03 de Janeiro de 2016

Tem certeza que os participantes do Big Brother não te representam?

Daqui a pouco vai começar o BBB, outro dia estava rolando A Fazenda e enquanto isso, continuo escutando por aí os mesmos questionamentos de anos anteriores: Como você pode gostar desses programas?  Pois é, eu adoro reality, acho que é um laboratório para os meus livros, uma ótima maneira de observar comportamentos, o caráter das pessoas, como cada um reage a determinada situação.

Vejo muita gente “aqui fora” enchendo a boca para falar “nenhum desses participantes me representa”, será que não? A cada ano que passa, confesso que gosto menos, mas isso não quer dizer que o programa foi se tornando pior. Acho que nós é que fomos nos tornando piores, afinal, são pessoas comuns que participam de cada edição. A patricinha fútil que todo mundo critica quando se expõe 24 horas por dia no Big Brother, é a mesma que você conhece e que se preocupa muito mais com a marca da roupa do que com o caráter. O fortão “sem conteúdo”, é o mesmo que malha com você diariamente ou o seu vizinho bombado ou até um amigo. Assim como o nerd, a pessoa mais humilde, a tímida, o típico malandro, aquela que gosta mesmo de beijar na boca e por aí vai.

Big Brother Brasil 2016

Nos programas, essas características ficam muito, muito mais evidentes, pois naturalmente eles procuram escolher os mais diferentes perfis para conviverem juntos durante a nova edição. É uma mistura de tribos que não acontece com tanta frequência “na vida real” e é aí que acontecem os conflitos, a afinidade ou a total falta dela. Amo essa possibilidade de observar tão de perto comportamentos, por piores que eles sejam.

Não adianta bater no peito, levantar o nariz e encher a boca para dizer que quem participa de um lixo de programa como esse não te representa. Cada pessoa daquela que participou de um BBB, uma Fazenda ou qualquer outro reality do tipo, sou eu, você ou alguém que a gente conhece. Nem sempre o espelho é legal, principalmente se ele vai além do que nossa imagem passa para os outros. Quando ele mostra mais do que apenas o nosso reflexo, quando a gente se reconhece em quem não é o mocinho, o mais amado, é melhor mudar de canal.

Ah, fala sério! Esse programa só tem baixaria! E o que você faz no Facebook quando alguém tem uma opinião contrária à sua? O que faz meio escondido em comentários de blogues, sites, ou páginas de artistas? Até mesmo quando escreve diversas críticas pesadas ao Bial, Robertos Justos ou a quem participa de um reality show?

Tudo o que acontece lá é o que acontece aqui. Se o programa é pior a cada ano, pode ter certeza que é um reflexo de quem estamos nos transformando. Se existe menos amor e muito mais sexo, é exatamente o cenário que estamos vivendo aqui. Aquelas pessoas que estão “lá dentro” por três meses, são as mesmas que vivem “aqui fora” 12 meses em todos os anos.

E sobre ler um livro, uma coisa não anula a outra. Eu não só leio, como escrevo também e ainda assisto os programas. Para mim, o espelho é sempre uma maneira de olhar para os meus defeitos – e qualidades também – e pensar no que eu posso melhorar. Mas tem muita gente que prefere fingir que está acima de todos aqueles, quando na verdade, muitas vezes, precisam melhorar muito mais.




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