18 de Janeiro de 2017

Fazer o bem faz bem – Entrevista com Jules Vandystadt do projeto Cantareiros

Todos os dias eu desço para caminhar no horário do programa Encontro, com a Fátima Bernardes. E em um desses dias, um pouco antes do Natal, eu quase caí da esteira, pois fiquei completamente emocionada com o vídeo que estava passando no programa sobre o projeto Cantareiros. Desacelerei e prestei atenção em cada um daqueles rostos que aparecia na tela da televisão. Todos estavam emocionados ao falar daquele projeto tão lindo, que leva música para hospitais, asilos e orfanatos.

Voltei para casa completamente determinada a entrar em contato com eles para fazer uma entrevista aqui para o blog, na minha amada coluna de quarta-feira. Procurei mais informações sobre o grupo de artistas que doa seu tempo para fazer o bem para outras pessoas e encontrei o fundador do Cantareiros – Jules Vandystadt . Enviei uma mensagem e fiquei muito feliz com a resposta dele.

Leia a entrevista e conheça um pouco mais sobre esse lindo projeto que leva energia, alegria e muita coisa boa para todos que estão precisando.

– O grupo Cantareiros nasceu em meados de 2007,  “quando um grupo de sete cantores experientes se reuniu com o simples objetivo de, através do canto, levar um pouco de alegria e arte a pessoas mais carentes, como crianças em orfanatos, abrigos, ONGs, idosos em asilos, e doentes em hospitais”. Mas como foi que essa ideia surgiu? Como nasceu essa vontade de usar o talento de vocês para fazer o bem para outras pessoas?

Surgiu de uma vontade minha de justamente usar o talento que eu tinha para cantar e para compor arranjos vocais, para oferecer esse trabalho a pessoas que talvez não tivessem acesso de outro jeito. Eu sempre soube do poder transformador que a música pode exercer na vida das pessoas, já presenciei isso em diversas ocasiões. Então, sabia que o esforço da minha parte seria pouco se comparado ao efeito que poderia causar nas pessoas envolvidas. Em 2007, falei com alguns poucos amigos, fiz alguns arranjos de Natal e fomos cantar numa ONG no morro do Cantagalo, onde na época eu fazia trabalho voluntário dando aulas de inglês, o Solar Meninos de Luz.

O projeto ainda não tinha nem nome, não tinha nada. Éramos somente amigos dispostos a fazer aquilo. Apenas em 2009 foi que consegui estruturar da forma que é até hoje. Porém, naquela época, com números ainda muito menores.

– Conheci o Cantareiros assistindo o programa da Fátima Bernardes. Fiquei completamente emocionada com os vídeos que eles exibiram do trabalho de vocês. O que achei mais bonito foi ver como vocês estavam com os olhos brilhando enquanto cantavam para as pessoas do hospital. Sempre achei que fazer o bem faz bem não só para quem recebe, mas também para quem dá. É essa a sensação de vocês quando acabam mais uma apresentação?

A troca é imensa, transcendental mesmo. O objetivo da gente é mostrar para essas pessoas que a vida ainda é linda, saudável, alegre, apesar dos problemas. Oferecer carinho e afeto através de uma linguagem que não conhece barreiras, que entra direto no coração: a música. E além de tudo, a música, vocal, cantada, vozes em harmonia, o que torna tudo ainda mais poderoso. É como se um mundo mágico de repente entrasse pela enfermaria adentro, inesperadamente. Isso é muito impactante para quem presencia, e nós podemos sentir na pele. Esse sentimento é diretamente proporcional à gratidão e à alegria que sentimos, todas as vezes. Quando saímos de cada visita parece que tomamos um banho de luz e de amor.

– Nesses quase dez anos de projeto, qual foi o momento mais emocionante que vocês viveram?

É difícil contabilizar e lembrar, pois cada cantor vive experiências diferentes, com pessoas diferentes e em lugares diferentes. Tudo é muito pessoal, as histórias muitas vezes acontecem com uma pessoa do grupo, outras são presenciadas por todos. Já tivemos diversos casos de pacientes em depressão profunda que abriram um sorriso durante a música, depois de meses de apatia total. Teve um rapaz que acordou do coma durante a canção, simplesmente abriu os olhos – ele havia sido baleado na cabeça numa tentativa de assalto. Numa outra ocasião uma senhora que não falava há 4 meses, internada no CTI, ao final da canção disse “obrigada”. Assim como essas são inúmeras histórias, várias delas nos chegam posteriormente – relatos de médicos e enfermeiros que nos contam o que ocorre depois.

– Já aconteceu de alguém que ouviu vocês cantando – pacientes de hospitais, idosos ou crianças – pedirem para fazer parte do projeto?

Isso acontece em quase todas as visitas. Eu recebo e-mails e mensagens diárias de pessoas que ouviram o grupo e estão interessadas em entrar, desde pacientes até médicos, enfermeiros, parentes, acompanhantes. Tem de tudo.

– Antes do Cantareiros, você participou de algum projeto social? Como aconteceu esse sentimento de solidariedade em você? Isso vem desde criança?

Antes do Cantareiros eu fui voluntário na ONG Solar Meninos de Luz, dava aulas de inglês lá. Mas sempre fui tocado por atos de solidariedade, sempre acreditei que a solução para os problemas do mundo é simplesmente mais amor, mais compaixão, mais carinho e respeito. O altruísmo sempre foi um traço marcante da minha personalidade. Eu acredito que a função da arte, seja ela qual for, é a de deixar o mundo mais belo, mais unido, com mais leveza. Se eu nasci com um certo talento, ele me chegou “de graça”, então porque não oferecê-lo gratuitamente? Isso traz sentido ao ofício de artista, penso eu. E a música, como eu disse, é uma linguagem que não conhece filtros, todos sabemos. Fala direto com a alma, não existe verniz ou qualquer coisa do tipo. É muito comum nós presenciarmos as pessoas mais endurecidas com os olhos marejados, as mais revoltadas se entregando a emoção. É uma catarse com elevado poder de cura. Cura física, emocional e mental.

– Hoje você é ator, cantor e diretor musical. Como a música virou uma paixão e profissão na sua vida?

Eu estudo música desde muito pequeno, comecei com uns 8 anos. Sempre estive envolvido com música durante a adolescência (piano) e posteriormente com canto também (o que nunca estudei de fato). Mas só aos 26 anos que resolvi que transformaria isso na minha profissão. Foi aí que prestei vestibular novamente e entrei pro curso de Licenciatura em Música na UNIRIO. A partir daí entrei pro teatro musical, e uma coisa foi puxando a outra. Hoje em dia eu também produzo música pra TV e cinema, além do teatro.

– Você acredita que se todas as pessoas buscassem a solidariedade dentro de si, hoje o mundo seria um lugar melhor?

Acredito que essa é a ÚNICA maneira do nosso planeta caminhar pra frente, evoluir moralmente e espiritualmente. A solidariedade te aproxima das pessoas, te faz ver que você não é nada diferente delas, apesar das diferenças sociais, de cultura ou credo. Na hora da dor todo e qualquer ser humano é igual, têm as mesmas necessidades e carências. Em qualquer lugar do mundo, em qualquer época. Se envolver com trabalhos solidários te faz colocar sua própria existência em perspectiva, te faz relativizar e perceber o quão iguais todos nós somos, e o quanto podemos fazer a diferença na vida do nosso próximo.

– Existe algum sonho que você pretende realizar com o Cantareiros?

Existem muitos (risos). O mais imediato deles é conseguir expandir o projeto para outras capitais do país. Agora nós somos uma ONG, e assim tudo ficará mais fácil. Além disso, eu gostaria muito de conseguir uma sede aqui no Rio, um espaço para servir de base, onde pudéssemos desenvolver atividades artísticas voltadas para comunidades carentes. Uma van também seria muito legal. Digo isso pois durante o ano o transporte é todo por nossa conta. Mas enfim, para o Cantareiros tudo sempre chegou muito fácil, então eu acredito que todos esses planos, e outros tantos que nem eu mesmo ainda vislumbro, serão possíveis.

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Também ficou encantado pelo Cantareiros e quer  conhecer um pouco mais sobre eles? Confira a página do Facebook, curta e compartilhe. Espalhar o bem faz bem. 




Adoro ouvir histórias de pessoas que tiveram a coragem de transformar um sonho em negócio. Não deixe de ler as outras entrevistas que já rolaram por aqui e não se esqueça que toda quarta tem mais um convidado.

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24 de Dezembro de 2016

Eu acredito em Papai Noel

Como o próprio título já diz: Sim, eu acredito em Papai Noel. Desde novinha, sempre fui apaixonada pela magia do Natal. Não é exatamente pelo bom velhinho que traz presentes materiais, mas por essa atmosfera que parece realmente de fantasia e que faz com que boas coisas aconteçam nessa época do ano.

Quando eu tinha uns seis, sete anos, resolvi fazer uma campanha de doação de brinquedos no prédio que eu morava. Meus avós tinham casa em Maricá e pertinho deles, várias crianças – que eram minhas amigas – não tinham grana para presentes de Natal e eu queria que elas pudessem amar o Natal tanto quanto eu.

Lembro que ajudava minha mãe a limpar e pentear as bonecas que a gente recebia e depois lembro de embalar cada um dos brinquedos em papel de presente. Também nunca esqueci a alegria que senti ao poder distribuir os presentes para todas aquelas crianças da minha idade ou um pouco maiores do que eu. Como era novinha, não lembro de tudo com muitos detalhes, mas lembro de duas amigas – Carla e Camila -, que nunca mais vi, mas que ficaram MUITO felizes ao receberem duas bonecas de presente e como brincamos com elas nos dias que vieram depois do Natal.

Não sei se foi isso ou se é uma característica que sempre existiu em mim, mas fazer o bem sempre me fez bem. Ver o sorriso do outro sempre foi mais importante para mim do que qualquer coisa que eu pudesse ganhar. Por isso, como posso não acreditar em Papai Noel? Acho que o bom velhinho, quando chega o Natal, espalha um pozinho invisível pelo ar que faz com que algumas pessoas comuns se transformem em ajudantes para levar alegria em forma de presente, amor, carinho, cuidado, solidariedade para pessoas em todos os lugares do mundo.

Seja o Papai Noel que resolve adotar uma cartinha do correio, ou o que convida amigos que vivem sozinhos para uma noite especial com sua família, ou aqueles que ajudam alguma instituição, visitam abrigos ou que fazem o bem para alguém de alguma maneira.

Eu sempre gostei muito de conhecer outras culturas, de fazer amigos de todos os lugares do mundo. Lembro que um dia eu conheci um menino que era da Estônia e a gente conversava sobre os mais diversos temas. Um dia, perto de um dezembro qualquer, estávamos falando sobre a cultura do Natal. Eu falei para ele que ele morava tão pertinho “do papai Noel de verdade”, se ele já tinha ido na casa dele na Finlândia. Ele disse que não, mas que já tinha acontecido um fato bem curioso com um amigo dele e com o tal Papai Noel. Óbvio que no mesmo instante me interessei pela história. Ele contou que o amigo dele, depois de grande mesmo, resolveu escrever uma carta para o Papai Noel da Finlândia. Na carta ele contou que desde criança sempre sonhou com uma coleção de Lego – que já não lembro mais qual era -, mas que a família dele nunca teve grana e por isso ele cresceu sem poder realizar aquele sonho de criança. Todo ano ele esperava pelo bom velhinho que não vinha. Sabem o que aconteceu? Naquele ano ele recebeu a caixa de Lego que ele sempre quis, com uma cartinha escrita pelo Papai Noel.

Como não ficar encantada com essa magia?

Nesse ano eu também li o livro Cartas Extraordinárias e uma das cartas do livro é do editor de um jornal respondendo a carta de uma menininha que escreveu dizendo que achava que Papai Noel não existia. “Ah, como seria triste o mundo se não houvesse Papai Noel. Não haveria, então, a fé infantil, a poesia e o espírito de aventura que torna a existência tolerável. Não teríamos prazer além dos sentidos. A luz eterna com a qual a infância inunda o mundo estaria extinta. Não acreditar em Papai Noel! Seria o mesmo que não acreditar em fadas.” – ele respondeu.

Entenderam o que eu quero dizer? Não importa se o Papai Noel nem sempre é o velhinho barrigudo, de barba branca e roupa vermelha, o importante é a gente sempre carregar no coração a magia que o pozinho invisível traz para a gente. Algumas pessoas conseguem guardar essa magia durante o ano inteiro, mas se todos pudessem ser Papai Noel pelo menos uma vez na vida em um Natal, a magia nunca vai terminar e a solidariedade sempre vai existir.

E não, não acredito apenas nos ajudantes do Papai Noel, eu realmente acredito no Papai Noel. Sabe por quê? Além de todas as coisas que aconteceram em todos os anos da minha vida, vou contar mais duas que são muito especiais. Em 2006, eu e Vinicius não estávamos juntos. Ele estava em um intercâmbio nos Estados Unidos com a menina que ele namorava e eu também tinha outra pessoa. No Natal, viajei para Gramado. Lá, tudo é tão lindo, que parece que estamos vivendo um sonho. Tinha um espaço lá que se chamava Aldeia do Papai Noel (que dizem não estar tão legal como era quando eu fui). Mas lembro como se fosse ontem de cada detalhe do lugar. Era tudo tão lindo que fazia a gente voltar a ser criança de novo. E depois de um passeio por todo aquele espaço encantado, caímos em uma sala com um Papai Noel lindo. Minha mãe me olhou sem acreditar “Fernanda, com 23 anos na cara, você vai mesmo tirar foto com o Papai Noel?” Claro que sim. E não foi apenas foto, abraçada com aquele que poderia ser o de verdade ou um ajudante – risos – eu fiz o meu pedido, do fundo do meu coração. Queria que tudo desse certo. E ele respondeu “vai dar”.

É claro que ele responderia aquilo para qualquer um, mas não importa. Naquele momento ele foi o meu Papai Noel mágico, como aqueles dos filmes que eu tanto amo. Eu andava com a cabeça e o coração partidos. Tinha reencontrado Vinicius, mas estávamos namorando outras pessoas e apesar de ter sentido meu coração acelerar quando eu o vi naquele ano, não sabia se a gente voltaria a se encontrar e muito menos se voltaríamos a ficar juntos um dia. Também não queria magoar ninguém. Era uma situação muito difícil. Mas aquele “vai dar” dito por uma pessoa vestida de Papai Noel realmente me fez acreditar que daria. E deu.

E se tudo isso não bastasse, ano passado, depois de pedir durante quase três anos para que Vinicius deixasse eu ter um cachorrinho, resolvi colocar o meu pedido nas mãos do Papai Noel que tenho na minha árvore de Natal. E agora, vem mais uma vez a mágica que eu tanto falo…

No início de janeiro Vinicius teria que embarcar durante uma semana e eu odeio ficar sozinha. Falei: poxa, Vi! Mais do que nunca, esse é o momento de ter o nosso cachorrinho. Naquele mesmo dia eu falei com uma amiga que tinha comprado um buldogue em dezembro. Pedi para ela ver se ainda tinha algum no canil que ela comprou. Ela disse que tinha apenas uma e era fêmea. Na hora, fiquei um pouco em dúvida, pois sempre quis macho. Sempre pensei em nomes masculinos para cachorro, nunca tinha pensado em uma fêmea. Vinicius continuava falando que ainda não era o momento de ter um cachorrinho. Estávamos indo para um samba em Santa Teresa e estávamos nas barcas com um casal de amigos. Contei que ia pegar uma cachorrinha na semana seguinte e do nada eu falei: como é um buldogue francês e a logo da minha editora é um cachorrinho com as orelhas iguais as do buldogue, vou chamar de Valentina, que é o mesmo nome da minha editora. Vinicius apenas riu e disse mais uma vez que ainda não teríamos um cachorro.

Chegando no samba, mandei mensagem para a dona do canil perguntando como tinha que fazer para registrar o nome no pedigree e ela disse que não dava mais para fazer aquilo, pois a cachorrinha já estava com três meses e eles registram todos logo no mês do nascimento, mas que eu não precisava me preocupar, pois ninguém costuma chamar o cachorro com o nome que vem no pedigree. Mesmo assim, quis saber o nome da minha cachorrinha e ela pediu um instante para pegar o registro. Quando a foto apareceu no meu whatsapp eu não pude acreditar: Valentina.

Não teve jeito. Vinicius não conseguiu mais deixar para depois e quando ela chegou, soubemos na mesma hora que ela tinha que ser realmente nossa, pois ela se encaixou perfeitamente na nossa família e foi amor dos maiores do mundo desde que chegou aqui. Como explicar tudo isso sem acreditar em Papai Noel? 😉

Sempre amei e sempre vou amar tudo isso. Nunca vou perder esse sentimento tão mágico que guardo dentro de mim, essa alegria que sinto quando dezembro se aproxima, esse encantamento pela magia do Natal.

“Você poderia fazer seu pai contratar homens para viajar todas as chaminés e pegar Papai Noel no Natal. Mas mesmo se eles não virem Papai Noel descendo, o que isso provaria? Ninguém vê Papai Noel, mas isso não quer dizer que Papai Noel não exista.”

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