02 de Julho de 2017

Preciso achar o meu outono

Alguma coisa no outono – mesmo quando já não estamos mais nessa estação – me encanta. É como se o outono fosse mais um sentimento, um clima, uma característica do que propriamente uma estação do ano. Apesar de ser inverno, hoje está um dia próprio de outono e isso me deixa mais feliz do que em qualquer outro dia. É como se o mundo de uma hora para outra se tornasse mais calmo, vazio, geladinho e mais devagar.

Senti que a qualquer momento poderia sair saltitando pela rua, de tanta felicidade, com aquele ar gelado e gostoso. Sei que o inverno também é frio e que já estamos nele. Mas nem sempre o inverno tem a cara do outono. Falei para Vinicius “Nossa! Fico com vontade de passar o dia inteiro na rua quando o tempo está assim”. E ficaria mesmo. Ainda mais com as ruas vazias, sem aquele agito da rotina normal. Acho que o outono tem mesmo muita cara de domingo.

Não sei se foram os livros que li ou os filmes que vi. Não sei se a culpada foi uma autora inglesa chamada Rosamunde Pilcher, que me encantou com TODOS os seus romances, descrevendo uma cidadezinha da Inglaterra – Cornwall – ou alguns lugares da Escócia… Não sei se foi a minha viagem em 2014 para o sul do Brasil. Talvez tenha sido tudo isso junto. Mas já faz um tempo que eu sinto vontade de mudar.

Algumas vezes sentimos vontade de mudar um corte de cabelo, uma arrumação na casa, uma comida que queremos experimentar. Mas nesse momento, a minha maior vontade é de mudar de lugar. Queria achar um cantinho que sempre tivesse esse ar de outono. Uma cidade com eterna cara de domingo, com pessoas andando mais devagar, sem tantos adereços, sem tanta pressa…

Uma espécie de Stars Hollow – do seriado Gilmore Girls -, uma cidade menor, com menos gente querendo ter e mais gente querendo ser, sabe? Um lugarzinho sem tanta disputa de ego, discussões sobre quem está mais certo, sem tanta violência. Um lugar com menos moradores, mas com mais valores.

Não é só “coisa de mãe”, já que essa vontade está me acompanhando há muito tempo. Mas ela está ficando cada vez maior. A cada novo centímetro que ganho de barriga, cada vez que imagino a carinha da Julinha… Sonho mais e mais com esse lugar.

Queria um cantinho assim. Grama, água, uma cadeira gostosa em um quintal para que pudesse ler e escrever muitas novas histórias. Um lugar que a Julia pudesse criar mil aventuras, sem que tenha que ficar presa ao play de um prédio, cercada de outras crianças com um celular na mão.

“Mas em lugares pequenos não têm boas escolas”. Sinceramente, isso é o que menos me importa. Os valores que quero ensinar para a minha filha são muito mais importantes do que qualquer educação de ponta, com muita tecnologia e pouca empatia.

Quero um lugar com cara de outono para poder chamar de meu. Espero muito que essa vire uma realidade não lá para frente, mas para um futuro próximo. Vou sonhando, pensando e jogando para o universo esse desejo. Quem sabe, não é mesmo? Enquanto isso… Vou aproveitando esses outonos que vez ou outra aparecem por aqui.

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06 de Fevereiro de 2017

Amigos não podem criar asas e voar para longe

Acho que tinha que ser decretada uma lei: amigos não podem criar asas e voar para longe. Não que eles não possam ver o mundo, tentar novas possibilidades, correr atrás de coisas melhores. Mas acho que precisavam criar uma máquina tipo um teletransporte para que, pelo menos uma vez por semana, ele voltasse para perto.

Definitivamente, amigos não devem ficar tão distantes.

A pior coisa de crescer é ver os melhores amigos decidindo novos destinos que ficam sempre a quilômetros de distância. E lá vão eles para Espanha, Itália, Estados Unidos. E a gente vai ficando só. As risadas quase diárias precisam ficar restritas aos aparelhos eletrônicos. Não é mais possível assistir aquele pôr do sol na praia, o lanche na casa da amiga ou a cervejinha no meio da semana só para fofocar!

Claro que mesmo com toda a distância, o sentimento não muda, a amizade continua exatamente igual quando reencontra. Mas a ausência, a falta que a pessoa faz por não estar mais ali do lado é que não é nada boa.

Definitivamente, amigos não deveriam voar para longe.

Mas se os sonhos estão distantes, esquecemos o quanto é dolorida a ausência e passamos a torcer para que as asas dos nossos amigos sejam imensas para que eles alcancem tudo aquilo que desejam. Ficamos torcendo e sentindo uma falta enorme, mas sempre na torcida para que tudo seja perfeito!!♡

E vai ser.

Amizade de verdade não acaba com a distância. Minhas amigas que já voaram para longe continuam tão presentes quanto antes, o amor continua igual. “Só” a falta da presença física que às vezes aperta o coração.

Mas a gente vai usando a tecnologia como o tal teletransporte, da maneira que dá. Compartilhamos nossos afazeres, falamos pela câmera ou pelo áudio as nossas fofocas e vamos mantendo a presença não tão presente assim.

Dói a saudade, mas a gente tem sempre a certeza de que cedo ou tarde a gente volta a se encontrar e torcemos para que tudo continue exatamente igual ao que sempre foi.

 



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