04 de Abril de 2017

Todos acham que estão certos

Todos acham que estão certos. Eu também. Mas muitas pessoas passam a vida inteira acreditando que estão mesmo certos, sem se questionar em nenhum momento. Acho que é natural do ser humano ter uma reação rápida em resposta a uma ação. Mas quanto mais a gente conseguir aumentar o tempo de resposta para alguma coisa, com mais clareza conseguiremos pensar.

– Feia!

– Feia é você!

Quem nunca?

Acho que é quase como um reflexo. Me ofendeu? Falou algo que eu discordo? Disse alguma coisa que eu não aceito? Tooooooooooma uma resposta em segundos. Algumas vezes o arrependimento bate. Outras vezes, seguimos com a certeza de que estávamos com a razão.

Ontem mesmo, assistindo ao Big Brother, o meu sangue subiu e lá fui eu desabafar na internet a raiva que eu senti do casal treta dessa edição. “Eles estão errados! São desprezíveis” soltei aos quatro ventos. E de certa maneira, é mais ou menos o que eu realmente penso. Mas espera aí… Quem disse que eu sou a dona da razão? Quem disse que eu nunca errei? Quem sou eu para apontar o dedo para alguém dizendo o quanto ela não é certa?

O que é o certo? E por que todos acham que estão certos o tempo todo?

Estou lendo mais um livro sobre a Dinamarca – esse é um tema que tem me interessado demais e que estou achando que está me fazendo crescer como pessoa – e logo na introdução o autor fala sobre a ideia de certo e errado. E eu fiquei refletindo sobre isso. Nesse início do livro, o autor fala sobre como cada país tem a sua própria cultura e como as pessoas estranham quando chegam em um lugar diferente daquele que estão inseridas durante toda a vida. “Ah, mas eles são estranhos. Nós é que somos certos”. Por quê? Quem disse isso?

Mais uma vez eu venho com a minha teoria da caixinha. Podemos sempre viver dentro da nossa caixa, com as nossas certezas, os nossos conceitos, as nossas verdades. Podemos olhar para a caixa ao lado e pensar: “Olha como eles não prestam!” “Olha que absurdo como eles vivem” “Meu Deus! Será que essas pessoas não possuem moral, ética?” “Como pode ser capaz de fazer isso?”.

Ou eu posso esticar o meu pescoço, achar estranho em um primeiro momento e até mesmo sentir raiva de tudo aquilo. Mas a opção de voltar para a caixa ou de olhar mais profundamente o outro cenário, só depende de mim. E essa escolha eu acredito que vai ser o que vai definir quem eu vou ser como pessoa. Posso escolher ser para sempre alguém intolerante, preconceituosa e por aí vai. Ou posso decidir que quero tentar ser mais altruísta, alguém que consegue se colocar mais no lugar do outro, alguém que se preocupa em se transformar em uma pessoa melhor, ter mais empatia, respeito e um entendimento melhor das diferenças de toda a população do mundo.

Digo isso, pois eu sinceramente acho que quando conseguimos olhar para fora da caixa, passamos a nos transformar como pessoas. E não é para isso que estamos aqui? Evoluir?

É claro que essa não é a tarefa mais fácil. É claro que vamos falhar muito mais do que acertar, mas eu sinceramente acredito que não é uma missão impossível.

Ainda falta muito para que eu consiga manter o pescoço definitivamente fora da caixa, mas eu estou tentando. Seria mais fácil acreditar em um mundo mais “certinho” – e aqui seria tudo aquilo que eu cresci acostumada a viver. Pela família, amigos, ambiente social que sempre fiz parte. – do que querer olhar para os outros mundos que vivem bem perto de mim.

Mas eu quero fazer cada vez mais o exercício de não cair no grupo do “todos acham que estão certos” e ser aquele alguém que vai conseguir olhar mais o “certo” de quem é totalmente diferente de mim. Por pior que aquela pessoa possa parecer. E tentar entender o motivo dos nossos “certos” serem tão diferentes.

Mais uma pequena historinha sobre o “Todos acham que estão certos”

Há um tempo, uma pessoa que eu nunca fui muito chegada, fez aquela coisa chata de “indiretas no Facebook”, sabe? Uma indireta que eu tinha certeza que tinha sido para mim e que foi confirmada depois por outras pessoas. Não costumo me importar muito com esse tipo de atitude e nem mesmo de vestir a camisa de quem jogou no ar algo para mim. Mas nem tudo é inocente. Algumas indiretas são bem prejudiciais. Algo feito realmente na maldade e para te queimar de alguma maneira. E o pior, profissionalmente. Sabe quando uma pessoa não consegue brilhar e crescer por mérito próprio e precisa destruir quem está perto para tentar ser o destaque sozinha? Então. É mais ou menos isso. E esse tipo de coisa sempre me fez mal. Competição não é para mim.

Naquela época, eu quase fui falar com a tal pessoa. Mas Vinicius – que tem uma alma muito mais evoluída que a minha – disse que não valia a pena e que de repente, aquelas indiretas eram realmente uma verdade na vida daquela pessoa, que deveria ser muito amarga e sozinha.

Mas aí o tempo passou. Eu não revidei, não respondi e nem desejei o mal daquela pessoa. Apenas parei de seguir nas redes sociais e evito até hoje trocar mais do que uma ou duas palavras quando infelizmente preciso encontrar. E hoje, tudo aquilo que estava sendo destilado nas indiretas é exatamente o que a pessoa vive. Mas para a pessoa, esse cenário hoje é o certo, é o que todos deveriam viver.

Ou seja…

“Se na minha caixa não tem alegria e felicidade, ninguém pode ter amigos, sair e ser feliz. Todos precisam ficar na frente do computador o dia inteiro”

“Se na minha caixa não tem fome, eu não posso compreender o que uma pessoa pode ser capaz de fazer para não sentir a dor de não ter o que comer”

“Se na minha caixa não tem riqueza, eu não posso tolerar que em outras caixas as pessoas tenham sucesso com o que fazem e que ganhem muito dinheiro com aquilo”.

Como assim? Todos acham que estão certos o tempo todo, pois ninguém quer ter o trabalho de olhar os outros cenários, avaliar as outras circunstâncias vividas pelos outros. É mais fácil estar sempre certo do que entender que criações são diferentes, culturas também, oportunidades não são iguais e que cada um tem um perfil diferente.

Cada um tem o seu tempo, suas vontades, fraquezas… E infelizmente, todos possuem muitas certezas. Acho que seria muito melhor se as dúvidas fossem muito maiores do que as certezas, sabe?

Sei que não vou mudar o mundo e nem é isso o que eu quero fazer. Também não quero mudar ninguém. O que eu realmente quero é me transformar em uma pessoa melhor a cada dia. Quero ser alguém que busca cada vez mais mundos, cenários, contextos para que eu consiga julgar menos. Quero compreender mais. O mundo já está intolerante demais e se eu puder ser menos uma nessa cota, já está de bom tamanho. Sabe aquela frase, “seja a mudança que você quer ver no mundo”? Acho que é por aí. Como esse estar sempre certo é algo que vem me incomodando cada vez mais, então para que isso comece a mudar na minha caixa, é melhor que eu acabe com minhas certezas e aprenda com as minhas dúvidas. Sempre entendendo que ninguém é igual a ninguém e que a maior parte das verdades não são absolutas.



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19 de Janeiro de 2017

Pensando sobre felicidade e o suco de laranja

Essa semana eu me peguei pensando muito sobre felicidade. Até mesmo lancei umas reflexões sobre o tema no Facebook e no grupo dos meus amigos malas. Nem sempre paramos para pensar nessas coisas e elas são pontos tão importantes na nossa vida. Como podemos não pensar um pouco em felicidade todos os dias? O que te faz feliz?

É claro que todas essas coisas não vieram de repente. Estou lendo um livro chamado – O segredo da Dinamarca – e a autora resolve fazer uma pesquisa depois de se mudar para uma cidade na Dinamarca, para entender o motivo do país estar entre os países mais felizes do mundo.

E no meio de toda aquela pesquisa, no dia que ela viveu uma experiência muito aguardada pelos dinamarqueses, ela se questionou: Será que essas pessoas são tão felizes com o que possuem por aqui, com a maneira que vivem, apenas por não conhecerem outra maneira de viver? Será que se tivessem outros tipos de experiências e depois voltassem para a Dinamarca, será que elas continuariam em um elevado estado de felicidade?

Fiquei pensando sobre aquilo. Realmente não podemos sentir falta de alguma coisa se não conhecemos aquela coisa. Mas o que é melhor? Não conhecer para que depois não tenhamos que sentir a falta dela ou viver experiências maravilhosas, mesmo que apenas uma vez na vida? Essa pergunta ficou martelando na minha cabeça por muito tempo. Fechei o livro, olhei para o teto e fiquei pensando, pensando…

Muitas vezes associamos a felicidade com o que temos e não com o que somos. Um amigo no Facebook escreveu: felicidade  é questão de ser. E é verdade. Depois de muito pensar sobre os questionamentos do livro, concluí que a gente pode escolher ou não ser feliz. E também podemos escolher ser felizes com o que temos ou o com o que somos. Se você decidir que para ser feliz precisa ter e ter cada vez mais, pode ser cada vez mais difícil conquistar os altos níveis de felicidade. Mas se você decidir usar cada experiência como algo que some a quem você é, ser feliz pode ser cada vez mais fácil

Se a gente levanta todos os dias decididos a trazer a felicidade para perto da gente, a gente consegue fazer isso. Colocamos uma música que faz a nossa alma dançar, evitamos ler o que não nos faz bem, buscamos estar perto de quem amamos e também procuramos encontrar pequenas coisas que nos deixam felizes, dentro e fora de nós mesmos.

Hoje, por exemplo, enquanto eu escrevia esse texto, meu marido fez um suco de laranja para mim. Olha só que coisa simples! Mas o simples deixou o meu dia ainda mais alegre. O carinho dele, junto com o suco que eu mais adoro… A laranja estava docinha, deliciosa. Pequenos fragmentos de felicidade. Poderia nem mesmo ter dado muita bola para aquilo. Um suco? Um carinho extra do marido? Mas preferi fazer com que isso deixasse o meu dia ainda mais especial.

Podemos diariamente escolher ser dominados pelos problemas, pela preguiça, pela falta de vontade de fazer diferente. Ou podemos escolher fazer uma caça ao tesouro. Achar momentos felizes em tudo – ou quase tudo – que estamos fazendo ao longo do nosso dia. Acho que felicidade pode ser, sim, uma questão de opção. Mas precisamos trabalhar bastante para encontrar cada vez mais ela dentro da gente. Muitas vezes jogamos para o outro a responsabilidade de algo que é tão importante para a gente. Ninguém é obrigado a nos fazer felizes. Nós é que precisamos buscar esse estado de espírito. Concordam? Não deixem de me contar o que vocês pensam sobre felicidade.




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