08 de Março de 2017

A lista de Brett – Livro encantador

Outro dia a Amazon estava com uma promoção maravilhosa de e-books e é claro que eu resolvi aproveitar. Comprei quase dez livros – que eu não sei quando vou conseguir ler esses e os outros quase cem que esperam pela minha leitura desde outras promoções e bienais – e um deles foi A Lista de Brett. O livro estava por cinco reais e eu sabia que alguma amiga tinha lido e comentado que tinha gostado. Como resistir?

Confesso que esperava algo mais bobo, um romance bem água com açúcar, mas não foi (só) o que encontrei. É claro que tem essa parte – que a gente AMA!!! -, mas não é o foco principal do livro. A Lista de Brett é doce e carregado de valores. Também é aquele tipo de história que pode dar uma espécie de estalo em nossas vidas, sabe?

A mãe de Brett sabia que estava morrendo e resolveu deixar com o advogado do testamento uma lista de metas que sua filha tinha escrito quando era adolescente. Brett só poderia tirar a sua parte da herança depois que cumprisse aquela lista.

A protagonista não queria acreditar que a mãe tinha feito aquilo com ela.

Afinal, quem com 34 anos continua com as mesmas metas de quando tinha 14? 

É exatamente nesse momento que sentimos o estalo (pelo menos eu senti o meu!!). Tentei pensar na Fernanda de 14 anos. Quais eram os meus sonhos? O que eu queria para a minha vida? Como me imaginava no futuro?

Muitas vezes abrimos mão dos nossos sonhos e planos simplesmente por uma pressão social, por outras pessoas, por um bom salário e não exatamente por não gostarmos mais daquilo que sonhamos um dia.

Quando vamos envelhecendo, passamos a dar valor a coisas que eram totalmente sem importância no passado. O status social, o bom posicionamento profissional – mesmo que seja em algo que você não é tão apaixonado – o ter ao invés do ser, são coisas que vão dominando a nossa vida adulta e afastando as metas de quando a gente acreditava que poderíamos ser o que a gente quisesse.

A Lista de Brett é um daqueles livros que são fofos, passam uma mensagem bacana e deixam a gente com saudades dos personagens. Não anotei nenhum trecho, mas guardei duas partes  no meu coração.

Na primeira, Brett precisava vencer um de seus medos, para que pudesse cumprir um dos seus sonhos do passado. E na carta que a mãe dela escreveu para que o advogado entregasse quando ela cumprisse aquela meta, a mãe já sabia que ela ia falhar e ela disse: não tem problema você não ser perfeita, você não deve deixar de fazer nada por medo de errar. Isso pode acontecer com todo mundo e acontece o tempo inteiro.

Fiquei pensando em quantas coisas eu já deixei de fazer por puro medo de falhar. <3 Não disse que o livro foi um estalo para mim?

E a outra parte que vou guardar para sempre, foi quando em uma das cartas da mãe de Brett ela disse que os pais não devem “criar filhos”, devem “criar adultos”. E que ao invés de criar crianças para que elas sejam fortes, que os pais devem criar crianças para que sejam gentis.

Não é demais?

Confesso que a grande “surpresa” do livro – é claro que não vou falar qual é – não me surpreendeu. Já imaginei o que aconteceria desde o início, mas não sei se o mesmo aconteceu com todo mundo. E de maneira alguma isso estraga o final.

Enfim, A Lista de Brett é um livro doce, levinho, delicioso e que faz a gente pensar. Fica a dica para quem ainda não leu. Se você já tiver lido, não deixe de me contar o que achou.



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14 de Fevereiro de 2017

Li um livro e fiquei com vontade de morar na Dinamarca

Que livro! Sabe quando você começa a ler um livro como uma pessoa e sai dele completamente diferente? Depois de ler O Segredo da Dinamarca eu saí do livro com uma bagagem cultural ainda maior, com aprendizados que só teria se tivesse a oportunidade de morar alguns meses no país, com a possibilidade de fazer comparações que não teria como fazer antes e de pensar no que poderia melhorar por aqui.

O Segredo da Dinamarca me fez pensar e repensar sobre felicidade. Como muitas vezes depositamos no outro algo que é uma responsabilidade nossa. É claro que outras pessoas podem nos proporcionar momentos e pequenos instantes mais felizes, mas isso não pode ser fundamental para que alcancemos diariamente momentos de felicidade. Ela tem que partir da gente, sempre.

Aprendi tantas, tantas coisas…

Saí do livro com uma vontade gigantesca de viver uma experiência naquele país gelado, frio, mas com uma igualdade social que deveria servir de exemplo para o mundo inteiro. Um dos impostos mais altos do mundo, mas com o Estado realmente tomando conta de toda a sua população. Na Dinamarca, toda profissão é valorizada e você pode realmente escolher fazer o que ama, sem que tenha toda aquela pressão de escolha por melhores salários nas profissões que você nunca sonhou em fazer.

É um país que valoriza e trabalha para que todos tenham as mesmas oportunidades. Ensina as crianças a questionarem, pensarem por conta própria, serem mais justas e gentis. Na Dinamarca ninguém tranca as crianças em redomas de proteção. É importante que eles caiam, levantem, aprendam o motivo de terem caído.

A Dinamarca é o país mais feliz do mundo, mas não quer dizer que seja o país das pessoas mais simpáticas. Longe disso. Mas eles não associam simpatia a felicidade. Quando eles sorriem para você desejando um bom dia, não é apenas uma gentileza dita da boca para fora, é realmente o desejo de que o seu dia seja incrível. Por isso, não ficam sorrindo e dizendo isso o tempo todo.

os pais tiram várias semanas de licença paternidade e são tão responsáveis pela criação dos filhos quanto as mães. As horas de trabalho são menores do que na maioria dos países, eles valorizam a produtividade e não o tempo que se passa trabalhando.

E como gostam de beber! Passei o livro inteiro com uma vontade enorme de degustar uma Carlsberg. Também fiquei louca para conhecer Copenhague e todos os restaurantes estrelados, com comidas nórdicas.

Terminei o livro com uma vontade louca de pesquisar preços de passagem agora mesmo e de arrumar a mala para conhecer o país mais feliz do mundo. Que experiência maravilhosa a autora Helen Russell teve a oportunidade de viver. Uma casa, no meio do nada, de frente para o mar. Já tem uns dois anos que tenho um sonho parecido. Uma vontade enorme de sair do meio de tanta coisa e ir morar em um lugar calmo, de frente para o mar, com menos desespero para querer sempre mais.

Antes de ler O Segredo da Dinamarca, esse era um país que nem passava no meu radar. Não era um destino que tinha curiosidade de conhecer. Mas hoje, acho que encaro o meu pavor de avião para visitar, nem que seja por apenas duas semanas.  

Recomendo esse livro para todos os brasileiros. No momento que vivemos, com tanta gente cheia de certezas, com tanta briga sobre esquerda e direita e tantos achismos políticos, é uma excelente leitura para sair um pouco da caixinha e poder conhecer um pouco mais do que deu certo em outros países. Como a Dinamarca conseguiu ser o país mais feliz do mundo? Também recomendo para todos que queiram pensar um pouco mais sobre felicidade. É um livro imperdível para todos! Vou sentir saudades de O Segredo da Dinamarca e tudo que aprendi com a leitura. Ler é sempre bom demais!



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