11 de Julho de 2017

Mãe, estou grávida – Como contei para os meus pais sobre a gravidez

Como já contei por aqui, quando estava tentando engravidar, decidi que não contaria aquilo para ninguém. Não conseguimos de primeira e não ter contado para os outros, foi uma decisão acertada. Pois apenas a minha cobrança e frustração, já eram suficientes para que a ansiedade ficasse ainda maior. Não precisava que outras pessoas ainda fizessem aquele papel de ficar perguntando “e aí, já está grávida?”. Então, como sempre fiquei meio brava quando me perguntavam sobre isso, ninguém desconfiou que já estávamos com aqueles planos, nem mesmo a minha mãe.

Naquela época de tentativas – e antes também -, li muito sobre gravidez e sobre tudo o que acontece quando a mulher engravida. Baseada nos conselhos dados pelas pessoas na internet, falei para Vinicius que não contaria para ninguém, nem mesmo para os nossos pais, sobre a gravidez até ter completado os primeiros três meses – que dizem ser os mais “perigosos” para o neném.

Quando descobrimos, mantive a ideia de não contar nada. Mas era muito difícil para mim, pensar em encontrar com a minha mãe e não falar sobre aquela grande novidade. Então, dei todas as desculpas que pude nos primeiros dias – que eu já sabia e ela não – para não ter que encontrar com ela. Afinal, como poderia disfarçar a minha felicidade?! Ela perceberia que alguma coisa estava acontecendo.

É claro que não consegui segurar a boca pelos primeiros três meses. O silêncio durou apenas uma semana. Resolvi que contaria no dia do aniversário dela. Um presentão, não é mesmo? E um alívio para mim. Até porque, sempre amei vinhos e cervejas, como explicaria para ela que não beberia nada em nenhuma das comemorações? Seria impossível!

Então, no dia do aniversário dela, Vinicius foi na rua tentar encontrar alguma caneca ou almofada que viesse escrito alguma coisa sobre avó. Ele voltou para casa com uma caneca linda!! Pedi que a minha mãe esperasse a gente na casa dela antes de ir para o barzinho que ela havia marcado com os amigos. Ela realmente não desconfiava de nada! Acho que ela já tinha até mesmo se acostumado com a ideia de ser apenas uma avó pet – da Valentina.

Chegamos na casa dos meus pais e tanto eu quanto Vinicius estávamos ansiosos em dar aquela notícia. Era a maior emoção das nossas vidas e seria a primeira vez que falaríamos aquilo em voz alta. Meus pais estavam na sala, tentamos disfarçar a nossa alegria e parecer “normais”. Vinicius estava tão nervoso com todo aquele momento, que ficou responsável por gravar tudo, mas acabou apertando o botão errado e não gravou nada com o celular. Entreguei o embrulho para a minha mãe e foi a hora mais engraçada de todas.

Quando ela abriu o pacote, deu um sorriso amarelo. Minha mãe não gosta de caneca. Ela quis fingir que tinha gostado do presente, mas no primeiro momento, deve ter achado a coisa mais brega e sem graça do mundo, pois na cabeça dela, o “melhor avó” era por causa da Valentina. Quando ela olhou para a nossa cara, a ficha começou a cair, pois nós dois já estávamos emocionados. Ela foi entortando a cabeça e olhando para a gente tentando compreender o que estava acontecendo. Depois de um ou dois minutos, veio a pergunta ainda cheia de dúvida:

– Você está grávida? – Ainda não era uma comemoração, nem mesmo uma constatação. Era quase uma certeza de que estava perguntando uma grande besteira.

Mais dois minutos para que a ficha realmente caísse e a pergunta deixou de ser uma dúvida e virou um grito com afirmação.

– VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA!!!! MEU DEUS, VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA! VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA!!! VOCÊ ESTÁ GRÁVIDAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!

Ela parecia precisar repetir isso aos gritos e mil vezes para que realmente acreditasse naquela verdade. Só depois disso, ela e meu pai abraçaram a gente e realmente acreditaram que aquilo era mesmo real. Estávamos grávidos!

Pedi mais de um milhão de vezes que aquilo fosse um segredo só nosso. Não queria fugir da regra que diz que é melhor contar para as pessoas apenas depois dos três meses. Eu sabia que seria muito difícil que ela segurasse aquela informação tão feliz para todos nós, mas insisti que ela fizesse aquilo. Minha mãe é muito fofoqueira – ela vai ficar brava quando ler isso, mas é verdade! Tão verdade, que é claro que depois eu descobri que ela já tinha contado para várias pessoas, até para o nosso cabeleireiro que eu estava grávida! E depois que eu disse que podia contar, ela mandou mensagem para todo mundo dizendo que não era mais segredo, ao invés de realmente contar a grande notícia! Aff, mas isso é outra história e depois conto com mais detalhes por aqui.

Foi realmente muito engraçado dar a notícia para eles e foi mais um daqueles momentos que vão ficar para sempre guardados na nossa lembrança desse período tão gostoso e diferente de tudo que é a gravidez. Vou compartilhar por aqui todos esses momentos com vocês! E espero que vocês estejam sempre na torcida para que tudo seja especial até o dia da Julinha chegar. Vou escrevendo essas histórias  conforme elas forem sendo “escritas” nas nossas vidas. E se você também está vivendo esse momento ou já viveu, não deixe de me contar como foi a sua experiência! Adoro essas histórias!!

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07 de Fevereiro de 2017

Coisas que não entendo: Vamos falar sobre licença paternidade?

Estava dando aquela passadinha de olhos no Facebook quando tive a infelicidade de ver uma matéria do Jornal O Globo com o seguinte título: “Mães que trabalham seriam responsáveis por sobrepeso e obesidade dos filhos, diz pesquisa“. No mesmo instante o meu sangue ferveu. Para não cometer nenhuma injustiça, já que a internet está cheia de gente compartilhando notícias falsas, resolvi jogar no Google antes de compartilhar, para ver se aquela imagem era uma montagem ou se realmente era uma matéria do Jornal O Globo. Infelizmente ela é real. Não é recente, foi publicada em 2011, mesmo assim, não é tão velha assim.

Sabe, vez ou outra eu me pego lendo coisas sobre “esse povo chato” que “hoje fica de mimimi para tudo”. E quando leio matérias como essa, penso logo em quem critica aqueles que lutam por uma sociedade mais justa, menos preconceituosa, mais inteligente, com pessoas com capacidade de pensar e fazer algo por outras pessoas.

Uma amiga outro dia falou “As pessoas que discordam do Bolsonaro, não entendem o que ele diz. Por exemplo, é óbvio que eu concordo com ele que as mulheres devem receber menos que os homens. Para uma empresa, é muito mais caro ter uma mulher como funcionária. A mulher tem direito a seis meses de licença maternidade. Quando o filho cai na escola, fica doente ou qualquer outra coisa do tipo, a mãe acaba faltando o trabalho. Para a empresa, é muito melhor que o funcionário seja homem, pois ela nunca precisa se preocupar com isso”.

Eu chego a sentir vontade de chorar com esse tipo de comentário, sabe? Parece que tudo evolui com o tempo, menos o pensamento.

Não consigo entender a licença maternidade ser apenas para a mãe. A sociedade hoje é outra, os tempos mudaram. Não existe uma licença paternidade no Brasil. Pelo que pesquisei – se estiver errada, por favor, me corrijam – por aqui, os papais têm o direito a ficar sem trabalhar por cinco dias (li que em março de 2016 a presidente Dilma Rousseff sancionou uma nova lei que estende a licença-paternidade de cinco para 20 dias, mas isso não seria obrigatório para todas as empresas naquele momento e não sei como está isso hoje. Para ler mais, é só clicar aqui.) . CINCO DIAS!! Ou seja, dois na maternidade, três em casa. Depois disso, a mãe precisa se virar sozinha, com a ajuda das avós ou de uma ajudante.

Alguns países da Europa deixam livre para que os pais decidam o que fazer com os 100 dias (alguns países dão mais, outros menos) de licença. Eles podem dividir igualmente ou decidir que um volte antes e o outro fique mais tempo com a criança – sem que necessariamente seja a mãe, a não ser que seja isso que ela queira.

Desculpas para o preconceito não fazem ninguém evoluir. O combate a ele é que pode provocar mudanças. Acredito que a licença paternidade é importante na construção de uma sociedade mais igual, em que homens e mulheres possuem os mesmos direitos e deveres, também na criação dos filhos. Caso contrário, a falta de educação, a obesidade da criança, “o filho largado”, sempre será culpa da mãe que escolheu trabalhar ao invés de ficar cuidando da casa e da cria.

No livro que estou lendo “O Segredo da Dinamarca”, a autora descobre que lá é muito comum ver tanto os pais quanto as mães assumindo as responsabilidades pela criança. Levar e buscar na escola, participar de confraternizações, organizar festas, participar de reuniões… Todas essas coisas são responsabilidades assumidas por ambos. Assim como a licença maternidade e paternidade também permite que ambos cuidem dos primeiros choros, primeiras trocas de fralda, sem sobrecarregar apenas um.

Enquanto o pensamento não mudar, manchetes lamentáveis como a do Jornal O Globo  e comentários que justificam preconceitos de outros, nunca vão deixar de existir. O que é completamente lamentável.

Fica como informação:

14 países com a licença paternidade mais longa (segundo a Revista Forbes de 2015):

1º) Coreia do Sul

Semanas de licença paternidade remunerada: 52,6

2º) Japão

Semanas de licença paternidade remunerada: 52

3º) França

Semanas de licença paternidade remunerada: 28

4º) Luxembrugo

Semanas de licença paternidade remunerada: 26,4 (empatado)

4º) Holanda

Semanas de licença paternidade remunerada: 26,4 (empatado)

6º) Portugal

Semanas de licença paternidade remunerada: 21,3

7º) Bélgica

Semanas de licença paternidade remunerada: 19,3

8º) Noruega

Semanas de licença paternidade remunerada: 14

9º) Islândia

Semanas de licença paternidade remunerada: 13

10º) Suécia

Semanas de licença paternidade remunerada: 10

11º) Finlândia

Semanas de licença paternidade remunerada: 9

12º) Áustria

Semanas de licença paternidade remunerada: 8,7 (empatado)

12º) Alemanha

Semanas de licença paternidade remunerada: 8,7 (empatado)

12º) Croácia

Semanas de licença paternidade remunerada: 8,7 (empatado)

As pessoas gostam tanto de usar exemplos de “países de primeiro mundo” e por que não fazem isso também na hora de pensar na criação dos filhos?

Enquanto escrevia, lembrei de outra amiga que esses dias disse: “mulheres que querem trabalhar só para se sentirem na moda, ganhando bem e tal, deixam seus filhos sendo criados por qualquer um”. E por que não pensar o mesmo do pai? Por que não pode ser o pai a deixar o emprego para assumir esse papel?

Sinceramente, acho que os pais podem dar muito amor, boa educação, valores e carinho mesmo trabalhando fora. É só saber manter o equilíbrio, saber dosar família, trabalho e diversão. Talvez seja por isso que tantos pais se separam na chegada da criança, pois a responsabilidade é jogada nas costas de uma pessoa só, enquanto o outro deseja continuar sem os novos deveres e responsabilidade de uma família maior.



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