10 de Janeiro de 2017

Carteira assinada NUNCA mais

Ontem estava conversando com uma amiga sobre trabalho e enchi a boca para dizer que nunca mais na minha vida espero trabalhar com carteira assinada. Até 2013 eu nunca tinha trabalhado assim e em dezembro de 2016 eu me despedi do meu único trabalho com ela. Foi um trabalho que eu amei e quando apareceu a oportunidade, eu queria tanto que acabei concordando com “o modelo tradicional”  – carteira assinada, escritório, horários fixos.

Adorei conhecer as Olimpíadas do início ao fim, ver várias etapas do projeto e participar de reuniões de todo tipo. Mas tirando esse trabalho que foi bem legal, eu não tenho o menor perfil para uma rotina regrada de escritório. Detesto a ideia de cumprir horas pelo único motivo de ter que cumprir as horas estipuladas por alguém. Não aguento me sentir um robô. Ainda bem que até no meu único emprego de carteira assinada eu tive a sorte de conseguir conversar com os meus chefes e fazer eles entenderem que trabalho muito melhor do meu jeito.

Não digo que o meu pensamento é o certo e que todo mundo deveria pensar como eu. Longe disso. Acho que cada pessoa tem um perfil profissional e deve sempre buscar o seu. Eu não me importo de trabalhar dez, 12, 15 horas em um único dia. Algumas pessoas preferem ter aquela quantidade de horas certas para estar em um escritório e depois não pensar mais naquele trabalho.

Ao longo da minha vida profissional trabalhei até mesmo nos finais de semana e não me importava com isso. Quando tem trabalho, não tenho medo nenhum de levantar as mangas e colocar a mão na massa. Durante dois anos, quando eu trabalhava por conta própria, eu trabalhei sete dias na semana, muitas vezes precisando trabalhar até a madrugada dos finais de semana. E sempre amei o que fiz.

Mas fico muito irritada de ter que fazer determinada coisa apenas por ser uma espécie de regra. E, infelizmente, é o que acontece no Brasil. Não sei se por culpa das empresas, das leis trabalhistas ou de qualquer outra pessoa, só sei que eu não concordo com quase nada disso.

Muitas vezes, não existe nem mesmo uma razão para que o empregado tenha que estar no escritório todos os dias, mas parece que as empresas são uma espécie de escola, os chefes são os diretores e os funcionários são alunos que precisam estar sempre na mira do olhar atento de alguém que supervisiona se o trabalho está ou não sendo feito. Sei lá, existem coisas que eu não consigo entender.

Ah, mas é claro que isso também não se enquadra a todos os empregos. Existem aqueles que são mais do que importante ter toda a equipe trabalhando junta, setores que precisam conversar, interagir em diferentes momentos de um projeto e aí, toda a rotina é até justificável.

Estou lendo um livro sobre a Dinamarca e lá, segundo a autora, eles trabalham bem menos por semana do que por aqui. Se alguém fica até bem mais tarde no escritório, no lugar de ser elogiado “pelo esforço”, é criticado pela falta de eficiência e gerenciamento de tempo. E acredito que é bem isso o que acontece mesmo.

Não adianta aquela mentalidade fechada de que as pessoas poderiam enrolar e não trabalhar de casa, pois se um funcionário enrola em casa, não tenha dúvidas de que ele também enrola no escritório. As redes sociais podem ser acessadas facilmente pelo celular, o whatsapp pode ser utilizado durante um dia inteiro… Não é o lugar que vai fazer com que alguém trabalhe bem. E, sinceramente, quem enrola em casa ou no trabalho, perde o bem mais precioso do mundo que é o tempo.

Prefiro correr atrás do meu sozinha, trabalhar o dobro, o triplo para garantir um salário legal que me garanta todos os benefícios que eu teria com a carteira assinada, mas seguir a vida feliz. Se precisar apertar no início, a gente aperta. Comigo não tem tempo ruim quando sigo o que acho correto. Detesto a ideia de ter que odiar as segundas e viver torcendo para que as sextas cheguem logo. Isso não é para mim.

Gosto muito de trabalhar, mas odeio as regras sem sentido e não quero mesmo me submeter a elas. Por isso, para não irritar nenhum chefe e para não viver a vida estressada, para não perder diariamente duas horas em um ônibus para ir e mais duas para voltar, não quero carteira assinada nunca mais. Quero ser responsável pelos meus horários, pelos meus prazos e pelas minhas responsabilidades. Meu perfil é assim e é exatamente dessa maneira que eu pretendo trabalhar pelo resto da minha vida. A rotina acaba com a minha criatividade e sem criatividade eu não sou ninguém.

 




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05 de Outubro de 2016

Comecei um novo caderno

Já contei por aqui sobre o meu caderninho da gratidão, que faço há muitos anos. Eu comecei a fazer, quando assisti o vídeo de 30 antes dos 30 da Flávia Calina e ela disse que tinha adotado aquela prática depois de ter ouvido a Oprah comentar em uma de suas entrevistas sobre como aquilo trazia mais coisas boas para ela. Pesquisei um pouco mais e acabei gostando bastante da ideia. Passei a fazer também. Desde 2012 que eu tenho meus caderninhos da gratidão e é muito bom poder voltar a todos eles para lembrar quantas coisas boas aconteceram comigo ao longo de todo esse tempo. Muitas vezes ficamos reclamando, dizendo que não conquistamos nada e esses caderninhos servem para mostrar como estamos errados quando reclamamos. Mas agora, além do caderninho da gratidão, comecei outro caderno.

caderno

No mês passado resolvi ler o livro da Oprah e lá ela falava sobre transformar um caderno em uma espécie de diário. Eu já tenho meus livros interativos, que de certa maneira também funcionam como diários, mas a ideia desse caderno sugerido por ela, é um pouco diferente.

A Oprah disse que em uma fase de sua vida ela era uma pessoa muito insegura, cheia de medos e aí ela recebeu o conselho de alguém – como já tem um tempinho que li, não lembro exatamente da história – que disse que faria bem a ela escrever sobre todos aqueles medos e que ela tinha que fazer aquilo todos os dias.

Quando ela começou a escrever sobre aqueles medos, passou a refletir sobre eles. Como antes ela não conversava muito com as pessoas sobre aquilo, acaba não pensando muito neles, apenas sentia tudo aquilo. Quando começou a escrever, passou a perceber que eles não eram tão grandes e reais quanto ela acreditava que eram e também como ela começou a escrever sobre tudo aquilo, passou a tentar refletir sobre a origem de todos eles.

É praticamente uma terapia: a terapia da escrita. Ao invés de falar, falar e falar para um analista, a ideia é escrever sobre tudo aquilo que, como diria Danuza Leão, talvez você não contasse nem para o seu psicólogo. No caderno você fica livre para escrever sobre qualquer medo sem ficar preocupada se vai estar ou não sendo ridícula, pode falar sobre frustrações, raivas e o que mais sentir vontade, sem se preocupar com o que o outro vai pensar. É uma maneira de passar a se conhecer melhor.

Gostei da ideia e como amo escrever, vai ser um prazer fazer isso. Depois eu conto para vocês se de alguma maneira essa prática funcionou para mim, se transformou os meus monstros em formiguinhas e a minha ansiedade em serenidade. Vamos ver! Não custa tentar, não é verdade?

Ah, no nosso “O livro Delas”, no conto da Chris Melo – que eu amei!!! – a personagem passa a fazer exatamente esse exercício de escrever diariamente em um diário e acaba descobrindo que nem tudo o que ela pensava que estava certa era realmente a verdade. Fica a dica da leitura para quem ainda não leu.

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