22 de Fevereiro de 2016

Todo mundo foi criança um dia

É uma coisa óbvia, mas também é curioso pensar que todo mundo foi criança um dia. Curioso? Está maluca, Fernanda? Vai me dizer que vocês acham super normal imaginar o Bin Laden pequenininho! Fidel Castro, Lula, Fernando Henrique Cardoso e não apenas políticos – apesar de achar os meninos deles mais inimagináveis que qualquer outro. Xuxa, Luciano Huck, Padre Fábio de Melo, Fernanda Montenegro, Pablo Neruda e tantos outros.

Estava lendo um livro que comprei já faz um tempinho chamado Cartas Extraordinárias – ainda vou falar sobre ele aqui, quando acabar de ler – e lá tem o registro de uma carta de Fidel Castro, aos 14 anos, enviando uma carta para o Presidente dos Estados Unidos, falando que ele não escrevia inglês muito bem, mas o suficiente para que fosse entendido. Pediu uma nota de dez dólares dizendo que nunca tinha visto uma e terminou a carta se colocando à disposição caso o Presidente quisesse ir até Cuba conhecer as Minas.

crianças

Não sei se é porque sou escritora ou se todas as cabeças funcionam como a minha, mas foi preciso apenas poucas linhas para que eu fechasse o livro e começasse a viajar pensando exatamente nesse assunto: Todo mundo foi criança um dia. O que aconteceu em suas vidas ao longo dos anos, enquanto cresciam, para que se tornassem quem são no futuro?  O que estudaram? Quem conheceram? Quais frustrações e alegrias tiveram?

O que será que motiva uma pessoa a virar arquiteto, médico, professor, jornalista, dançarino, escritor, apresentador de TV, terrorista, político, bandido, traficante? Você já parou para pensar no que te motivou a ser quem você é? Será que o Bin Laden, por exemplo, quando era criança gostava de brincar de carrinho? Era um menino mais tímido ou daqueles que tinham vários amigos? Em que ponto da vida tudo mudou?

Será que estamos tratando bem as nossas crianças para que elas façam boas escolhas quando ficarem mais velhas? O que estamos ensinando para elas? Quantas historinhas estamos contando? E que valores estamos passando?

Fico pensando em como seria legal se em algum momento da vida – aos 30, 40 ou 50, sei lá – fosse uma “obrigação” escrever para a criança que fomos um dia. Seria um momento de reflexão, sem dúvida, sobre todos os sonhos que tivemos um dia e quem nos tornamos de fato. Será que o seu eu do passado ficaria feliz em quem se transformou no futuro? Acho que se a gente fizesse um exercício assim ao menos uma vez na vida, poderíamos resgatar desejos do passado, tendo a chance de mudar nosso presente e futuro para melhor.

A vida adulta rouba sonhos, inocência e até a bondade. Às vezes é bom olhar para trás e conversar com a criança que fomos um dia. Vou escrever a minha carta para a Fernanda de 10 anos e compartilho com vocês. Se quiserem compartilhar a de vocês comigo, vou amar! =)

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