15 de Dezembro de 2016

O cachorrinho que mora do lado de lá

Com o cair da noite, a porta da varanda começa a refletir o que está dentro de casa. Mas cachorro sabe lá o que é reflexo?  Todo dia, quando a porta está um pouco fechada e a luz acesa, Valentina corre para olhar intrigada para aquele cachorrinho que sempre vem fazer uma visita, mas nunca se aproxima.

Se está deitada, levanta correndo com a chegada daquele amigo que sempre vem no mesmo horário, mas nunca dá um oi. “Quem é você que deita do outro lado desse vidro e me encara quando eu chego mais perto?” ela parece pensar.

Em alguns dias ela só fica encarando o cachorrinho “do outro lado”.
Outros dias, quando ela está no agito da brincadeira, fica angustiada, querendo que “ele” se aproxime. Chama, mas o cachorrinho nunca responde.

Desce do sofá, sobe no sofá e lá está o cachorrinho fazendo o mesmo. Mas por que ele não chega mais perto? Porque ele não vem brincar também?

Se eu abro a porta da varanda, ela sai correndo para achar aquele amigo. “Mas que droga, como ele pode ser tão rápido assim? Já não tem mais nenhum sinal dele” volta ela triste para a sala.

Mesmo com a porta aberta, ela não esquece mais aquele amigo que nunca se aproxima e vez ou outra ela volta para a varanda na esperança de surpreendê-lo por lá.

😍

Tão pura, tão doce, tão inocente e cheia de amor. Meu coração chega a partir com as carinhas viradas sempre que ela vê o amigo que nunca chega perto. Aquele cachorrinho que só aparece quando chega a noite. O amigo do vidro que quando a porta se abre ou a luz se apaga, já não está mais ali.




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13 de Dezembro de 2016

Pérolas da minha mãe

Há duas semanas minha mãe mandou uma mensagem no Whatsapp.

Ela: Nanda, aluga a churrasqueira do seu prédio para mim? Quero fazer um churrasco no meu aniversário.

Eu: tá.

No dia seguinte…

Ela: alugou?

Eu: esqueci. Vou fazer isso agora.

Interfono para a portaria, o zelador já tinha ido embora.

Há uma semana:

Ela: Nanda, viu a churrasqueira para mim?

Eu: ai, caramba! Esqueci! Vou ver agora.

Interfone e o zelador estava almoçando. Esqueci depois de novo.

Há alguns dias…

Ela: reservou a churrasqueira?

Eu: vou fazer isso hoje sem falta.

Ela: pô, Nanda! Tudo o que você me pede eu faço na hora. Daqui a pouco não vai ter mais vaga na churrasqueira (olha o drama, o niver dela é em março!). Sacanagem…

Eu: vou ver daqui a pouco!

Esqueci.

Ontem de manhã…

Eu: bom diaaaa, mãe!

Ela: bom dia! Já reservou a churrasqueira?

Eu: vou fazer isso agora.

Interfonei, o zelador não estava atendendo no play. Troquei de roupa, fui até a portaria… Eu e o porteiro ficamos tentando falar com ele até descobrir aonde ele estava. Descobrimos. Marquei a data, dei meu apartamento, fiz todo o processo de reserva.

Eu: prontooooo, mãe! Sua churrasqueira está reservada.

Ela: obrigada, filha!

Algumas horas depois…

Ela: Nanda, pode desmarcar a churrasqueira.

Eu: você está brincando, né?

Ela: eu desisti de fazer churrasco. Prefiro sair para almoçar com você, Vi e seu pai.

Eu: por que não pensou nisso nas duas semanas que ficou pedindo a churrasqueira?

Ela: pensei que ia querer, mas mudei de ideia.

Alguma dúvida de que lugar eu tiro a inspiração para escrever sobre as mães louquinhas das minhas personagens?

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