29 de Agosto de 2017

Todos os médicos tinham que ser bons!

Depois do susto que passei, fiquei pensando muito sobre esses profissionais de saúde. Hoje, enquanto esperava para fazer a revisão com o meu cirurgião, fiquei assistindo o programa da Fátima Bernardes no consultório dele e um dos assuntos foi justamente esse: médicos que tratavam pacientes com carinho e mais empatia. O estranho é que esse tipo de profissional é visto como algo raro, pois parece que médicos precisam ser frios e distantes de seus pacientes. Para mim, os médicos tinham que ser bons! Bons nos dois sentidos – talentosos e humanos.

Em 2015, Vinicius teve uma dengue chatinha, mas normal. Seguimos a recomendação do médico que atendeu ele na emergência e passamos a ir ao hospital a cada dois dias para medir as plaquetas dele. Na terceira vez que fomos, um médico super frio e quase grosso atendeu o Vi e disse “você não está bebendo a quantidade de água certa”. Eu estava praticamente afogando Vinicius de tanta água que dava. Falei isso ao médico que nem olhou para mim e seguiu falando com Vinicius, como se eu nem existisse. “Vai ter que ir para o soro”. Até aí tudo bem, mas eu já fui ficando nervosa e perguntei “deu muito baixa a quantidade de plaquetas?”. Ele deu uma olhada para mim, como se eu não tivesse o direito de estar preocupada com o meu marido e de estar ali e respondeu “está baixa sim! Isso não é um quadro normal da dengue. Se não melhorar, vai ter que internar”.

Meu coração foi na boca e enquanto Vinicius ia para o soro, eu fiquei chorando no corredor do hospital, pois não podia acompanhar o Vi na sala do soro. Depois de duas horas voltamos para casa e eu não deixei Vinicius sem água ou Gatorade nem por um minuto – coisa que eu já estava fazendo antes, mas intensifiquei da maneira que deu.

Ao invés de esperar dois dias, no dia seguinte insisti para que a gente voltasse ao hospital para saber se elas tinham diminuído mais. Um novo médico atendeu o Vi e disse que não valia a pena fazer outro exame naquele dia, pois o acompanhamento ideal era a cada dois dias. Expliquei o meu desespero e ele pegou novamente os exames anteriores do Vi para dar uma olhada.

“Mas o quadro dele está super normal e dentro do esperado para um caso de dengue. As plaquetas dele não estão nem muito baixas”

“Não corre o risco de internação?” – eu perguntei com a garganta ainda meio fechada de nervoso.

“Quê? Claro que não! Internação é com… (não lembro agora, mas eram muitooooooooos mil a menos do que a quantidade que ele estava). Não precisa ficar preocupada. É só seguir com essa hidratação que em poucos dias ele já estará totalmente recuperado”

Tarde demais. Eu já tinha feito promessa e tive que ficar sem comer batata, chocolate e cerveja por um ano. Dois dias depois desse episódio, Vinicius já estava até voltando ao trabalho, sem vestígios de dengue e muito menos de internação.

Sei que cada pessoa é uma pessoa, mas sinceramente, acho que quem escolhe trabalhar com medicina não deveria ser apenas um bom profissional, mas deveria ser também uma pessoa mais humana, empática e com um coração mais cheio de amor. Quando as pessoas procuram esses profissionais, na maioria das vezes elas estão vulneráveis e precisam mais do que um diagnóstico. Precisam de calma, paciência e uma atenção a mais.

Nesse meu susto recente, eu tive a sorte de contar com médicos da nossa confiança. Mas muito mais do que isso, eles se tornaram amigos queridos, quase como se fossem um parente que realmente se importa com você, com o que está sentindo e passando. Desde o primeiro dia, minha clínica Karima Elias Bruno e o marido dela que também é clínico Dr. Bruno, buscaram descobrir o que eu tinha e, além disso, buscavam me acalmar e fazer com que todos os exames e procedimentos não fossem nada assustador. O mesmo ocorreu com o meu cirurgião Dr. Waldomiro Teixeira, que até mesmo no momento de dizer que eu teria que operar, demonstrou o maior carinho do mundo e me deixou mais segura de que eu estaria em boas mãos. Depois, seguiu me acompanhando e cuidando de mim da melhor maneira possível. Até mesmo o anestesista da equipe dele, que só me viu naquele dia, foi da maior simpatia e carinho nos minutos do meu pré-operatório, tentando me distrair e relaxar. A minha obstetra, Dr. Priscila Pyrrho também foi a mais fofa do mundo, acompanhando a minha operação e me deixando tranquila enquanto dizia que tudo ia ficar bem e depois me mostrando diariamente que o coração da Julinha continuava batendo firme e forte dentro de mim. Sem falar nas enfermeiras, que eu já contei aqui que também fizeram a maior diferença na minha internação e recuperação.

No mundo ideal, todos os médicos seriam como os que cuidaram de mim e aquele último que cuidou da dengue do Vi. Ou também como o médico que esteve hoje no programa da Fátima Bernardes. São pessoas que vão muito além do talento. Elas possuem o dom de cuidar e curar os pacientes não só fisicamente, mas também sem causar nenhum trauma, sofrimento ou dor a mais em quem está precisando de ajuda e nos familiares que ficam angustiados com tudo o que está acontecendo. Para quem é de Niterói, fica a dica de todos os que cuidaram de mim. Todos eles atendem em consultórios na Moreira Cesar – cada um em um prédio, mas se der um Google, vocês encontram todos eles – e eu recomendo demais. Queria de todo o coração que todos os médicos, de todos os hospitais – públicos e particulares – , fossem como eles (o do programa da Fátima Bernardes eu acho que atende no SUS, no Rio de janeiro).

Vocês já tiveram experiências muito boas e muito ruins com médicos por aí? Se quiserem me contar – principalmente os bons exemplos – vou amar saber!

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02 de Agosto de 2017

Uma Prova de Amor – Opinião sobre o livro

Comprei o livro Uma Prova de Amor há bastante tempo, arrisco dizer que foi na Bienal do Rio de 2013. Mas por algum motivo, fui passando outros na frente. Enquanto arrumava a minha estante, peguei esse romance e decidi que tinha chegado a hora de ler essa história. Não fazia ideia ou pelo menos não me lembrava que o livro tinha como um dos temas principais a maternidade. Coincidência do momento, não é mesmo?

Mesmo tendo 400 páginas, li o livro em uma semana. A leitura é bem rápida e fácil, mas passou bem longe de ser o romance da Emily Giffin que eu mais gostei. Acho que esse entra como último na lista.

Os personagens até são interessantes, legais, torcemos pelo casal protagonista, mas eu achei um pouco forçada – talvez, por estar vivendo essa fase e ter um novo olhar sobre esse assunto – a maneira que a maternidade foi abordada na história.

A protagonista começa o livro dizendo que nunca quis ter filho e que essa é uma das coisas que ela sempre falava logo no primeiro encontro com os caras que saía. Quando finalmente encontrou alguém especial e que pensava exatamente como ela, acreditou ter encontrado sua alma gêmea. O problema é que com o tempo, depois de alguns anos de relacionamento e do casamento, o marido dela mudou de ideia e passou a sentir vontade de ter um filho. É aí que o enredo se desenrola e –  na minha opinião – se enrola.

Acredito que todas as mulheres são livres para decidirem o que querem para si. Não acho que gravidez deva ser encarada como uma obrigação, como algo que todas devem viver um dia ou algo do tipo. Acho que cada pessoa deve saber se quer ou não viver esse momento e se quer ter essa responsabilidade pelo restante da vida.

Mas o problema é que no livro, a protagonista que antes tinha tanta certeza sobre não querer nunca um filho, passa a pensar nessa possibilidade apenas para não perder o homem que ama. Sei lá, sabe? Eu acho que essa mensagem pode acabar passando tanta coisa errada… Até mesmo o título do livro “Uma Prova de Amor” vem da ideia de que ela é capaz de passar por cima de uma vontade que não tem para agradar a pessoa que ela ama.

Não acho que ter um filho seja uma prova de amor para outra pessoa. A maternidade deve ser encarada com responsabilidade para que não sejam colocadas no mundo crianças que serão objeto de frustração, arrependimento ou o qualquer coisa do tipo.

Por esse motivo, Um Prova de Amor foi uma leitura fácil, mas não apaixonante. As 400 páginas praticamente giram em torno desse assunto. Não é uma história tão legal quantas as outras da autora. Mas também não é uma leitura ruim. É aquele livro que você termina e esquece. Foi apenas entretenimento enquanto estava aberto, mas nem mesmo me fez suspirar.



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