08 de Março de 2016

E você é fã de quem?

Ontem estava conversando com as minhas amigas no nosso grupo do Whatsapp e elas questionaram – Mas quem é essa Boca Rosa? – quando eu mostrei totalmente empolgada a minha foto com ela. O mesmo já tinha acontecido com a foto da Taci Alcolea com o meu livro e com a foto do dia que conheci a Flávia Calina. Minhas amigas, apesar de serem mais novas que eu,  ainda são da geração antes do Youtube e não entendem muito bem o sucesso que essa galera faz na internet.

“Acho inacreditável alguém ser fã dessas garotas”.

Taci Alcolea meus livros

Se você tem mais de 30 ou regula essa idade, provavelmente está no grupo de quem não entende essas novas celebridades e acha tudo isso de uma futilidade e/ou até imbecilidade sem fim. “Como assim? Uma pessoa passa a gravar o dia a dia dela e de repente é famosa e ganha um milhão de fãs? E pior ainda, ainda ganha muito dinheiro com isso?”.

Normalmente a maioria das novidades caem nesse preconceito. Para quem nasceu, cresceu e conviveu com a televisão durante a vida inteira, entender que um “canal” na internet é “a mesma coisa” que um programa de TV, é quase impossível. Demora. Mas, pelo menos é assim que eu vejo, é exatamente isso que está acontecendo. O Youtube está se transformando em uma grande plataforma de programas – tanto que nos Estados Unidos já está funcionando com assinatura para quem quer assistir séries e filmes produzidos pelo próprio Youtube, como existe hoje com a Netflix e além de poder assistir a todos os outros canais sem ter que esperar aqueles cinco segundos iniciais de propaganda.

Flávia Calina

Já existem os estúdios – Youtube Space – e pelo que vi, o de São Paulo, Nova York e Los Angeles são gigantescos, com vários cenários e espaços para que os produtores de conteúdo possam fazer um trabalho ainda mais profissional. Assim como acontece na televisão, existem os bons, os ótimos e os péssimos canais. E também como acontece na TV existe público para cada um deles.

Ando pensando muito nessa nossa mania de achar que tudo o que não gostamos ou não entendemos não presta. Já fiz muito isso “como alguém pode ser fã do músico tal? Aqueles garotos coloridos são ridículos!”. Mas espera aí, na minha época teen eu chegava a chorar pelo Ricky Martin, como posso criticar os fãs desse ou daquele cantor de hoje?

“Ah, mas essas garotas não fazem nada para conquistar fãs”. E aí eu fiquei pensando no que faz alguém se tornar um fã. Acredito que seja uma espécie de admiração. E a gente pode admirar alguém por diversas razões. Pode ser pelo trabalho, jeito, beleza, inspiração, ideias que a pessoa expõe, algum talento especial… São tantos os motivos que podem nos transformar em fãs de alguém.

É claro que nem todos vão gostar das mesmas pessoas – ainda bem!! – e cada um vai ter seus próprios motivos para gostar desse ou daquele alguém. Já ouvi dizer que essa é uma geração burra, que idolatra alguém com uma câmera no quarto que não faz outra coisa além de futilidades. Será?! Passei a acompanhar muitas Youtubers e vejo mais do que roupas e maquiagens, vejo uma galera que batalha, que trabalha com o que gosta, que quer chegar em algum lugar e que fala sobre isso, sobre realizar sonhos.

Sinceramente, não vejo essa nova galerinha como uma geração burra. Vejo jovens com muito mais opção e informação do que eu poderia sonhar em ter quando tinha a idade deles. De três canais – Globo, Sbt e TV Brasil – que foram os que eu cresci assistindo, pois não tinha TV por assinatura em casa -, os jovens de hoje tem o mundo inteiro como opção. Seja Netflix, Youtube, canais fechados ou os abertos.

Youtube

Minha geração era fã da Xuxa, Angélica, Mara Maravilha, Sérgio Malandro. Será que éramos tão melhores assim? Será mesmo?

Acho que o Youtube ainda vai crescer mais e mais. Vamos ter diversas opções de entretenimento e informação e vamos poder escolher melhor o que gostamos ou não de assistir. Acredito que como sempre foi – no passado bem passado, no mais recente, no presente e no futuro -, seremos fãs daquela pessoa que falar a nossa língua, que tiver pensamentos parecidos com os nossos, que falem sobre um assunto que a gente ama.

Vamos deixar os preconceitos de lado e passar a ser mais abertos para o novo. Você não precisa ser fã de quem eu admiro e eu não preciso ser do seu ídolo. Mesmo assim você não vai ser nem melhor nem pior do que eu. O mundo é gigante, o jeito que cada um encara a vida é diferente do seu melhor amigo, cada pessoa vive um contexto, tem determinada experiência e gosta de quem ou daquilo que quiser.

E você é fã de quem?

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