30 de Janeiro de 2018

Mãe perfeita? Não! – Diário da Maternidade

Uma coisa que eu aprendi nesses dois meses de maternidade é que não existe mãe perfeita. Não importa quais sejam as suas escolhas, você sempre será julgada. E muitas vezes o julgamento nem vem de fora, mas eles são feitos por você mesma. É claro que os palpites também acontecem de todos os lados, mas se você não se sente segura com o que escolheu, você mesma passará a apontar o dedo na sua direção.

Quando eu escolhi o parto normal, não foi por nenhuma filosofia e nem por me achar melhor do que ninguém. Conseguir ter a Julia sem anestesia, de maneira natural, foi a realização de um desejo. Era o que eu queria para mim. Queria viver esse momento, não queria passar por mais uma cirurgia, queria descobrir a tal força da natureza e da mulher, já que sempre me considerei medrosa. Queria viver essa transformação.

Mas ter escolhido o parto normal, parece que trouxe junto uma quantidade enorme de outras “obrigações”. Enquanto estava grávida e comecei a ler sobre as escolhas da maternidade, li os diversos benefícios sobre inúmeras coisas. Começava pelo parto normal e seguia na amamentação  livre demanda, no não uso da chupeta, em não deixar a criança assistir TV e comer doce até os dois anos, no uso do sling, na criação com apego, na cama compartilhada, na amamentação exclusiva e por aí vai…

Confesso que o que eu mais queria era ser a minha melhor versão. A mãe mais perfeita que eu pudesse ser e “surtei” um pouquinho com as regras que estipulei para mim. No primeiro mês da Julia em casa, sofri com a possibilidade de usar a chupeta. Pedi opinião de todo mundo, conversei com amigas mães e até com a pediatra da Juju e todo mundo dava a sua própria opinião. Enquanto isso, a Julia berrava no meu ouvido e não tinha posição ou peito que acalmasse ela.

Acabei decidindo pelo uso da chupeta, mas não me senti tranquila com a escolha. Senti vergonha – O que as outras mães vão pensar?! Como sou irresponsável! Como sou uma péssima mãe por dar esse bico de silicone para o meu bebê!

E se antes era o choro da Julia que me acordava na madrugada, foi a minha decisão que me manteve sem dormir dias depois que ela adotou a chupeta como uma amiga que acalma.

Antes de tirar qualquer foto da Julinha, lá estava eu, obcecada pela chupeta, escondendo de tudo e todos. Já era ruim demais ter que conviver com a minha culpa. Não queria ver ainda outros dedos apontados para mim, me lembrando como eu era uma mãe fraca, uma mãe ruim por não ter tido mais paciência com a Juju, por não ter aguentado a dor nos seios por mais tempo para permitir que ela ficasse pendurada neles 24 horas por dia, quando abrisse o berreiro e precisasse de algo para sugar com mais intensidade para se sentir mais tranquila.

Só que aos poucos, conversando com amigas, percebi que a culpa parece estar sempre presente na vida de uma mãe. São inúmeras as escolhas que precisam ser feitas durante o desenvolvimento do bebê e se você for seguir a melhor opção em todas elas, você simplesmente não vive mais, você passa a não ter tempo para você.

Sei que isso pode parecer até um pouco egoísta, mas não é bem assim. É claro que eu quero o melhor para a Julia, mas eu só vou conseguir dar o meu melhor se eu realmente tiver algo para dar. Mas se eu ficar esgotada, no limite, como poderei dar algo de bom para ela? Foi exatamente o caso da chupeta. Poderia ter sido tão mais simples. Eu já tinha a chupeta em casa. Poderia simplesmente ter fervido e ter colocado na boquinha dela. Mas todos aqueles pensamentos, toda a ajuda que pedi de opinião de amigos, fizeram com que eu me sentisse péssima com aquela escolha. Para que sofrer tanto? No dia que pedi a opinião das pessoas, eu estava com os seios machucados de tanto que a Julia tinha ficado neles no dia anterior. E não, ela não tinha mamado o tempo todo. Muitas vezes a sucção era apenas como um conforto para ela, nem o leite ela puxava. Ela só queria algo para sugar.

Se eu aguentasse numa boa, teria continuado com o seio. Mas eu estava acabada, cansada e cada vez que ela queria mamar de novo, eu começava a chorar, pois sabia o quanto iria doer. Bastou usar a chupeta para que o sacrifício acabasse e tudo se tornasse muito melhor. Amamentar voltou a ser um prazer, um momento só nosso.

E aí eu fiquei pensando em como me torturei, em como passei a ser radical comigo mesma. E também em como me importei com a opinião de outras pessoas, outras mães.

Não tiro o meu da reta e confesso que já julguei bastante também. Já comentei com amigas ou pensei comigo mesma “nunca farei isso” ao ver algo que julgasse errado de outra mãe. Mas somente quem vive a maternidade sabe em que lugar o calo aperta. E acho que cada uma deve ser livre para fazer as suas escolhas, sem ser condenada por isso.

É claro que vou continuar buscando o melhor para a Julinha, mas quero tentar ser mais boazinha comigo também. Não quero perder noites de sono quando não quiser, não tiver paciência ou não tiver vontade de fazer algo “do jeito mais natural”. Não foi porque escolhi o parto normal que preciso entrar para um clube de mães perfeitas.

A maternidade já é bem grande e cansativa para que a gente se cobre ainda mais. Sei que muitos cuspes que joguei para o alto até ser mãe ainda vão cair na minha cabeça. Mas se eu achar que é a melhor coisa para mim, para o Vi, para a Julia e para a Valentina, ficarei feliz com a queda deles. Não quero ser a mãe perfeita. Quero ser a melhor mãe que eu consiga ser.