02 de Outubro de 2017

O enxoval da Julia – Presentes e “Herança”

Se eu contar que nós (Vinicius e eu) não compramos nenhuma roupinha para o enxoval da Julia do 0 aos 6 meses vocês acreditam? Pois é verdade. Assim que fiquei grávida, minha prima – que teve uma filha no final do ano passado – pediu que eu esperasse antes de comprar qualquer coisa, pois ela me daria tudo o que tinha comprado para a Alice (filha dela). Adorei aquela “herança”, pois já sabia que nessa fase o bebê cresce bem rápido e perde as roupinhas na mesma velocidade.

Foram três sacolas enormes de macacões e vestidinhos praticamente novos. Afinal, o neném quase não tem tempo de usar todos eles. Alguns ainda estavam até mesmo com etiqueta. Que maravilha!

Além disso, amigas e – é claro!!!! – minha mãe resolveram mimar a Julia com uma roupinha mais linda que a outra e muitos, muitos sapatinhos.

Confesso que até tive muita vontade de comprar alguma coisa para a Julia também. Mas sinceramente, é só andar pelas lojinhas de Niterói para perder essa vontade, pois a gente não encontra nada diferente e fofo. É muito mais do mesmo e ainda por cima caro. Gastar dinheiro só para dizer que fui eu que comprei? Não dá, né?!

Conversando com uma amiga ela disse que conhece pessoas que não aceitam esse tipo de coisa, pois acham que a criança “tem o direito” de ter roupinhas novas e que os pais precisam comprar todo o enxoval. Fiquei pensando em como isso é uma grande bobagem e em como estamos cada vez mais mergulhando em um mundo de futilidades e consumismo.

É claro que se eu passasse por um vestidinho irresistível ou por um macacão que me deixasse louca… Acabaria não resistindo. Afinal, é a minha primeira filha! Mas – graças a Deus! Risos… – eu ainda não caí em nenhuma tentação no estilo Becky Bloom.

Outro dia eu coloquei no Instagram a foto da gavetinha  de sapatos e acessórios já toda arrumadinha – na verdade, não sei nem se era para isso essa gaveta da cômoda, mas como ela vem toda divididinha e como eu tinha ganhado vários sapatos e lacinhos, achei que seria uma ótima utilidade para ela – e algumas amigas comentaram sobre a quantidade de sapatos, provavelmente achando que eu tinha exagerado nas compras.

Óbvio que eu não teria feito essa loucura, pois acho até bizarro um bebê que ainda não anda ter mais sapatos que a mãe. Risos! Mas como a Julinha teve a sorte de herdar e de ser presenteada com tantas fofuras, quando eu achar que vale um sapatinho, não faltarão opções para enfeitar os pezinhos dela.

Mas posso ser bem sincera? O que eu pretendo é que a Julia cresça e goste de andar descalça, que use muitas roupas para brincar, que não ligue para marcas e que não se empolgue com uma tarde de compras. Sei que um dia essa fase vai chegar, mas espero que assim como eu cresci, que ela reconheça valores muito maiores nas coisas que realmente valem a pena na vida.

Não recrimino e até acho fofo as mães que passam para suas filhas o amor pela moda – lembro que adorava ver fotos da Suri Cruise desfilando modelitos adoráveis pelas ruas. Mas como não é o meu perfil amar um programa de compras nos shoppings da vida, não vai passar a ser também uma paixão minha vestir a Julia com grandes marcas e  roupinhas “tal mãe, tal filha”. Enquanto eu puder interferir, vou querer que ela se vista como criança e que aproveite bem a vida dessa mesma maneira.

Não quero pensar em quanto gastei naquela roupa linda! Quero pensar no quanto ela está confortável para brincar na terra, correr e se sujar. Já disse que joelhos ralados são importantes para uma infância completa, não é?

Ainda tento frear a minha mãe, pois se deixar… Ela quer comprar o mundo para a Julia, mas aos poucos seguro a onda dela. Sei que é a primeira neta e que ela quer dar tudo de melhor para ela, mas não precisa encher de coisas que ela mal vai usar. Até que ela está conseguindo segurar a ansiedade por enquanto e dá presentes lindos quando encontra roupinhas diferentes, mas já cortei o barato dela de querer dar tudo – desculpa, mãe! Risos.

Espero que a Julia cresça entendendo os valores que quero passar para ela. No mundo tão louco que estamos vivendo hoje, acho que mais do que nunca dar valor ao que realmente importa é essencial. E ao invés de ficar com vergonha, tenho o maior orgulho de dizer que não gastei nem um real com o enxoval de roupas da minha filha e que ela já é uma menina de sorte por poder herdar e ganhar presentes tão lindos quanto os que ela ganhou.



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09 de Fevereiro de 2017

Um dia de compras

Semana passada tive um dia de compras com a minha mãe para que eu pudesse escolher uns presentinhos de aniversário. Confesso que não sou a pessoa mais apaixonada por compras, mas como eu realmente estava precisando de roupas, achei que seria um bom presente. Não sou aquele tipo de mulher que adora passar horas em um shopping, olhando todas as vitrines, entrando em diversas lojas… Normalmente, na terceira a minha paciência já está no limite.

Sabendo de tudo isso, minha mãe concordou em ir comigo em uma das minhas lojas favoritas. Lá, sei que posso olhar tudo com calma, sem que ninguém me empurre nada e que posso ficar o tempo que precisar experimentando o que escolhi, sem ter que responder se gostei ou não enquanto decido.

Escolhi uma calça e uma blusinha linda! Já estava feliz com as novas aquisições, mas a minha mãe estava se achando o Netinho no Dia de Princesa e resolveu que eu precisava de mais coisas. E aí começou o meu drama.

– Nanda, a gente quase nunca faz isso! Vamos na loja que eu amo!!! Lá tem tanto vestidinho fofo… Você vai amar!

Para ser boazinha, concordei e lá fomos nós.

Entramos na loja e realmente encontrei vestidos fofos. Pedi para que a vendedora separasse alguns e quando terminei de ver tudo, fui para o provador. Naquele momento, começou o meu inferno.

Para começar, a cortina não fechava completamente.

– Pode ficar tranquila! Só tem mulher aqui – avisou a vendedora.

O problema é que eu gosto de privacidade quando vou experimentar roupas. Gosto de olhar, olhar e olhar antes de pedir a opinião de outra pessoa. Sabia que assim que colocasse o vestido, minha mãe já ia pedir para ver.

Bobinha…

Seria tão bom se o problema fosse esse!

Assim que comecei a tirar a minha roupa e peguei o primeiro vestido, a vendedora abriu a cortina.

– Deixa eu te ajudar!

Meu Deus! Eu poderia vestir sozinha sem problema algum. Agradeci e disse que não precisava de ajuda.

Ainda estava puxando o vestido para baixo, quando ela abriu mais uma vez a cortina e começou a dizer que era lindo. Estava horrível.

Olhei para dentro do provador já ficando com raiva de ter escolhido mais de cinco vestidos para experimentar. Puxei a cortina por cima, tentando esticar o máximo possível, para ver se ela se mancava que eu estava querendo privacidade. Mas ela não entendeu. E para piorar, a gerente resolveu ficar por ali também para dar palpite.

Vesti mais um e o episódio anterior aconteceu da mesma maneira. Fiquei irritada.

– Olha, não gostei de nada! – avisei.

– Mas você nem experimentou esses outros – falou querendo me empurrar pelo menos um. – E esse está lindo!

Até poderia estar, mas nem no espelho eu consegui olhar. Que raiva!

– Pensei melhor e não gostei. Não vão ficar bons. Não gostei de nada – falei quase em desespero.

Risos!

Entrei, vesti a roupa e saí de lá.

Minha mãe adora esse tipo de coisa. Ama vendedoras que ficam em cima, que querem agradar totalmente. Eu DETESTO. Esse tipo de coisa me faz querer sair correndo da loja para nunca mais voltar.

E não volto mesmo.



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