21 de Junho de 2017

Vale a pena conhecer a Bodega Bouza no Uruguai?

Só de pensar no assunto desse post, meu coração apertou de saudade! A Bodega Bouza é um passeio delicioso. E que vale até mesmo repeteco – pelo menos na minha opinião. Já tem bastante tempo que fomos. Conhecemos a Bodega Bouza em 2013, quando fomos passar a nossa Lua de Mel na Argentina e no Uruguai. Mas por que falar sobre isso agora?

Estamos tendo que abrir espaço em casa para a nova pessoinha que vai chegar no final do ano. Por isso, comecei a fazer uma arrumação no nosso quarto do meio. Arrumar lugares que não mexemos sempre, é como descobrir pequenos tesouros esquecidos. E um desses tesouros foram os meus cadernos. É claro que a minha arrumação é demorada, pois eu gosto de olhar tudo com calma e saudade. Foi assim que encontrei as minhas anotações da viagem de lua de mel e também todo o nosso planejamento. Como nunca falei da Bodega Bouza por aqui, resolvi fazer isso agora.

Quando decidimos passar a lua de Mel no lugar que eu mais amo – Argentina -, Vinicius quis incluir outro lugar que ainda não conhecíamos – o Uruguai. Mas o que fazer naquele país? Eu não tinha a menor vontade de conhecer nada por lá. Será que realmente valia a pena? Vinicius insistiu e começamos as pesquisas para decidir o que faríamos nos dias que ficaríamos no Uruguai. Dividimos 7 dias pelas cidades de Colônia de Sacramento, Montevidéu e Punta. Confesso que no final, eu fiquei triste por não ter mais dias para passar naquele país que roubou o meu coração.

Nas pesquisas que fiz, descobri que em Montevidéu existiam algumas vinícolas. É claro que me animei no mesmo instante e fui lendo opinião de visitantes sobre todas elas. Resolvemos conhecer a Bodega Bouza, que parecia ter fácil acesso  e uma visitação legal.

Já no Uruguai, pegamos um táxi que não sabia como chegar na vinícola, mas em poucos minutos ele resolveu o problema ligando para a Bodega Bouza para pedir informações sobre como chegar. Apesar de ser um pouco distante – levamos uns 15 a vinte minutos do Centro de Montevidéu até a vinícola -, a corrida de táxi foi barata e todo o resto foi maravilhoso!

A Bodega Bouza tem um espaço bem bonito. Na visitação, a menina vai contando a história da vinícola e explicando o que acontece em cada um dos lugares que passamos. Como fomos no outono, as árvores estavam secas, não tinham uvas. Mas isso não tirava a beleza do lugar.

Depois da visitação, que durava por volta de uma hora, fomos fazer a degustação dos vinhos. Tínhamos pedido na reserva um tipo de degustação para cada um – a mais cara era de vinhos especiais. Esperávamos provar todos os vinhos deles com aquela ideia. Mas aconteceu alguma confusão na reserva e eles acabaram anotando as duas degustações normais para a gente. Para compensar a minha carinha de decepção, eles serviram dois vinhos da degustação mais cara para que eu pudesse experimentar – e realmente eram ótimos!

Para acompanhar a degustação – que era MUITO bem servida, quase meia tacinha de cada um dos vinhos -, eles serviam uma tábua de pães e frios que estava deliciosa!! Quando a degustação acabou, ainda tínhamos todos os vinhos nas taças e resolvemos almoçar por ali. Recomendamos que todos façam o mesmo, pois o almoço na Bodega Bouza é uma delícia!!

Como já tínhamos comido a tábua de frios, resolvemos dividir um prato e pedimos a famosa carne uruguaia – MARAVILHOSA!!! -, com molho de vinho tannat e um purê. Hummmmmmmm… A comida foi deliciosa e deixou um gostinho de quero mais.

O Uruguai é um país que quero MUITO voltar! E a Bodega Bouza vai ser destino certo. Quero voltar a beber aqueles vinhos e poder experimentar todos os que não provei naquela ocasião. Só de pensar, já fico com água na boca… Mas enquanto a Julinha não chega, vou apenas lembrando de todos os vinhos deliciosos que já experimentamos por aí! Se você também é apaixonada por essa bebida e estiver com passagem para o Uruguai, não deixe de fazer essa visita. É realmente deliciosa.

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23 de Novembro de 2016

A paixão que virou negócio – Entrevista com o criador do clube Vinhos de Bicicleta

Um dia, quando ainda morava na casa da minha mãe, vi na internet um clube chamado Vinhos de Bicicleta. Já estava noiva, mas ainda faltava um ano para casar. Lembro que coloquei na minha lista de prioridades para depois do casamento a assinatura daquele clube de vinho. Desde quando me apaixonei por aquela bebida passei a buscar aprender mais e mais. E qual é a melhor maneira de aprender sobre o vinho? Degustando, claro.

Assim que voltamos de lua de mel, foi a primeira coisa que fiz. Além da cama, geladeira e fogão, o único móvel que tinha em casa era a minha bodeguinha linda, que foi presente de casamento de um grande amigo argentino. Precisava de vinhos para colocar nela e foi exatamente o que fiz.

bodeguinha-de-vinho

Logo que os primeiros vinhos chegaram, já fiquei encantada. As garrafas vinham acompanhadas de cartinhas que contavam a história dos vinhos e também davam dicas de como harmonizar as bebidas do mês. Fiquei tão apaixonada pelo cuidado e pelos vinhos escolhidos, que passei a indicar para diversos amigos – eu sempre sou assim, quando gosto de um serviço, faço questão de compartilhar com todo mundo.

vinhos-de-bicicleta-2

Além das ótimas escolhas dos vinhos, o cuidado no atendimento que sempre recebi me deixava ainda mais feliz. Qualquer dúvida ou problema – só aconteceu uma vez, quando uma garrafa veio quebrada, provavelmente por descuido dos Correios -, sempre fui atendida imediatamente – e o problema solucionado em instantes. Eles enviaram uma nova garrafa que chegou na mesma semana. Como não amar um serviço assim?

É claro que quando comecei a fazer essas entrevistas aqui para o blog, logo pensei em tentar entrevistar o Rodrigo Ferraz, criador do clube Vinhos de Bicicleta. Espero que gostem do nosso bate-papo e se inspirem para que também possam transformar uma paixão em trabalho.

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Como começou a sua relação com os vinhos?

Começou na faculdade, quando queria fazer um jantar em casa para namorada ou amigos. Na época eu comecei a despertar a vontade de servir algo além de refrigerante e cerveja barata nesses encontros. Inclusive, a paixão pelo vinho nasceu mais ou menos ao mesmo tempo que a paixão pela culinária, mas só o vinho virou profissão pra mim. A culinária continua sendo hobby e diversão.

No site você conta que o clube “Vinhos de Bicicleta nasceu de uma viagem para as bodegas de Mendoza, Argentina”. De que maneira essa viagem fez nascer o clube do vinho? E desde quando existe a marca Vinhos de Bicicleta?

O Clube Vinhos de Bicicleta nasceu em 2012, justamente por conta dessa viagem para Mendoza. Naquele ano eu já queria dar um novo rumo pra minha vida profissional, que não fosse dentro de agências de publicidade na cidade de São Paulo. Durante a viagem, alugamos algumas bicicletas antigas nas proximidades do hotel e fomos em busca das vinícolas artesanais de Lujan de Cuyo, um pequeno município rural dentro da província de Mendoza. Ali eu tive a oportunidade de conversar com diversos proprietários de bodegas pequenas e familiares, que me apresentaram alguns dos melhores rótulos que degustei por lá. Como o mercado de vinhos no Brasil é bastante focado nos grandes produtores, foi então que vi uma oportunidade e decidi trabalhar nesse nicho de mercado, ou seja, na comercialização de vinhos artesanais.

Antes de tirar a ideia do papel, você teve incentivo de familiares e amigos?

Na verdade houve incentivo sim, porque as pessoas com quem conversei acabaram enxergando uma boa ideia no projeto Vinhos de Bicicleta. Mas é lógico que existia um “pé atrás” de todo mundo, afinal empreender no Brasil é de fato arriscado. A carga tributária é tão pesada que os empreendedores brincam que o governo brasileiro acaba se tornando um dos principais sócios do negócio.

Qual é a melhor e a pior parte do seu trabalho?

A melhor parte sem dúvida é a paixão que tenho pelo que faço. É lógico que existem dias bons e ruins, mas nunca houve um dia sequer em que duvidei se é nisso mesmo que quero trabalhar pro resto da minha vida, afinal isso eu tenho certeza. Os vinhos, suas histórias, as pessoas que conheci por causa do trabalho são o que trazem hoje o meu sustento financeiro e também de minha alma. Já a pior coisa seria não saber quando eu poderei tirar as próximas férias, mas isso é algo a se relevar. (risos)

vinhos de bicicleta

Confesso que quando decidi assinar o clube, uma das coisas que mais me atraiu foi justamente o nome, pois me dava a ideia de ser um clube do vinho menos “comercial” e com mais “descobertas” e foi o que eu encontrei. Pela descrição do clube no site, vocês falam que a ideia da Vinhos de Bicicleta era a de ir atrás de bodegas boutique ou familiares para levar essas garrafas para os assinantes. A ideia continua a mesma desde o início até hoje?

A ideia continua a mesma e, inclusive, todas as novas frentes de negócio da empresa carregam esse mesmo conceito. Na loja física, loja virtual, wine bar, canal no YouTube, eventos, degustações, cursos e viagens que promovemos sempre o foco está nas vinícolas artesanais e menos industrializadas. Esse é o posicionamento da empresa e continuará sendo enquanto eu estiver por aqui.

Além de idealizador da Vinhos de Bicicleta, você também é sommelier, certo? Como é o seu trabalho na escolha dos vinhos?

Sim, tenho a formação de sommelier. Na verdade, desde a primeira seleção do clube, há 4 anos, não houve um vinho que não passou por minha aprovação antes de ser enviado para os associados. É lógico que seria impossível agradar a todos, mas a ideia é sempre encontrar vinhos com uma boa relação custo-benefício e uma história interessante pra contar.

Em todos esses anos você já conheceu muitas vinícolas? Qual foi a mais bonita que você conheceu até hoje?

Conheci diversas vinícolas, mas não consigo visitar todas. A maioria das escolhas dos vinhos para o clube acaba acontecendo aqui no Brasil mesmo. Das produtoras que visitei, eu realmente me sinto mais “em casa” nas vinícolas boutiques e familiares, então se é pra escolher uma, acredito que seria a Luiz Porto Vinhos Finos, que pertence ao meu amigo Junior Porto. Ele possui uma belíssima e aconchegante vinícola na pequena cidade de Cordislândia. Normalmente quem recebe os visitantes ali é a própria mãe do Junior, a simpática dona Ritinha.

Agora, como apreciadora de vinhos, gostaria que você me dissesse uma coisa que eu acho quase impossível – risos. Quais foram os três melhores vinhos que você bebeu até hoje? Aqueles que você não esquece e que espera degustar novamente.

Essa pergunta é impossível de responder – risos – até porque em alguns casos eu já estava “alegrinho”. Mas tenho sim minhas preferências, que quase sempre acaba sendo por vinhos mais autorais, com personalidade marcante. Na lista do TOP 3 estariam os vinhos espanhóis feitos em vinhedos velhos com a uva Garnacha, os clássicos vinhos de sobremesa húngaros Tokaji e o primeiro vinho que fiz na vida, o Avesso (criado em parceria com a enóloga Monica Rossetti). Mas ainda pretendo ser surpreendido muitas vezes e ainda mudar esse TOP 3 ao longo dos anos.

Você começou com o clube de vinhos e hoje já possui uma loja tanto online quanto física. Quais são os planos para o futuro? Pretende transformar a Vinhos de Bicicleta em franquia?

Já pensei em expandir através de franquia e inclusive contratei uma consultoria especializada nisso, mas decidi que agora não é o momento. Temos apenas 4 anos e a empresa está se formando. Ainda podemos expandir de forma orgânica e preservar o DNA da Vinhos de Bicicleta. Nunca pretendi e não desejo ser o maior varejista de vinhos do Brasil, mas quero que a Vinhos de Bicicleta se torne a principal referência no segmento de vinhos artesanais, vinícolas boutique e familiares. É pra isso que estamos batalhando.

Pela descrição do site e por você ser sommelier além de proprietário da Vinhos de Bicicleta, dá para ter uma ideia sobre o seu amor pelo vinho. E pelo empreendedorismo? Você já tinha um perfil empreendedor antes de criar o clube?

Acho que aquela coceira atrás da orelha que todo empreendedor tem antes de abrir seu próprio negócio eu também tive sim, mas o amor pelo vinho continua sendo maior – risos.

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Gostaram da entrevista? Eu adorei conhecer um pouco mais sobre a paixão do Rodrigo pelo negócio dele que também é a paixão de muitas outras pessoas. Se quiser conhecer um pouco mais do Vinhos de Bicicleta e entender como funciona o clube, é só clicar aqui.

Adoro ouvir histórias de pessoas que tiveram a coragem de transformar um sonho em negócio. Não deixe de ler as outras entrevistas que já rolaram por aqui e não se esqueça que toda quarta tem mais um convidado.

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