24 de Agosto de 2016

Profissão: Agente de Futebol

No início do blog, há um ano, resolvi começar uma série sobre profissões. Acho legal ouvir profissionais bem sucedidos em suas carreiras para inspirar pessoas que estão começando a pensar no mercado de trabalho e também todos aqueles que pensam em mudar de profissão. Lembrei que em 2010, quando ainda tinha o Bela da Bola, entrevistei o Alexandre Uram, filho do Eduardo Uram, dono da Brazil Soccer. Os dois são agentes de vários jogadores de futebol. Reli a entrevista e achei que seria legal colocar aqui também, pois sei que muitas pessoas sonham com essa profissão: Agente de Futebol. Também sei que muitas outras nunca nem ouviram falar dela. Então, espero que curtam essa entrevista.
agente de futebol
 Para começar, gostaria que você falasse um pouco sobre o trabalho da Brazil Soccer.
A Brazil Soccer é uma empresa exclusivamente ‘da bola’. No mercado do futebol. atuamos basicamente em quatro frentes: investimentos, gerenciamento de carreiras, consultoria de mercado aos clubes, e marketing esportivo. Mas, o nosso compromisso primário é com o jogador. Temos envolvimento direta/indiretamente com cerca de 180 atletas (dados de 2010). Trabalhamos sempre defendendo o interesse do atleta, e nossa meta é que o ele fique com a gente até o fim de sua carreira, para que quando chegar esse dia, ele possa olhar para trás e ter o reconhecimento de que ele obteve o melhor retorno esportivo (títulos e glórias) x retorno financeiro (bons contratos). No exterior, procuramos atuar nos principais mercados onde o futebol é praticado, buscando representantes locais, que trabalham de forma parecida com a nossa. Cada um desses parceiros promove exclusivamente, ou não, nossos jogadores em seus respectivos mercados. E depois da transferência, se encarregam de ajudar os atletas a se adaptar no novo país. Temos ótimo relacionamento com quase todos os clubes do Brasil. Os clubes gostam de fazer negócio com quem tem credibilidade no mercado, e isso não se constrói de uma hora para outra.
Por que você decidiu seguir os passos do seu pai e trabalhar nessa área do futebol?
Assim como quase todo brasileiro, sou louco por futebol. Até pratico outros esportes, mas só consigo assistir futebol. E na minha família todos são assim. Quando o meu pai começou no futebol, eu era criança, e acompanhei todo o crescimento dele como empresário. Quando eu fui ver, quase sem querer, eu estava envolvido na atividade e participando de tudo. Ele sempre me levou para as reuniões e viagens de negócio para eu ir ganhando experiência. Não sei se ele queria me preparar para trabalhar com futebol, mas acabou acontecendo naturalmente. Ele é um cara muito respeitado no mercado. Poucas pessoas enxergam o futebol, no macro, e no micro, como ele enxerga. Diferente da maioria de seus colegas de profissão, ele nunca foi boleiro. Ele é engenheiro civil, fala quatro ou cinco idiomas fluente, é capacitado para discutir sobre tática com qualquer técnico, e entende muito do mercado. Seguir os passos dele é unir o útil ao agradável. Poucas pessoas podem dizer que trabalham com o que realmente gostam.
Como é que você faz para identificar um talento no futebol?
Essa pergunta é engraçada pois não acredito que exista fórmula mágica para se descobrir um talento. Afinal, no Brasil eles estão em todo lugar. É basicamente comparação. Esse é melhor que aquele. E você apura a percepção assistindo muitos e muitos jogos. Procuramos também escolher jogadores que possam desempenhar funções táticas de acordo com o que é praticado no futebol europeu. Existem algumas características que a gente observa como, habilidade (nos fundamentos), visão (leitura tática), força (complexão física), mentalidade (comportamento dentro de campo, capacidade de absorver treinamento), isso você pode observar assistindo jogos. Hoje, os olheiros profissionais observam detalhes nos jogadores que você não consegue nem imaginar. Recebemos também muitos olheiros estrangeiros, e com eles aprendemos a olhar coisas que antes não reparávamos.  Outra virtude fundamental é o caráter (seriedade, profissionalismo) do jogador. Já se foi o tempo em que o talento por si só reinava no futebol. Hoje o cara tem que trabalhar muito para chegar lá. Estive recentemente no training ground de um clubão inglês, e no refeitório havia uma frase motivacional na parede que dizia assim:  “Hard work beats talent, when talent doesn’t work hard” – “Trabalho duro derrota o talento, quando o talento não trabalha duro” (Essa é para anotar e deixar guardada, hein galera?!) .
Já errou alguma vez, achando que determinado jogador da categoria de base ia se tornar um grande ídolo no profissional e isso não aconteceu?
Nesse trabalho não existe erro e acerto definitivo. Existe convicção. Só assinamos com jogadores que temos plenas convicções. Acontece muito do cara, na base, ser considerado ‘a nova promessa’, mas ao estourar idade, sequer subir para o profissional do seu clube. Essa história acontece todos os dias. Imagine que a cada ano um clube “gradua” cerca de 20 atletas nos juniores. Quando muito, apenas 3 ou 4 serão aproveitados no time de cima. Os outros tem que buscar espaço em outro lugar. Só na Série A existem 20 clubes. Faça as contas e você verá quantos jogadores sobram no mercado de trabalho por ano. O mundo do futebol é cruel. Mas, para isso que serve o empresário. Criar oportunidades para os jogadores que não seguem o caminho natural. Existem jogadores para todos os tipos de clubes. Às vezes, o jogador que sobrou na base chega bem mais longe do que aquele que subiu direto. Basta não perder nunca a convicção. 
O que é mais gratificante e o que é ruim na sua profissão de agente de futebol?
Ver o jogador que você está ali acompanhando desde criança vencer na sua profissão, modificar a vida da sua família. e saber que você foi peça chave na sua trajetória. Isso é gratificante. Mas também existem casos de ingratidão, o futebol às vezes cria monstros. Acho que os problemas relacionados ao ego e a vaidade são os que mais me incomodam nessa profissão.
Gostou da entrevista e ficou interessado nessa profissão de agente de futebol? Encontrei um artigo bem legal que explica um pouco mais sobre ela. Você pode ler aqui!
Leia também sobre outras profissões:
Profissão Escritora
Profissão Juiz de Futebol – Com Marcelo de Lima Henrique
Profissão Jogador de Futebol – Com Felipe Melo
21 de Agosto de 2016

Nunca vou esquecer o ouro do futebol nas Olimpíadas 2016 – Eu estava lá!!

Até o início da tarde de ontem eu ia assistir a final do futebol em casa. Estava com Vinicius decidindo se a gente ia para um barzinho ou comprar coisas para petiscar em casa na hora do jogo. De repente, Vinicius recebe uma mensagem do nosso amigo, dizendo que o amigo dele não poderia ir ao jogo e que queria vender o ingresso por menos da metade do preço. E foi assim que me vi correndo para o Maracanã, para assistir do melhor lugar do mundo a final do futebol masculino nessas Olimpíadas. E uma coisa eu tenho certeza, nunca mais vou esquecer esse dia.

Confesso que desde 2010 eu “abandonei” o futebol. Digo abandonar, pois antes eu era completamente apaixonada por esse esporte. Não perdia um jogo, sabia tudo o que acontecia nos bastidores, frequentava os treinos para escrever no meu blog, implicava com meus amigos que torciam para outros times, entendia os esquemas táticos e sofria de verdade com gols perdidos, derrotas e me revoltava quando via que algum jogador fazia corpo mole. Mas aí, em 2010, resolvi deixar de lado aquela paixão. Passei a ver menos os jogos, deixei definitivamente de ir ao Maracanã, parei de escrever no Bela da Bola, não tinha mais implicâncias para fazer com meus amigos e não sofria mais com nada. Quase virei uma daquelas pessoas que costuma falar “não sei que graça tem assistir esses caras atrás de uma bola”. E hoje, sou uma pessoa que não sabe quem são os jogadores do seu próprio time e que não conhecia ninguém além de Neymar e Renato Augusto nessa Seleção.

Maraca

Mas aí as Olimpíadas chegaram. Vinicius quis comprar o ingresso da semifinal do futebol masculino no Maracanã e eu topei. Ainda não tinha voltado lá desde a reforma e quando cheguei, meu coração bateu diferente. Que saudades daquele lugar, daqueles corredores, daquele gramado, daquele esporte! Quando o hino começou, a emoção veio de um jeito difícil de segurar. Somente o esporte é capaz de juntar tanta gente ali, cantando junto, vibrando, torcendo. Estava lá do alto e não conseguia enxergar muito bem quem era quem, nem mesmo achar o Neymar eu conseguia. Mas não importava. Eu estava ali. E as músicas de provocação da torcida brasileira implicando com os argentinos que nem mesmo eram os adversários do Brasil naquele momento, me fizeram ter saudade de toda a rivalidade com os outros torcedores que não vestem rubro-negro.

O jogo acabou e lá eu fiquei. Sentada, vendo o estádio esvaziar, tendo quase uma conversa com o meu Maraca querido. Antes de levantar para ir embora, olhei o gramado vazio e pensei, eu vou voltar. Eu voltei!

E aí, como contei lá no início, estava triste, sem ingresso para a final até que o meu amigo apareceu com a grande notícia de que eu poderia voltar. Dessa vez, sentei pertinho do gol, conseguia enxergar quem era quem e a emoção foi ainda maior.

Fui uma das pessoas que criticou essa Seleção, que disse que os meninos não estão com nada, que são individualistas, que estão mais preocupados com a imagem do que com a bola no pé. Tudo bem, algumas dessas críticas podem até mesmo ser verdade, mas lá no campo estavam meninos, não heróis. E como todo menino eles erram, são quase perfeitos, são os piores do mundo e tudo isso em apenas 90 minutos. A cada jogada um sentimento. A cada passe uma crítica ou o melhor dos elogios.

Até ontem, eu nunca tinha visto Neymar jogar ao vivo. Já tinha visto pela TV, óbvio, mas dali, da arquibancada do Maracanã, vi um menino magrinho fazer mágica. Muita gente bate nele, critica a todo momento, mas como ele mesmo disse ontem “vocês vão ter que me engolir”, vão ter mesmo. Que me desculpem os críticos, mas Neymar tem  MUITA habilidade e um talento que é bonito de ver. Não é perfeito e não pode ganhar sempre. Mas nenhuma derrota pode desmerecer o que esse menino tem de bom. Talentos merecem palmas. Isso ele tem para dar e vender. Isso é indiscutível. Errar faz parte da vida.

Mas ontem ele “não errou”. Mesmo com passes tosquinhos e jogadas perdidas de um ou outro jogador – inclusive dele -, nós conquistamos a nossa primeira medalha de ouro no futebol. E eu estava lá. Para nunca esquecer. No mesmo Maracanã que eu vi PAN, Libertadores, Campeonato Brasileiro, Carioca, que presenciei a nossa tosca derrota para o América do México, que entrevistei Zico, Rivelino, Adílio, Edmundo, no mesmo Maraca que já fui sozinha, com amigos, com Vinicius, o estádio que tem tantas histórias e que me enche de lembranças, agora me deu mais uma. O primeiro ouro do Brasil no esporte que eu sempre amei.

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