08 de Fevereiro de 2017

Um presente me esperando na portaria

Estava na esteira da academia do meu prédio quando Vinicius mandou uma mensagem no meu celular “Quando acabar aí, passa na portaria, pois chegou um presente para você”. Presente? Oba!! Adoro quando chegam surpresas que não estou esperando. Fico igual criança.

Ainda bem que já estava nos minutos finais da minha caminhada, pois a minha ansiedade é sempre enorme e estava curiosa para descobrir o que era. Acho que caminhei mais rápido da academia até a portaria do que os quarenta minutos que fiz de esteira. Risos!

Cheguei lá e encontrei uma caixinha. Olhei o remetente – Luiza Morfim. Ela foi um presente que 2016 trouxe para mim. No lançamento de O Livro Delas, na Bienal de São Paulo, tive a sorte de conhecer novas leitoras – como a Lu e a Dri -, que viraram mais que leitoras dos meus livros, se transformaram em amigas que quero levar para toda a vida.

Depois da Bienal, a Luiza veio me contar o que tinha achado do meu conto. Foi a primeira opinião que recebi e todos os elogios que ela fez encheram o meu coração de alegria. Era o meu primeiro romance epistolar, não sabia o que as pessoas achariam dele, mas ela me deixou mais segura e feliz.

Passamos a conversar mais pela internet e a Luiza foi conhecendo meus outros trabalhos – Ah, o verão!, Louca Por Você e o meu blog -, foi me contando as coincidências incríveis entre a gente. Ela faz aniversário logo depois de mim e o namorado dela logo depois do meu marido. Dá para acreditar? Ela se identifica muito com as minhas histórias e isso é tão legal!

Abri a caixinha do presente lembrando de tudo isso e encontrei lá dentro uma canga linda da cidade que eu mais amei conhecer até hoje e que um dia quero voltar para morar – Florianópolis. Junto com aquele presente lindo, uma carta super fofa! Como não ficar emocionada com todo esse carinho?

Não tenho palavras para agradecer! É tão especial e tão incrível esse tipo de coisa. Pensei em Rubem Alves, quando ele diz:

“Se alguém, lendo o que escrevo, sente um movimento na alma, é porque somos iguais. A poesia revela a comunhão” .

 

Fico muito feliz por todos esses encontros, por tanto carinho que me deixa sem palavras, por saber que o que eu mais amo fazer na minha vida me faz conhecer pessoas tão especiais. Lu, obrigada por esse presente lindo.



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08 de Setembro de 2016

Um dia ainda moro em Florianópolis

Desde criança, na época em que ainda brincava de fazer e responder cadernos  de questionários, quando uma das perguntas era “Qual lugar você sonha em conhecer?”, enquanto todas as minhas amigas diziam Disney, eu respondia Florianópolis. Até a minha adolescência já tinha viajado bastante com os meus pais pelo Brasil, pelas serras, pelo nordeste, por São Paulo, por cidades e mais cidades do Rio e também por Minas Gerais. Mas por algum motivo desconhecido, nunca Floripa.

Fui crescendo e viajando para outros lugares. Cheguei perto – nem tanto assim, mas o mais perto que já tinha estado de lá. Estive em Porto Alegre, Serras Gaúchas, depois Buenos Aires, Colônia de Sacramento, Montevidéu e até Punta Del Este. Mas Floripa? Nada.

Ainda adolescente, em uma das minhas férias de verão, fiz um amigo da ilha e ele aumentou ainda mais a minha vontade de conhecer aquele lugar. Meu amigo, que infelizmente o tempo fez com que perdêssemos o contato, era amigo da época em que a internet ainda não tinha toda essa força e as nossas conversas depois que o verão foi embora, eram por cartas. Ele estudava história, mas tenho toda certeza do mundo que tinha mais jeito para escritor. Em suas cartas, que guardo com carinho até hoje, ele sempre me contava sobre pedacinhos de Florianópolis com poesia e graça.

Carta Florianópolis

“A nova casa fica em Jurerê Internacional, é muito bacana. É no Norte da Ilha, perto de um dos fortes construídos por Silva Paes para proteger os insulares contra os ataques das naves espanholas.
Vem para cá quando quiser. Floripa é uma ilha maravilhosa e tem caminhadas belíssimas”

Já em outra carta…

“Aqui no Sul as estações são bem definidas e cada uma se revela nos detalhes da luz, do cheiro e muito também na maneira das pessoas”.

E existe mais, muito mais em cada uma das cartas escritas por ele. Cada uma delas transformava aquele lugar que eu já sonhava em conhecer em um lugar que parecia cenário dos livros que eu amava ler. Me corresponder com aquele meu amigo era meio que uma história de livro também. Ele parecia ser alguém que tinha saído do passado. O jeito de pensar, os gostos musicais, a letra e o que dizia em cada carta… Era como se eu, de repente, me transformasse em personagem de uma história no estilo Meia Noite em Paris – PARA TUDO!!! Que coisa BIZARRA!! Enquanto escrevo isso, o Spotify começou a tocar a música Bistro Fada , que é exatamente aquela que toca quando o protagonista encontra todos aqueles artistas do passado. Gente, tô chocada!!!! Risos… – e tivesse a oportunidade de conversar com alguém que veio do passado.

Apesar de toda aquela vontade de conhecer Florianópolis, os anos foram passando e as viagens seguiam por outros destinos. Já em 2014, Vinicius queria ir mais uma vez para o exterior e eu, com um medo danado de avião, sugeri uma road trip do Rio até Florianópolis (depois conto sobre essa viagem MARAVILHOSA para vocês! Fizemos diversas cidades pelo caminho). Primeiro, ele não concordou muito, mas depois acabou topando.

Quando reservei os hotéis na ilha – Um na Lagoa da Conceição, outro em Jurerê Internacional – senti um frio na barriga inexplicável. Finalmente teria a oportunidade de conhecer aquele lugar que eu sempre quis ir. Começamos por São Paulo, depois paramos mais dois dias em Curitiba e finalmente seguimos para os seis dias que passaríamos em Florianópolis.

Já na descida da Serra, meu coração acelerou e eu falei para Vinicius “Nossa, Vi! Eu sempre quis conhecer esse lugar!! Acho que vou querer ficar aqui para sempre.”

“Mas você ainda nem chegou lá e já acha que vai amar tanto assim?”

“Tenho certeza”

florianopolis-1

Lembro todo o caminho como se tivesse ido ontem mesmo para lá. Todas aquelas retas, com motoristas educados, as cidades iam passando e eu ia apreciando cada pedacinho de Santa Catarina. Quando passamos pela ponte de Florianópolis e seguimos para o hotel, me senti igual criança quando ganha muito aquilo que quer.

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Quando chegamos ao nosso destino, me apaixonei completamente. Lá em Florianópolis o tempo parece passar mais devagar. Não é a loucura que é aqui no Rio, me senti muito mais segura, muito mais tranquila e totalmente feliz. A cada nova praia que a gente conhecia, eu me encantava mais e mais. Histórias brotavam na minha cabeça, como se aquele lugar fosse uma fonte inesgotável de inspiração.

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Na praia do Pântano do Sul eu escrevi um conto. Sentada na areia da praia vazia, senti vontade de ficar o dia inteiro ali, sentindo aquele vento no rosto. Pensei na minha autora favorita, a Rosamunde Pilcher, com quase todos os seus romances acontecendo em Cornwall e me imaginei com uma casinha por ali, olhando paisagens que também me inspirariam para sempre.

Passamos por outros bairros e a cada nova paisagem eu falava para Vinicius “Quero morar aqui!”. Ele ria.

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No dia que arrumamos as malas para ir embora eu chorei. Chorei de verdade. Quanto mais o carro se distanciava – e nem tanto assim, pois nosso outro destino já era Balneário Camboriú -, mais aperto no coração eu sentia. Não queria ir. Sei que Floripa é logo ali e que dá para voltar mais e mais vezes, mas sabe quando você encontra um lugar que gostaria mesmo de chamar de seu? Foi exatamente dessa maneira que me senti em Florianópolis.

Não fomos no verão, quando acredito que a ilha está fervilhando de gente. Fomos no meio do outono e pude sentir como é a vida de quem realmente mora lá. Aquele friozinho gostoso, aquele vento na praia, mesmo com o sol… Nossa! Um dia ainda moro em Florianópolis.

*Obrigada Luiza Morfim, por ter sugerido que eu falasse um pouco sobre a sua cidade!! =) Encheu meu coração de saudade! Que sorte a sua morar nesse lugar tão inspirador.

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