29 de Dezembro de 2016

O meu mico com Edmundo no Jogo das Estrelas

Ontem, enquanto eu escrevia, Vinicius ligou a televisão para assistir o Jogo das Estrelas do Zico. Durante uns minutinhos eu fiquei olhando para a TV, sem prestar muita atenção, mas lembrando da época que eu amava futebol e que tive a oportunidade de cobrir esse jogo tão legal, que sempre reúne muitas estrelas. Foi no jogo do Zico, em 2008, que eu pisei pela primeira vez no gramado do Maracanã. Também foi naquele ano que eu paguei um mico típico, daqueles que tinham que acontecer comigo. Um mico com Edmundo.

Naquela época, eu praticamente respirava futebol. Tanto que criei um blog para falar sobre aquele assunto, o Bela da Bola. Para quem ama esse esporte, pisar no gramado do Maracanã já é um sonho. Dar de cara com Zico, é ainda mais incrível. Meu coração já estava acelerado e eu que sou ansiosa pra caramba, ainda estava meio abobalhada, sem saber o que perguntar e quem entrevistar. Eu piscava e via alguém importante. Era Renato Gaúcho, Adriano, Carlos Germano, Zico, Adílio, Andrade e por aí vai.

Um amigo meu, que naquela época também tinha um blog de futebol – volta com ele, Garça!!! Você sempre arrasou nas crônicas esportivas -, foi comigo. Ele estava com uma filmadora e eu com a minha máquina fotográfica e um gravador de mão. Caminhávamos pelo campo enquanto meu coração batia acelerado por estar vivendo aquele sonho. As arquibancadas estavam cheias de torcedores do Flamengo e o campo estava cheio de craques do presente e do passado. Enquanto eu viajava nas minhas emoções, o meu amigo resolveu me jogar – literalmente – em cima do Edmundo.

– Pode dar uma palavrinha para a gente? – perguntou.

Quando Edmundo concordou, ele pegou a máquina da minha mão e disse “entrevista ele aí primeiro, Fernanda”.

Nunca fui boa no quesito “pense rápido”. Edmundo estava parado na minha frente, com as mãos na cintura e eu com uma cara de “o que é que eu faço agora”, liguei o gravador.

“O que perguntar, o que perguntar?” – pensava o tempo todo.

Olhei bem na cara dele, lembrei que tinha ficado curiosa com uma situação: Naquela época, ele estava meio que brigado com Romário por algum motivo. Os dois tinham trocado farpas pela imprensa e estava um bafafá danado sobre isso. E mesmo assim, no dia anterior, Edmundo tinha ido ao jogo beneficente do Romário. Eis que surge a seguinte cena:

Eu levanto o gravador e não só eu, mas também o Edmundo percebe que as minhas mãos estavam tremendo de uma maneira incontrolável. Ele sorriu e eu, constrangida com a minha tremedeira, com o coração na boca e ainda sem saber muito bem o que perguntar, solto a pérola:

– Edmundo, como foi ontem lá, o jogo lá e hoje aqui, o jogo aqui?

Exatamente essa pergunta. Meu amigo riu, Edmundo também.

Apesar de muitos jornalistas detestarem ele naquela época, ele não me deu fora e nem foi grosso comigo. Pelo contrário, ele percebeu o tanto que eu estava nervosa, sorriu e respondeu:

“Não precisa ficar nervosa, entendi o que você quer saber”. E respondeu a pergunta que eu fiz, mas a resposta eu já não lembro mais qual foi.

Ainda bem que a minha primeira experiência “em campo” apesar de ter começado desastrosa, contou com a simpatia de um jogador que eu até tinha certo receio de entrevistar – e imaginando fazer uma pergunta decente -, mas que acabou se mostrando cheio de paciência com uma jornalista atrapalhada, que estava começando e vivendo seu primeiro dia de emoção no gramado do Maraca.

Valeu, Edmundo!!

 



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24 de Agosto de 2016

Profissão: Agente de Futebol

No início do blog, há um ano, resolvi começar uma série sobre profissões. Acho legal ouvir profissionais bem sucedidos em suas carreiras para inspirar pessoas que estão começando a pensar no mercado de trabalho e também todos aqueles que pensam em mudar de profissão. Lembrei que em 2010, quando ainda tinha o Bela da Bola, entrevistei o Alexandre Uram, filho do Eduardo Uram, dono da Brazil Soccer. Os dois são agentes de vários jogadores de futebol. Reli a entrevista e achei que seria legal colocar aqui também, pois sei que muitas pessoas sonham com essa profissão: Agente de Futebol. Também sei que muitas outras nunca nem ouviram falar dela. Então, espero que curtam essa entrevista.
agente de futebol
 Para começar, gostaria que você falasse um pouco sobre o trabalho da Brazil Soccer.
A Brazil Soccer é uma empresa exclusivamente ‘da bola’. No mercado do futebol. atuamos basicamente em quatro frentes: investimentos, gerenciamento de carreiras, consultoria de mercado aos clubes, e marketing esportivo. Mas, o nosso compromisso primário é com o jogador. Temos envolvimento direta/indiretamente com cerca de 180 atletas (dados de 2010). Trabalhamos sempre defendendo o interesse do atleta, e nossa meta é que o ele fique com a gente até o fim de sua carreira, para que quando chegar esse dia, ele possa olhar para trás e ter o reconhecimento de que ele obteve o melhor retorno esportivo (títulos e glórias) x retorno financeiro (bons contratos). No exterior, procuramos atuar nos principais mercados onde o futebol é praticado, buscando representantes locais, que trabalham de forma parecida com a nossa. Cada um desses parceiros promove exclusivamente, ou não, nossos jogadores em seus respectivos mercados. E depois da transferência, se encarregam de ajudar os atletas a se adaptar no novo país. Temos ótimo relacionamento com quase todos os clubes do Brasil. Os clubes gostam de fazer negócio com quem tem credibilidade no mercado, e isso não se constrói de uma hora para outra.
Por que você decidiu seguir os passos do seu pai e trabalhar nessa área do futebol?
Assim como quase todo brasileiro, sou louco por futebol. Até pratico outros esportes, mas só consigo assistir futebol. E na minha família todos são assim. Quando o meu pai começou no futebol, eu era criança, e acompanhei todo o crescimento dele como empresário. Quando eu fui ver, quase sem querer, eu estava envolvido na atividade e participando de tudo. Ele sempre me levou para as reuniões e viagens de negócio para eu ir ganhando experiência. Não sei se ele queria me preparar para trabalhar com futebol, mas acabou acontecendo naturalmente. Ele é um cara muito respeitado no mercado. Poucas pessoas enxergam o futebol, no macro, e no micro, como ele enxerga. Diferente da maioria de seus colegas de profissão, ele nunca foi boleiro. Ele é engenheiro civil, fala quatro ou cinco idiomas fluente, é capacitado para discutir sobre tática com qualquer técnico, e entende muito do mercado. Seguir os passos dele é unir o útil ao agradável. Poucas pessoas podem dizer que trabalham com o que realmente gostam.
Como é que você faz para identificar um talento no futebol?
Essa pergunta é engraçada pois não acredito que exista fórmula mágica para se descobrir um talento. Afinal, no Brasil eles estão em todo lugar. É basicamente comparação. Esse é melhor que aquele. E você apura a percepção assistindo muitos e muitos jogos. Procuramos também escolher jogadores que possam desempenhar funções táticas de acordo com o que é praticado no futebol europeu. Existem algumas características que a gente observa como, habilidade (nos fundamentos), visão (leitura tática), força (complexão física), mentalidade (comportamento dentro de campo, capacidade de absorver treinamento), isso você pode observar assistindo jogos. Hoje, os olheiros profissionais observam detalhes nos jogadores que você não consegue nem imaginar. Recebemos também muitos olheiros estrangeiros, e com eles aprendemos a olhar coisas que antes não reparávamos.  Outra virtude fundamental é o caráter (seriedade, profissionalismo) do jogador. Já se foi o tempo em que o talento por si só reinava no futebol. Hoje o cara tem que trabalhar muito para chegar lá. Estive recentemente no training ground de um clubão inglês, e no refeitório havia uma frase motivacional na parede que dizia assim:  “Hard work beats talent, when talent doesn’t work hard” – “Trabalho duro derrota o talento, quando o talento não trabalha duro” (Essa é para anotar e deixar guardada, hein galera?!) .
Já errou alguma vez, achando que determinado jogador da categoria de base ia se tornar um grande ídolo no profissional e isso não aconteceu?
Nesse trabalho não existe erro e acerto definitivo. Existe convicção. Só assinamos com jogadores que temos plenas convicções. Acontece muito do cara, na base, ser considerado ‘a nova promessa’, mas ao estourar idade, sequer subir para o profissional do seu clube. Essa história acontece todos os dias. Imagine que a cada ano um clube “gradua” cerca de 20 atletas nos juniores. Quando muito, apenas 3 ou 4 serão aproveitados no time de cima. Os outros tem que buscar espaço em outro lugar. Só na Série A existem 20 clubes. Faça as contas e você verá quantos jogadores sobram no mercado de trabalho por ano. O mundo do futebol é cruel. Mas, para isso que serve o empresário. Criar oportunidades para os jogadores que não seguem o caminho natural. Existem jogadores para todos os tipos de clubes. Às vezes, o jogador que sobrou na base chega bem mais longe do que aquele que subiu direto. Basta não perder nunca a convicção. 
O que é mais gratificante e o que é ruim na sua profissão de agente de futebol?
Ver o jogador que você está ali acompanhando desde criança vencer na sua profissão, modificar a vida da sua família. e saber que você foi peça chave na sua trajetória. Isso é gratificante. Mas também existem casos de ingratidão, o futebol às vezes cria monstros. Acho que os problemas relacionados ao ego e a vaidade são os que mais me incomodam nessa profissão.
Gostou da entrevista e ficou interessado nessa profissão de agente de futebol? Encontrei um artigo bem legal que explica um pouco mais sobre ela. Você pode ler aqui!
Leia também sobre outras profissões:
Profissão Escritora
Profissão Juiz de Futebol – Com Marcelo de Lima Henrique
Profissão Jogador de Futebol – Com Felipe Melo