27 de Junho de 2017

Qual é a graça de fingir que vive o que não vive?

Estava dando uma olhada nas notícias do dia e encontrei o seguinte título:

Subcelebridades pagam hospedagem do Fasano para abastecerem Instagram pelo ano todo

Lendo a notinha do Ancelmo Gois, descobri que a história era sobre duas pessoas que pagaram uma diária no Fasano, mas que trocaram de roupa (sunga) diversas vezes para tirar fotos para serem usadas durante o ano todo, como se tivessem se hospedado no hotel várias vezes.

Ai, gente! Sério isso?

Prefiro acreditar que a coluna está errada e que na verdade as pessoas estavam fazendo um ensaio para um catálogo de moda praia – por que não, né? – e que tudo isso não passou de um engano do colunista. Mas em uma época de redes sociais pipocando vidas perfeitas, a gente sabe que esse tipo de coisa pode mesmo ser verdade.

Sinceramente, fico triste de saber como estamos ficando vazios. Mostrar realidades que nem mesmo são reais passou a ser mais importante do que realmente viver experiências. A troco de quê? Mais curtidas? Causar inveja nas pessoas? Por quê? Para quê?

Estou lendo um livro da Sophie Kinsella – Minha Vida Nem Tão Perfeita – que ela trata justamente disso. A protagonista vive de aparência. Se passa por uma confeitaria legal, aproveita enquanto alguém foi buscar algo para tirar foto de um café bonito como se fosse dela, quando na verdade ela não tem dinheiro nem para comprar um sanduíche na rua. E quando a gente acha graça por ser ficção, descobrimos que o mesmo realmente acontece na “vida real”.

Fico muito triste com essa geração de aparências. São tantos filtros, tantas camadas colocadas nas fotos para ficar melhor. Quilos de maquiagem para comprar um pão na padaria. A necessidade de viajar mais, sair mais, estar nos melhores lugares para ter fotos maravilhosas, de uma vida maravilhosa para mostrar para nem se sabe quem. Tudo por mais seguidores e mais likes.

Viver de aparências, na minha opinião, é não viver.

Torço por uma sociedade menos Black Mirror e mais Gilmore Girls! Risos!! Uma sociedade que prefere ser a ter. Mais verdade, menos toda essa bobeira de querer ser sempre o melhor. Não existe vida perfeita e quem segue essa galera “cool” demais no Instagram e acredita nessa vida perfeitinha, vai viver frustrado. Pois essa perfeição, essa vida maravilhosa de Fasanos o ano inteiro, restaurantes incríveis de domingo a domingo, sendo feliz 24h por dia… Não existe. Sinto muito! Mas dinheiro não traz felicidade e aparência muito menos. É feliz quem sabe aproveitar o que já tem, os pequenos e grandes momentos especiais, sem viver buscando o tempo todo aquilo que ainda não conquistou.

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