24 de Janeiro de 2017

Um dia perdido na Caixa Econômica Federal

Depois da minha experiência na Caixa Econômica Federal, acredito que posso entrar para o Big Brother e serei capaz de participar de todas as provas de resistência ganhando todos os prêmios. O motivo? Cheguei na agência de Niterói, na Rua Lopes Trovão e fiquei totalmente feliz ao descobrir que tinha apenas 5 pessoas na minha frente. Que beleza, não é mesmo?

Bom, eu também achava que seria. Abri meu Kindle e tentei sentar o mais confortavelmente que consegui naquelas cadeirinhas mequetrefes nada ergonômicas. Pensei que teria ali uns dez, 20, talvez meia hora de espera. Para cinco pessoas, era uma boa previsão, concordam?

Os minutos foram passando e a minha paciência também. A primeira hora passou e eles chamaram apenas UM número durante todo aquele tempo. Para me deixar ainda mais alegre – só que não -no final de um atendimento de pelo menos uma hora, o rapaz que estava atendendo foi almoçar e ficou apenas uma funcionária para atender os outros quatro que esperavam ali.

O relógio passava e nada acontecia. Clientes preferenciais iam chegando e os quatro que estavam na minha frente passaram a ser seis, oito e a minha vez nunca chegava. Sem água, sem almoço, sem conforto, lá estava eu, esperando.

“Opa! Tenho grandes chances de ser a vencedora!” – Pensei com duas desistências de “participantes” que estavam lá antes de mim.

Mas por mais incrível que possa parecer, eu continuei na fila por mais DUAS horas, totalizando TRÊS desde o momento que havia chegado.

De repente, alguém ganhou “a prova do anjo” e conseguiu me tirar de lá.

“Para agilizar o atendimento – sério? – vou levar algumas pessoas lá para baixo para ir atendendo”.

Que sorte! Que sorte! Fui a primeira da fila!!!!

O rapaz pegou meus documentos e disse: Hum… Tem uma coisa errada aqui.

Resumindo, o que ele disse que estava errado, estava exatamente igual a outras 15 pessoas que tiveram que fazer o mesmo procedimento que eu. Todas conseguiram, menos eu. Fui eliminada de uma prova que não tinha prêmio e nem mesmo o mínimo que eu precisava consegui como consolação.

Saí de lá esgotada e irritada. Fiquei com a sensação de que as pessoas mais aleatórias estão nos lugares mais aleatórios. Se existisse um padrão, teria saído de lá com o que eu precisava. Mas como não tem, como parece não existir uma norma seguida por todos, cada funcionário faz o que achar melhor, dando sim ou não a um mesmo documento. Fui a azarada da vez com o meu não.

É como diria o meu querido João Suplicy:

“Quando se quer criar problemas
É muito simples
Se pode ser difícil
Porque é que vai facilitar
Toma aí um monte de papel
Prá você preencher
O resto eu te conto depois
Deixa prá próxima viagem
Não me diga que quer resolver
Tudo de uma vez

Criando dificuldades
Se vende facilidades
E quem é que sustenta
Tanta pagação
Louvemos a mediocridade
Cantemos a burrocracia
Já são mais de 500 anos
Desse papelão”

Amanhã tenho mais uma prova para enfrentar. Fiquem na torcida para que dessa vez a Caixa Econômica vá com a minha cara e para que eu consiga sair de lá com o que preciso. Tem que ter muita paciência para ser brasileiro.

*** Atualização 

Hoje de manhã eu voltei na Caixa, fui atendida em cinco minutos, o rapaz que me atendeu resolveu o meu problema sem nem mesmo precisar falar sobre o que o outro tinha achado “de errado” no dia anterior. Tudo resolvido. É o que eu sempre falo… o problema nem sempre é das instituições, dos políticos, dos serviços. Muitas vezes o problema é causado por pessoas insatisfeitas com seus trabalhos ou com a vida.

 




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