17 de Julho de 2017

Grávida precisa comer por dois? – Entrevista com a nutricionista Christiane Bin

Já contei por aqui que durante a gravidez eu perdi muitos quilos. Isso aconteceu, pois eu estava muito acima do meu peso até engravidar. Mas no momento que descobri que tinha um bebê na minha barriga, resolvi me cuidar melhor, pois não era mais responsável apenas por mim. Dessa maneira, busquei um acompanhamento nutricional e uma reeducação alimentar. Ao longo desses cinco meses, é possível perceber nas minhas fotos que a barriga cresceu, mas o braço e o rosto afinaram. São menos 10 kg na balança e uma sensação muito melhor no meu corpo, disposição e na minha saúde.

Tive desejos gordinhos nesse tempo? Claro que sim! Mas confesso que não me entreguei aos desejos e resolvi seguir com uma alimentação saudável e buscando mais alimentos que antes nem mesmo faziam parte da minha alimentação.

Muitas pessoas dizem para mim que esse é um momento de comer por dois, o que não e verdade. Resolvi conversar com a querida e ótima nutricionista Christiane Bin sobre esse assunto para esclarecer para mim e para outras mamães um pouco sobre esse mito de que as grávidas precisam comer por duas pessoas. Espero que vocês adorem a entrevista tanto quanto eu amei!

Sempre ouvi grávidas falando que estavam comendo acima do normal, pois precisavam comer por dois. Essa questão de comer tudo e qualquer coisa, em grande quantidade, com a desculpa de ter que alimentar o neném pode ser prejudicial tanto para a mãe quanto para o bebê?

Sim, pode. O aumento das necessidades calóricas durante a gestação depende do peso pré-gestacional, mas varia entre 300 a 500Kcal a mais em sua rotina de alimentação, e isso é importante para o bebê. Mas o bebê não precisa da mesma quantidade de nutrientes que a mãe, logo a mulher não precisa comer por dois.

Também é importante lembrar que essas calorias a mais não precisam vir de alimentos hipercalóricos e sem nutrientes, muito pelo contrário, já que durante a gestação fazemos a programação metabólica do bebê, que pode determinar situações futuras, como doenças crônicas na infância e na vida adulta. Vamos ver alguns exemplos:

  • Uma dieta rica em carboidratos gera recém-nascidos com probabilidade de se tornarem obesos e alteram sua preferência pela sacarose quando adultos;
  • O alto consumo de carboidratos e de gordura saturada\hidrogenada na gestação aumenta as chances de nascimento de bebês hiperfágicos;
  • A obesidade materna no primeiro trimestre da gestação aumenta 2-3 vezes o risco de obesidade na infância;
  • O aumento da glicemia durante a gestação está associado com aumento no risco de obesidade infantil entre 5 e 7 anos.

Comigo aconteceu justamente o contrário, comecei a gravidez me alimentando mal, bem acima do meu peso. Mas quando descobri que tinha conseguido engravidar, resolvi buscar um equilíbrio e uma reeducação alimentar. Você acha que uma consulta e um acompanhamento com nutricionista desde o início da gestação é fundamental para uma gravidez saudável?

Primeiramente, parabéns pela sua decisão! Para mulheres que iniciam a gravidez com sobrepeso ou obesidade não é recomendado nenhum aumento calórico, mas isso não quer dizer que ela tenha que emagrecer ou fazer restrições calóricas nesta fase. Não só o ganho de peso precisa ser monitorado na gestação, mas principalmente o consumo adequado dos nutrientes.

Este acompanhamento é importante desde quando se planeja engravidar, pois a gestação é o momento de programação metabólica de um novo ser. O crescimento e desenvolvimento do feto é determinado por 2 fatores: herança genética e ambiente fetal. O ambiente fetal é totalmente influenciado pela alimentação materna. O feto se nutre através da placenta, portanto tudo o que a gestante ingere afeta diretamente o desenvolvimento do bebê. Estudos têm mostrado que um ambiente intra-uterino desfavorável predispõe o bebê a doenças na vida adulta, tais como: obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e outras. Logo, o ambiente materno precisa ser preparado para esta gestação.

O acompanhamento nutricional ainda pode evitar ou te ajudar a lidar com sintomas, como: enjoos, azia, vômitos, fome excessiva, cansaço, sonolência, edema, entre outros, o que dá a gestante uma melhor qualidade de vida para curtir esse momento tão especial!

Muitas grávidas dizem que sentem muita fome desde o início da gestação – por um milagre eu ainda não passei por essa fase. Que conselho você daria para essa fome acima do normal? Quais seriam as melhores opções para saciar esse desejo por comida? 

Essa fome excessiva pode indicar carência nutricional. No primeiro trimestre da gestação as necessidades calóricas não são ainda tão aumentadas e essa fome pode significar o organismo tentando buscar nutrientes para o feto. O meu melhor conselho é: busque um profissional capacitado para fazer essa avaliação e corrigir as possíveis deficiências. Outra dica é não tentar matar essa fome comendo mais, mas sim comendo melhor, ou seja, alimentos que tragam maior saciedade, como os ricos em fibras ex: (arroz integral, chia, aveia, quinoa etc), ricos em “gorduras boas” (ex: abacate, açaí, castanhas etc) e ricos em proteínas (ex: carnes, grão de bico, lentilha etc).

O que não pode faltar nas refeições de uma futura mamãe e o que mais devemos evitar nesse período?

Alguns nutrientes muito importantes são:

  • Ácido fólico: para um adequado fechamento do tubo neural (couve, brócolis, lentilha, aveia, carne, amêndoas);
  • Iodo: para a maturação do sistema nervoso central (frutos do mar, algas, vagem, agrião);
  • Ômega3: para a formação cerebral e aprendizado (salmão, atum, chia, linhaça);
  • Vitamina D: para a formação óssea do bebê e aumento da imunidade materna, além da prevenção de pré-eclâmpsia, resistência à insulina, diabetes gestacional, parto prematuro e raquitismo (carne, frutos do mar, leite, ovo). Nunca esquecer de tomar Sol (antes das 10:00h e após as 16:00h);
  • Zinco: atua no desenvolvimento cerebral do bebê e melhora a imunidade da mãe (carnes, grãos integrais, castanhas, cereais);
  • Magnésio: ajuda a prevenir a pré-eclâmpsia e a hipertensão gestacional (couve, uva, banana, abacate, gergelim, girassol, grão de bico);
  • Colina: necessário para o desenvolvimento cerebral fetal, memória e atenção do bebê (ovo).

Não se deve consumir carnes cruas ou mal cozidas, embutidos, adoçantes artificiais, açúcar refinado, refrigerantes, frituras, fast foods, bebidas alcoólicas e evitar o excesso de cafeína.  Evitar os alimentos industrializados, dar preferência à comida de verdade, ter cuidado com os alimentos alergênicos e respeitar a sua individualidade bioquímica são os segredos do sucesso!

Sempre ouvi muitas pessoas falando sobre “desejo de grávida” e todo mundo diz que os desejos devem ser atendidos para que o neném não venha ao mundo com a cara daquela comida. Risos! É claro que tudo isso é lenda, mas muitas grávidas sempre aproveitam essa história para comer tudo aquilo que sentem vontade. Durante esses cinco meses, eu tive dois grandes desejos: logo no início da gravidez, eu senti uma vontade louca de comer Miojo de Galinha Caipira. Cheguei até mesmo a sonhar com isso. E há pouco tempo, morri de desejo de comer aquela batata frita com queijo do Outback. Os dois desejos foram bem gordinhos. Resolvi deixar o primeiro de lado, mesmo que ficasse sonhando – e salivando – imaginando o cheirinho do tempero do Miojo. Mas fiquei com medo por saber que passa longe de ser um alimento saudável. Já com a batata frita do Outback, resolvi matar aquela vontade, mas sem exagero. Comi muito pouco – umas dez batatinhas – e senti que estava realizada. Muita gente ficou falando “come!!”, quando contei do Miojo. “Desejo de grávida deve ser atendido”, diziam. Em filmes, sempre têm aquelas histórias de maridos que saem durante a madrugada, desesperados para achar aquilo que a grávida está querendo comer. E todo mundo realmente acredita que isso é muito importante. Como nutricionista e mãe de dois, o que você diria sobre isso. Eu fiz errado de resistir a tentação e não comer o Miojo? Todas as grávidas devem matar seus desejos sempre? Na sua gravidez, você comeu tudo aquilo que sentiu vontade? 

Fernanda, parabéns mil vezes por resistir ao desejo do Miojo!!! Melhor pensar que “desejo é coisa que dá e passa” (risos). Na gravidez da Alice eu tive desejo de comer Fandangos de presunto (coisa que eu nem gosto..rs), mas também resisti. Eu dizia para mim mesma que quando a gravidez passasse eu comeria… pois a gravidez passou, o desejo também e eu até hoje não comi! Eu fiz sim várias restrições nas minhas duas gestações, até porque precisamos lembrar que alguns alimentos podem ser inocentes pra uns e problemáticos para outros, como por exemplo, o leite e os que contem glúten.

Alguns desses desejos de grávida podem também representar falta de algum nutriente no organismo. Por exemplo, desejo por alimentos gordurosos pode indicar baixo consumo ou má utilização da gordura; desejo por doces pode representar um consumo inadequado de carboidratos, que priva o organismo de energia e ele trata logo de pedir.

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AMEI a entrevista com a Chris e ela voltará aqui mais vezes para conversar com vocês (e comigo!!!) sobre nutrição e gravidez.

Christiane Bin é Nutricionista Funcional especializada em Fitoterapia. É mãe de dois – da Alice e do Lucca – e acredita que uma nutrição adequada pode mudar o mundo!

Para seguir a Chris no Instagram, é só clicar aqui!

E para quem quiser conversar com a Chris para marcar um acompanhamento durante a gestação ou um acompanhamento nutricional em qualquer fase da vida… Recomendo MUITO!! Ela atende em Niterói, Icaraí e o telefone do consultório é – 98330-1453\ 98139-8888.

09 de Junho de 2017

Diário da Gravidez – Emagreci sete quilos

Já tinha mais ou menos um ano que eu ficava fazendo tentativas de reeducação alimentar, mas sempre caía em tentação e voltava a comer um docinho aqui, outro ali… Pizza quase todo final de semana e por aí vai. Sem contar aquela cervejinha com os amigos, não é mesmo? Mas depois da gravidez, tudo isso mudou. Quando nós descobrimos que tem alguém crescendo dentro da gente, uma pessoinha que está se formando e que depende apenas da gente para se desenvolver cada dia mais… Tudo muda nas nossas vidas. E foi assim que em quatro meses eu emagreci sete quilos.

Uma das coisas que sempre tive muito claro na minha cabeça era que eu não engravidaria de maneira nenhuma enquanto não me sentisse pronta para isso. Queria que tanto eu quanto Vinicius estivéssemos no mesmo momento, com as mesmas vontades, dispostos a viver grandes mudanças em nossas vidas com a chegada de um novo alguém. Não queria engravidar porque todo mundo cobrava por isso desde que nos casamos e nem mesmo pelo passar do tempo e da idade. Acho que para viver uma grande mudança como essa, é necessário muito mais do que pressão ou tempo. É preciso construir um amor e uma vontade muito grande de viver desafios, medos, sonhos, alegrias com mais uma pessoa nas nossas vidas.

Desde que eu tinha ido na clínica geral, no final ano passado, até o momento de realmente conseguir engravidar, eu já tinha perdido dois quilos. Mesmo assim estava acima do peso, não estava me cuidando como deveria – e queria -, me enganava muitas vezes dizendo que já estava fazendo o suficiente para perder peso e cuidar da saúde… Quando nem esforço estava fazendo.

Ah, mas foi só descobrir que estava grávida para que tudo mudasse! Já na primeira consulta eu falei para a minha obstetra: Acho que vou emagrecer um pouco nesse início. Ela disse que “esse não é o momento de fazer dieta”. Claro que não é! Mas eu sabia que não teria mais coragem de comer a quantidade enorme de besteiras que estava comendo e que por isso, seria inevitável perder peso.

De qualquer maneira, para não fazer nada errado, fui em uma nutricionista de grávidas e conversei sobre tudo que eu comia até então e pedi uma orientação para uma reeducação alimentar. Passei a me alimentar de uma maneira muito mais saudável, com diversos tipos de frutas, cortei os sucos, acrescentei fibras, legumes, verduras que nunca comia e cortei doces, gorduras e frituras ao máximo. É claro que também eliminei as cervejinhas e os vinhos.

O resultado? Emagreci sete quilos em três meses. Não diminuí a quantidade de comida, mas passei a me alimentar muito, muito melhor. Passei a me sentir mais bem disposta e até mais feliz. Senti mudanças no meu corpo e mesmo com a barriguinha crescendo, as roupas que não cabiam mais em mim há algum tempo, estão servindo todas agora.

Por isso eu sempre tive muito claro na minha cabeça a importância de saber o momento certo de engravidar. O momento certo é aquele que estamos dispostos a mudar de vida sem que isso seja um peso, problema, um fardo para carregar. A minha reeducação alimentar não foi nenhum sacrifício, fiz com alegria. E sempre que eu como uma coisinha ou outra “mais gordinha”, não fico nem com vontade de comer mais um pedaço. Na verdade, parece até que já não gosto mais de nada daquilo como eu gostava antes. Agora, tenho uma coisinha muito maior que tudo isso e que me faz ter um prazer danado de buscar ser uma pessoa melhor a cada dia que passa.

Não emagreci sem orientação e nem mesmo fazendo dieta. Além da obstetra, fui na nutricionista para fazer tudo certinho. A reeducação alimentar está me deixando mais saudável, disposta e pronta para os próximos meses que vão vir por aí. Hoje foi dia de consulta e a minha obstetra – que é a mais fofa do mundo, Priscila Pyrrho – ainda disse que eu ganhei estrelinha (risos), pois mudei realmente para melhor desde que a Julia chegou na minha vida.

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