27 de Janeiro de 2017

Trauma da Barbie – Pérolas da minha mãe

Uma  vez eu comentei em algum lugar – não lembro mais qual – que sempre morri de vontade de brincar de Barbie, mas que a minha mãe achava besteira e nunca tinha me dado uma. Amava quando uma amiga do meu prédio me chamava para brincar na casa dela, pois ela tinha várias bonecas, roupinhas, a casa e o carro da Barbie. Ficava o dia inteiro por lá. Era o dia inteiro de histórias inventadas e um mundo que a gente criava para aquelas bonecas.

Minha mãe falou que nem lembrava o motivo de nunca ter comprado uma, mas que não imaginava que eu  lembraria daquilo para sempre. Já rimos algumas vezes disso.

Ontem, estava no meio de uma revisão de texto quando vi que ela tinha mandado uma mensagem.

Fiquei rindo sozinha, olhando para o celular, imaginando o que passou pela cabeça dela quando levou a Barbie para casa antes de dar para alguém que realmente pudesse brincar com ela. E pior, o que ela estava pensando quando me escreveu do nada, perguntando se eu ia querer.

Será que ela realmente imaginou que depois de todos esses anos eu adoraria ganhar uma Barbie, a casa, o namorado e as amigas da boneca? Só minha mãe mesmo…



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24 de Dezembro de 2016

Eu acredito em Papai Noel

Como o próprio título já diz: Sim, eu acredito em Papai Noel. Desde novinha, sempre fui apaixonada pela magia do Natal. Não é exatamente pelo bom velhinho que traz presentes materiais, mas por essa atmosfera que parece realmente de fantasia e que faz com que boas coisas aconteçam nessa época do ano.

Quando eu tinha uns seis, sete anos, resolvi fazer uma campanha de doação de brinquedos no prédio que eu morava. Meus avós tinham casa em Maricá e pertinho deles, várias crianças – que eram minhas amigas – não tinham grana para presentes de Natal e eu queria que elas pudessem amar o Natal tanto quanto eu.

Lembro que ajudava minha mãe a limpar e pentear as bonecas que a gente recebia e depois lembro de embalar cada um dos brinquedos em papel de presente. Também nunca esqueci a alegria que senti ao poder distribuir os presentes para todas aquelas crianças da minha idade ou um pouco maiores do que eu. Como era novinha, não lembro de tudo com muitos detalhes, mas lembro de duas amigas – Carla e Camila -, que nunca mais vi, mas que ficaram MUITO felizes ao receberem duas bonecas de presente e como brincamos com elas nos dias que vieram depois do Natal.

Não sei se foi isso ou se é uma característica que sempre existiu em mim, mas fazer o bem sempre me fez bem. Ver o sorriso do outro sempre foi mais importante para mim do que qualquer coisa que eu pudesse ganhar. Por isso, como posso não acreditar em Papai Noel? Acho que o bom velhinho, quando chega o Natal, espalha um pozinho invisível pelo ar que faz com que algumas pessoas comuns se transformem em ajudantes para levar alegria em forma de presente, amor, carinho, cuidado, solidariedade para pessoas em todos os lugares do mundo.

Seja o Papai Noel que resolve adotar uma cartinha do correio, ou o que convida amigos que vivem sozinhos para uma noite especial com sua família, ou aqueles que ajudam alguma instituição, visitam abrigos ou que fazem o bem para alguém de alguma maneira.

Eu sempre gostei muito de conhecer outras culturas, de fazer amigos de todos os lugares do mundo. Lembro que um dia eu conheci um menino que era da Estônia e a gente conversava sobre os mais diversos temas. Um dia, perto de um dezembro qualquer, estávamos falando sobre a cultura do Natal. Eu falei para ele que ele morava tão pertinho “do papai Noel de verdade”, se ele já tinha ido na casa dele na Finlândia. Ele disse que não, mas que já tinha acontecido um fato bem curioso com um amigo dele e com o tal Papai Noel. Óbvio que no mesmo instante me interessei pela história. Ele contou que o amigo dele, depois de grande mesmo, resolveu escrever uma carta para o Papai Noel da Finlândia. Na carta ele contou que desde criança sempre sonhou com uma coleção de Lego – que já não lembro mais qual era -, mas que a família dele nunca teve grana e por isso ele cresceu sem poder realizar aquele sonho de criança. Todo ano ele esperava pelo bom velhinho que não vinha. Sabem o que aconteceu? Naquele ano ele recebeu a caixa de Lego que ele sempre quis, com uma cartinha escrita pelo Papai Noel.

Como não ficar encantada com essa magia?

Nesse ano eu também li o livro Cartas Extraordinárias e uma das cartas do livro é do editor de um jornal respondendo a carta de uma menininha que escreveu dizendo que achava que Papai Noel não existia. “Ah, como seria triste o mundo se não houvesse Papai Noel. Não haveria, então, a fé infantil, a poesia e o espírito de aventura que torna a existência tolerável. Não teríamos prazer além dos sentidos. A luz eterna com a qual a infância inunda o mundo estaria extinta. Não acreditar em Papai Noel! Seria o mesmo que não acreditar em fadas.” – ele respondeu.

Entenderam o que eu quero dizer? Não importa se o Papai Noel nem sempre é o velhinho barrigudo, de barba branca e roupa vermelha, o importante é a gente sempre carregar no coração a magia que o pozinho invisível traz para a gente. Algumas pessoas conseguem guardar essa magia durante o ano inteiro, mas se todos pudessem ser Papai Noel pelo menos uma vez na vida em um Natal, a magia nunca vai terminar e a solidariedade sempre vai existir.

E não, não acredito apenas nos ajudantes do Papai Noel, eu realmente acredito no Papai Noel. Sabe por quê? Além de todas as coisas que aconteceram em todos os anos da minha vida, vou contar mais duas que são muito especiais. Em 2006, eu e Vinicius não estávamos juntos. Ele estava em um intercâmbio nos Estados Unidos com a menina que ele namorava e eu também tinha outra pessoa. No Natal, viajei para Gramado. Lá, tudo é tão lindo, que parece que estamos vivendo um sonho. Tinha um espaço lá que se chamava Aldeia do Papai Noel (que dizem não estar tão legal como era quando eu fui). Mas lembro como se fosse ontem de cada detalhe do lugar. Era tudo tão lindo que fazia a gente voltar a ser criança de novo. E depois de um passeio por todo aquele espaço encantado, caímos em uma sala com um Papai Noel lindo. Minha mãe me olhou sem acreditar “Fernanda, com 23 anos na cara, você vai mesmo tirar foto com o Papai Noel?” Claro que sim. E não foi apenas foto, abraçada com aquele que poderia ser o de verdade ou um ajudante – risos – eu fiz o meu pedido, do fundo do meu coração. Queria que tudo desse certo. E ele respondeu “vai dar”.

É claro que ele responderia aquilo para qualquer um, mas não importa. Naquele momento ele foi o meu Papai Noel mágico, como aqueles dos filmes que eu tanto amo. Eu andava com a cabeça e o coração partidos. Tinha reencontrado Vinicius, mas estávamos namorando outras pessoas e apesar de ter sentido meu coração acelerar quando eu o vi naquele ano, não sabia se a gente voltaria a se encontrar e muito menos se voltaríamos a ficar juntos um dia. Também não queria magoar ninguém. Era uma situação muito difícil. Mas aquele “vai dar” dito por uma pessoa vestida de Papai Noel realmente me fez acreditar que daria. E deu.

E se tudo isso não bastasse, ano passado, depois de pedir durante quase três anos para que Vinicius deixasse eu ter um cachorrinho, resolvi colocar o meu pedido nas mãos do Papai Noel que tenho na minha árvore de Natal. E agora, vem mais uma vez a mágica que eu tanto falo…

No início de janeiro Vinicius teria que embarcar durante uma semana e eu odeio ficar sozinha. Falei: poxa, Vi! Mais do que nunca, esse é o momento de ter o nosso cachorrinho. Naquele mesmo dia eu falei com uma amiga que tinha comprado um buldogue em dezembro. Pedi para ela ver se ainda tinha algum no canil que ela comprou. Ela disse que tinha apenas uma e era fêmea. Na hora, fiquei um pouco em dúvida, pois sempre quis macho. Sempre pensei em nomes masculinos para cachorro, nunca tinha pensado em uma fêmea. Vinicius continuava falando que ainda não era o momento de ter um cachorrinho. Estávamos indo para um samba em Santa Teresa e estávamos nas barcas com um casal de amigos. Contei que ia pegar uma cachorrinha na semana seguinte e do nada eu falei: como é um buldogue francês e a logo da minha editora é um cachorrinho com as orelhas iguais as do buldogue, vou chamar de Valentina, que é o mesmo nome da minha editora. Vinicius apenas riu e disse mais uma vez que ainda não teríamos um cachorro.

Chegando no samba, mandei mensagem para a dona do canil perguntando como tinha que fazer para registrar o nome no pedigree e ela disse que não dava mais para fazer aquilo, pois a cachorrinha já estava com três meses e eles registram todos logo no mês do nascimento, mas que eu não precisava me preocupar, pois ninguém costuma chamar o cachorro com o nome que vem no pedigree. Mesmo assim, quis saber o nome da minha cachorrinha e ela pediu um instante para pegar o registro. Quando a foto apareceu no meu whatsapp eu não pude acreditar: Valentina.

Não teve jeito. Vinicius não conseguiu mais deixar para depois e quando ela chegou, soubemos na mesma hora que ela tinha que ser realmente nossa, pois ela se encaixou perfeitamente na nossa família e foi amor dos maiores do mundo desde que chegou aqui. Como explicar tudo isso sem acreditar em Papai Noel? 😉

Sempre amei e sempre vou amar tudo isso. Nunca vou perder esse sentimento tão mágico que guardo dentro de mim, essa alegria que sinto quando dezembro se aproxima, esse encantamento pela magia do Natal.

“Você poderia fazer seu pai contratar homens para viajar todas as chaminés e pegar Papai Noel no Natal. Mas mesmo se eles não virem Papai Noel descendo, o que isso provaria? Ninguém vê Papai Noel, mas isso não quer dizer que Papai Noel não exista.”

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