07 de Outubro de 2017

Mãe não “tem que” nada, me desculpa!

Ontem um amigo falou “você sabe que tem que acostumar o bebê com barulho desde cedo, né?”. Respirei fundo e não respondi. Não respondi, pois simplesmente já cansei do tanto que ouvi de um milhão de pessoas sobre tudo o que uma mãe “tem que” fazer. É tão irritante e cansativo esse tipo de coisa. Sei que não é só na maternidade que existe esse tipo de discurso palpiteiro, mas acho que é o momento que isso mais acontece. Parece que quando você engravida ou tem um filho, você se transforma em domínio público e todo mundo pode começar a dizer como você deve agir e o que deve fazer.

Claro que existem os bons conselhos. Mas conselho é diferente de “cagar regra” (desculpem o termo, mas não encontro nenhum melhor que esse). E essas regrinhas irritantes vem de todos os lados – de quem tem um filho, dez, de outras grávidas e até de quem nunca teve filho nenhum.

“Ah, você tem que amamentar”

“Você tem que deixar dormindo no seu quarto até os sete meses”

“Você tem que colocar no quarto dele já no primeiro mês”

“Você tem que levar para todos os lugares, para que não seja uma criança chata”

“Você tem que colocar galinha pintadinha”

“Você tem que proibir a TV até os dois anos”

“Você tem que deixar comer doce”

“Você tem que proibir o doce enquanto puder”

E assim vai… Infinitas regras ditas por quem tem e quem não tem experiência. Mas o que as pessoas esquecem é que cada indivíduo é único. O que funciona para um, não vai necessariamente funcionar para o outro. E é nesse momento que toda e qualquer regrinha dessa cai por terra.

Antes, eu até discutia minhas ideias e pretensões com quem dizia algum “tem que” para mim. Explicava o motivo de concordar ou discordar. Mas com o tempo eu fui percebendo que aquilo era apenas desgaste. Quase ninguém está aberto para outros modelos de criação, comportamento ou opinião. As pessoas acreditam mesmo no que estão falando como se fossem as maiores verdades do mundo.

Com o tempo dessa gravidez, que já entrou no oitavo mês, eu fui entendendo que não preciso provar nada a ninguém. Não tenho que ficar convencendo os outros sobre as minhas convicções – que também podem cair por terra assim que a Julinha nascer. O que eu quero é seguir meu coração e a minha intuição na criação da minha filha.

Eu não tenho que fazer nada. Você também não tem que seguir nenhuma regra e nenhum modelo. Como falei no texto da escolha do meu parto, o mesmo vale para todo o resto. Não existe modelo único, não existe conselho universal e perfeito que vai servir para toda e qualquer pessoa. Não existe o jeito certo e o jeito errado. O melhor e o pior. Cada um deve seguir o seu próprio perfil, suas próprias vontades e suas crenças de criação. Pode ser que dê tudo certo, mas também pode começar a dar tudo errado e você vai adaptando. Mas não acredite em tudo que ouve ou vê. Você faz as suas escolhas e se achar que deve remar contra a correnteza, faça sem medo. E não tente também convencer os outros das suas convicções. Respire fundo e deixe que digam, que pensem e que falem. Falar, todo mundo pode. Mas se vai seguir o que foi dito, só depende de você.

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11 de Setembro de 2017

A mãe que eu quero ser

Antes de engravidar eu já ficava pensando no tipo de mãe que eu seria. Aos poucos fui construindo sonhos, desejos e planos para a maternidade. Observava amigas que tinham filhos, blogueiras, atrizes e por aí vai. Imaginava o que eu teria e o que não teria vontade de fazer. E assim, fui criando algumas ideias na minha cabeça da mãe que eu quero ser.

Mais do que qualquer coisa, quero ser uma mãe presente e quero ensinar a minha filha a sonhar, assim como minha mãe me ensinou. Não quero que o quarto da Julia seja o mais cheio de brinquedos. Quero que ela descubra como transformar o que ela tem em um milhão de coisas diferentes. Imaginação é um dos melhores presentes que posso tentar dar para ela. Foi assim que eu mais me diverti enquanto crescia.

Para isso, quero colorir a vida da Julia com histórias. Seja com Patinho Feio, Cinderela, Pequeno Príncipe ou Reinações de Narizinho… Quero que ela imagine personagens, cenários e que vá construindo um mundo cada vez maior na cabecinha dela. Os livros sempre me instigaram e fizeram a minha imaginação voar cada vez mais alto.

Por mais que aconteçam avanços da tecnologia, quero brincar muito com a Julia sem tablet, televisão ou computador. Quero que ela rale os joelhos enquanto brinca de correr, que transforme a primeira bicicleta em uma moto apenas com a ajuda de um copinho plástico na roda de trás, sem que tenha que comprar uma realmente motorizada para ela.

Ah, e o teatro?! Já ando até sonhando com o cheiro das coxias, dos palcos e das histórias infantis. No domingo, acordei com uma vontade enorme de assistir Peter Pan e sei que vou poder reviver momentos mágicos ao lado da minha filha, assistindo nos finais de semana muitas histórias que eu também vi quando era pequena e que nunca mais saíram da minha cabeça.

Espero conseguir mostrar para a Julia que algumas meninas possuem cem bonecas e que outras não possuem nenhuma, mas que isso não é importante na hora de ser amiga delas. Espero que aos poucos ela consiga se encantar pelos sorrisos, olhares e verdades guardadas dentro de cada pessoa. E que dessa maneira, consiga se proteger e se doar cada vez mais.

Não quero ser uma mãe que afasta a filha do que acontece no mundo para “protegê-la”. Quero que a Julia conheça o mundo real e que dessa maneira ela saiba discernir o que será bom e o que será ruim para a vida dela. Não foi me escondendo o mundo das drogas que a minha mãe fez com que eu nunca tivesse vontade de me drogar. Muito pelo contrário. Por volta dos 12, 13 anos ela me deu o livro  Christiane F. porque eu pedi e foi por conhecer aquela realidade tão crua e dura que eu nunca quis nem chegar perto disso.

Também espero ser uma mãe que vai conseguir ensinar a Julia a respeitar as pessoas, a ser gentil, educada… Quero que ela sinta prazer em dizer bom dia, muito obrigada e que ela perceba como compartilhar e doar faz bem.

Quero que a Julia descubra o mundo com seus olhos, nariz, pés, mãos. Espero afastar os meus medos e quero muito permitir que a minha filha explore as coisas. Quero que ela se desenvolva cada vez mais por ela mesma, que aprenda a cair e levantar sem que isso seja um grande problema ou motivo de grande susto. Espero que ela perceba que para mim, nunca vai ser o resultado final a parte principal das realizações dela, mas que estarei na torcida e aplaudindo todas as vezes que ela se esforçar para conquistar tudo aquilo que deseja. Seja um passinho, uma nota na escola ou os sonhos cada vez maiores que ela venha a ter.

Quero ser uma mãe bem parecida com a minha, com algumas grandes diferenças, mas com uma coisa totalmente igual: O amor incondicional. Quero que a Julia cresça sabendo que aconteça o que acontecer, estarei ao lado dela. Que ela pode errar, cair, sonhar, se realizar… E que eu sempre estarei com ela, para tudo! Tanto nas alegrias, quanto nas tristezas. Tanto nas vitórias, quanto nas derrapadas. Não realizarei nada por ela, mas darei toda a força que ela precisar para acreditar que todos os sonhos são possíveis e que o que eu mais quero é que ela seja uma pessoa boa, carinhosa e educada com as pessoas, que tenha aquela vontade dentro dela de ajudar a mudar o mundo de alguma maneira e que seja muito, muito feliz.



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