

Hoje eu resolvi fazer uma entrevista com a minha mãe, Glória Belém. Ela sempre foi uma inspiração, pois eu cresci vendo o amor que ela tem pelo trabalho, pelo consultório e por tudo que faz. Acredito que seja por isso que eu nunca tive medo de ir atrás das coisas que eu amo e de batalhar pelos meus sonhos.

Como toda quarta-feira eu entrevisto pessoas que amam o que fazem, que empreenderam ou que criaram projetos que mudaram a vida de alguém, pensei que não seria justo não colocar a minha mãe por aqui. Então, se você sonha com a psicologia, vem conhecer um pouco mais dessa profissão. E se você tem medo de buscar seus sonhos, não deixe de ler e de se inspirar também.

Confira a entrevista com a minha mãe e psicóloga, Glória Belém:

– Quando você descobriu que tinha vocação para ser psicóloga?  

Eu não descobri, foi consequência de um trabalho que eu já estava desenvolvendo como terapeuta holística. Fiz psicologia com o objetivo de aperfeiçoar o meu conhecimento do ser humano.

– Como foi  que você se apaixonou pela psicologia?

Quando conheci alguns professores, como Fatima Scaffo e Carlos Eduardo Leal. Eles não ensinavam. Transmitiam. Todo o ser deles falava. E era isso que eu procurava.

– E quando você passou a atender como psicóloga, se apaixonou ainda mais pela sua profissão?

Não alterou muito o que eu já realizava, até começar minha formação em psicanálise. Essa etapa sim, foi absolutamente diferente e encantadora.

– Como é trabalhar com as angústias, tristezas e alegrias das pessoas?

É entregar minha escuta a tudo isso. É poder acolher e devolver ao outro a possibilidade dele mesmo se ouvir. É absolutamente fascinante.

– Mas a responsabilidade também é grande, né?

Sim. Mas a responsabilidade do outro consigo mesmo é mais importante. E se conseguimos chegar a esse ponto… ah, aí tudo valeu a pena.

– Por que você escolheu ter o seu próprio consultório desde o início? Quando começou, não teve medo de não aparecer clientes?

Não. Acredito que quando a gente investe em si mesmo o resultado sempre será o esperado.

– E como foram aparecendo os primeiros clientes? Como eles te descobriram?

Segui com os meus como terapeuta holística e realizar um bom trabalho sempre me trouxe novas pessoas. Nada funciona melhor do que isso.

– Mesmo com o consultório lotado de pacientes, você nunca parou de estudar. Acha que isso é fundamental para quem quer ter sucesso em qualquer profissão?

Absoluta certeza disso.

– O que é mais legal na sua profissão?

O crescimento pessoal. A gente sempre aprende muito no dia a dia do consultório. Aprende a conviver com as diferenças e a dar valor a tudo que conquistou.

– E que é mais difícil?

Lidar com a impotência frente a ausência de desejo do outro. Muitas vezes o sujeito não está a fim de abandonar seus velhos padrões de sofrimento.

– Muitas pessoas quando vão escolher suas profissões, acabam abandonando um sonho para seguir uma carreira “que está dando dinheiro”. Que conselho você poderia dar para todos aqueles que sonham em ser psicólogos, mas estão com medo de não dar certo?

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