26 de Janeiro de 2018

Minha mãe fazia… – Receitas, crônicas e amor

Janeiro ainda nem acabou e eu já consegui ler dois livros! A maternidade é mesmo maravilhosa… 😍

Conheci o “Minha mãe fazia” através da minha nutricionista, que é uma fofa e muito querida, a @andreianutrimeireles! Ela não é aquela nutricionista que te proíbe de comer coisas. Pelo contrário, ela te ensina a comer bem, a ter equilíbrio com as coisas e a não ter medo de comer um bolo ou uma pizza quando a vontade bater.

Quando eu vi a capa desse livro no instagram dela, não resisti e comprei para ler também. O livro é recheado de crônicas gostosas, histórias de cozinha e da relação de amor e comida.

Cada crônica é acompanhada de uma receita que dá água na boca. Passa bem longe de ser um livro de receitas saudáveis. Na verdade, o livro traz aquelas comidas que fazem bem ao coração e a alma. Comidinhas que lembram casa de vó e que aquecem o coração.

É claro que ao longo da leitura fui mandando para o meu marido várias das receitas para fazer nos finais de semana. Por enquanto, ele fez a carne de panela e ficou realmente deliciosaaaaaa!

Apesar de não ter sido feito em casa, depois de ler a receita de vários bolos e depois de tantas crônicas que diziam o quanto é gostoso comer um bolo, principalmente quando estamos estressados e cansados… eu não resisti e levei para casa um bolo de chocolate daqueles que tem gosto de infância.

Realmente mudou o meu dia.

É claro que não dá para comer isso todos os dias, mas com equilíbrio, é possível deixar a comida abraçar nossa alma quando estamos precisando disso.

Para quem gosta de crônicas e comidas gostosas, esse livro é uma delícia!

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28 de Setembro de 2017

Cosme, Damião e a Goiabada da Flamenguista

Fui daquelas crianças que eram crianças de verdade. Adorava brincar, imaginar e inventar histórias. Quando saía da escola, acho que minha mãe tinha vontade de me pegar com as pontas dos dedos para jogar dentro da máquina de lavar. Assim, inteira, de tão suja que eu ficava. Mas como era bom ser criança daquele jeito! Tão bom que eu guardo todos aqueles momentos na lembrança, mesmo que tenham acontecido há tanto tempo.

Na minha escola tinha um tanque de areia que eu chamava meus amigos para brincar de tudo naquele lugar. Um dia, lá era o mar e a gente precisava nadar para fugir dos piratas. Outro dia, a areia virava um pântano e a gente tinha que viver grandes aventuras para conseguir sair de lá com vida. A terra também se transformava em neve, cartinhas do programa da Xuxa e por aí vai.

No final do dia, o resultado de tanta imaginação era uma Fernanda imunda, com joelhos ralados e pele encardida.  Todo dia era assim e no dia de Cosme e Damião não foi diferente.

– Mãe, posso pegar doce no prédio? – pedi enquanto voltávamos para casa.

– Fernanda, você não vai passar na casa dos outros estando imunda desse jeito. Depois do banho eu deixo.

– Ah, não! Eu quero um docinho, mãe!! Enquanto a gente sobe, vamos parando em alguns andares para que eu possa pedir.

– Você vai sozinha, então! Não vou aparecer do seu lado na casa de ninguém.

De tanto insistir, minha mãe deixou que eu tentasse pelo menos um apartamento. Apertei o terceiro andar e fui tocar a campainha da casa da flamenguista do meu prédio. Ela era uma senhorinha simpática, torcedora fanática do time rubro-negro do Rio.

Quando ela abriu a porta, ofereci o meu melhor sorriso.

– Tem doce? – perguntei.

Ela me olhou de cima a baixo, não percebeu que eu também morava lá no prédio e que estava apenas pedindo saquinhos de Cosme e Damião, mas acho que ficou com pena de mim e pediu que eu esperasse um instante.

Olhei para o corredor e fiz uma cara de “ahá, consegui!” para a minha mãe. No minuto seguinte a flamenguista voltou com uma peça inteira de goiabada cascão e me entregou.

Fiquei parada olhando para aquele doce que eu nem mesmo sabia o que era. Ela sorriu e fechou a porta. Com a cara amarela entrei no elevador com aquele pedaço enorme de goiabada e a minha mãe caiu na gargalhada.

Depois disso, voltava da escola e ia direto para o banho e nunca mais fui até a casa dos vizinhos pedir docinhos de Cosme e Damião.

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