29 de Janeiro de 2018

Como posso querer que a minha filha faça o que eu não faço?

Hoje eu acordei e fiquei pensando sobre as coisas que quero ensinar para a Julia conforme ela for crescendo. E uma coisa que muito me preocupa com relação a educação é aquela situação de uma criança que mexe em tudo na casa dos outros, que acha normal deixar brinquedos espalhados pelo chão, que não entende que não deve jogar lixo no chão e que cada coisa tem o seu lugar.

Isso muito me preocupou, pois para ensinar isso para a Julia, não adianta ensinar apenas quando for para a casa dos outros, mas ela precisa entender isso desde a nossa casa. São os exemplos, os espelhos, aquilo que ela observa no dia a dia que vão traçando a personalidade dela (pelo menos é o que eu acho).

E um dos meus maiores defeitos é ter duas mãos esquerdas (já que sou destra) e – confesso – muita preguiça para tarefas domésticas. Não sou organizada, vira e mexe o meu guarda roupa está um caos, a casa não fica sempre arrumada, não tenho o hábito de arrumar a cama quando acordo e por aí vai…

Como posso querer que a minha filha faça isso no futuro se eu mesma não faço?

Sei que essas coisas básicas serão responsáveis pela educação dela fora de casa também.

Provavelmente fui uma criança difícil quando pequena. Minha mãe conta que até na igreja eu saí correndo da mão dela e puxei a toalha do altar, lá pelos meus três anos. É engraçado quando ela conta hoje, mas provavelmente foi motivo de embaraço quando aconteceu.

Eu não quero que a Julia seja uma criança sem limite e respeito na casa dos outros nem na nossa casa e por isso acredito que a educação e a obrigação de fazer essas pequenas coisas seja o início para um bom comportamento fora de casa e bons hábitos no futuro (e que fique claro aqui que penso assim não só por ela ser menina. Pensaria o mesmo se tivesse tido um filho).

E foi com esses pensamentos e esse impulso que essa semana eu comecei uma mudança de comportamento. Temos uma pessoa que trabalha aqui em casa duas vezes na semana, limpando a casa, passando, fazendo comida e por aí vai. Também tive isso a vida inteira. E confesso que isso traz um comodismo bem grande para mim. É cômodo demais ter alguém para organizar tudo. Então, é mais difícil deixar a preguiça de lado e fazer as pequenas coisas diariamente.

Mas esse mês ela entrou de férias. Depois de 7 dias, chamamos uma faxineira para fazer uma limpeza geral. Antes do dia dela vir, achei melhor organizar a casa, para que ela não encontrasse tanta bagunça quando viesse limpar.

E conforme fui arrumando as coisas, fiquei pensando “por que não transformo isso em hábito?”. Dá tanto prazer olhar a casa arrumada, organizada. Por que deixamos a preguiça dominar e ficamos em um ambiente desorganizado só para não ter o mínimo de trabalho?

Tinha também chamado uma passadeira para passar as roupas acumuladas. Ela não veio no dia combinado e pediu para vir na semana que vem. Eu já tinha deixado tudo esquematizado no quarto da Julia para ela passar – tábua, cadeiras para as roupas que teriam que ser passadas e para colocar as passadas. Ou seja, não dá nem para andar lá dentro. Mas como eu nunca passei roupa, disse tudo bem para ela e ia deixar tudo como estava no quarto da Julia até a semana que vem.

Até que um click deu sinal na minha cabeça. Qual é a dificuldade de fazer isso? Por que não posso eu mesma cuidar das minhas roupas? E foi assim que coloquei uma palestra no YouTube, o fone no ouvido e comecei a passar.

Quero aproveitar que a Julia ainda é bem pequena para me educar e me melhorar como pessoa, para poder cobrar dela organização e educação conforme ela for crescendo.

Não dá para exigir algo dela que eu mesma não faço, não é mesmo? E para que ela não cresça acreditando que sempre vai ter alguém para fazer tudo para ela, eu preciso começar a fazer isso também por mim.

* Por uma incrível coincidência, a palestra que assisti no YouTube enquanto passava roupa, fala um pouco sobre essas coisas que queremos das crianças, mas que não somos bons exemplos na hora que ela nos observa.

 

 

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