18 de Outubro de 2016

Vamos falar sobre ansiedade?

Andei reparando que de uns tempos para cá fui ficando muito, muito ansiosa. Na verdade, acho que eu sempre fui um pouco, mas desde que tirei meu sonho de ser escritora da gaveta e transformei em realidade, esse sintoma cresceu. Começou com o nervoso do lançamento do meu primeiro livro “Louca Por Você”. “Será que vai aparecer alguém?” “Será que vou vender algum livro?” “Será que só a minha família vai aparecer?” E aí, no dia do lançamento, quando outras pessoas começaram a chegar, eu tremi. Era emoção, realização, ansiedade e um nome pensamento “será que eu mereço que tanta gente saia de suas casas e trabalhos só para me ver?”.

lançamento Louca Por Você

Ah, é o primeiro livro! É normal ter todas essas dúvidas e esse nervosismo. Hum… Não foi apenas com o primeiro. Eu sempre fico com uma ansiedade gigantesca quando algum novo evento está se aproximando. Autógrafos, palestras, lançamentos. Assistindo o XFactor, me reconheci naquele menino fofo da voz rouca. Sou quase como ele. A ansiedade/emoção parece que me domina e ao invés de me divertir com a realização do sonho, acabo quase sempre preocupada “será que meu leitor vai achar ruim ter um autógrafo tremido?”, “será que ele não vai achar ruim ter saído do lugar que estava para vir me ver e eu dar apenas uma dedicatória normal?”, entre outras preocupações. A barriga gela, o coração acelera e as mãos tremem.

Comecei a ler mais sobre ansiedade e percebi como existem milhares de pessoas que passam exatamente pela mesma coisa. Também li declarações de cantores, escritores, atores, pessoas que estão sempre lidando com o público, mas que sentem o mesmo que eu. É uma mistura de sentimentos. É como o menino do XFactor… Você está ali, realizando o seu sonho e não quer falhar de maneira nenhuma. Então, a emoção e a preocupação te dominam.

Lidar com sonhos, realmente é complicado. Principalmente nesse mundo que vivemos hoje, quando as pessoas vivem falando que você precisa colocar os pés no chão e fazer igual ao que todo mundo faz. “Escrever um livro, viver de blog? Isso nunca vai dar certo”. E aí quando você consegue transformar essas coisas em realidade, é quase como se sentisse culpado. É como se você tivesse que disfarçar, dizer o quanto realmente é impossível e que deve ter sido o acaso e muita sorte – porque ninguém acredita que é muito esforço e trabalho – que fizeram com que você conseguisse chegar lá.

Lendo sobre isso, descobri uma “doença” chamada Síndrome do Impostor – inclusive saiu uma matéria sobre isso na semana passada na Marie Claire – que atinge muito mais as mulheres e as bem sucedidas.

“A atriz americana Jodie Foster, 53 anos, é dona de duas estatuetas do Oscar e tem uma prestigiada carreira como cineasta e produtora. Em maio deste ano, viu seu nome ser eternizado na Calçada da Fama de Hollywood. No entanto, Jodie já declarou que sofre de uma estranha sensação: a de se sentir uma fraude. Ao ponto de esperar que, a qualquer momento, os membros da Academia batam em sua porta pedindo de volta os prêmios que lhe concederam. Pode parecer excesso de modéstia e até excentricidade de estrela de cinema, mas não é. A angústia da atriz é um mal típico de mulheres bem-sucedidas que não se acham merecedoras do sucesso alcançado”.

Fui na minha clínica geral hoje e comentei com ela sobre tudo isso. Ela disse que muita gente não entende que isso não é uma coisa que dá para controlar. Somente a maturidade, as experiências e o tempo são capazes de melhorar essa descarga de adrenalina em quem tem emoção demais. Não sei se vou conseguir explicar muito bem – e certo –  para vocês, mas é como se o cérebro tivesse 20% de autonomia no controle do nosso corpo. E acho que são esses 20% os responsáveis por jogar a adrenalina quando estamos, por exemplo, em uma situação de perigo fazendo com que o nosso instinto seja o de correr mais rápido, o de colocar o nosso corpo em alerta.

Ela disse que a ansiedade, essa “falta de controle” das nossas emoções, também podem acabar causando essa angústia, essa tremedeira, esses sintomas em momentos que estamos vivendo grandes emoções. Por isso, mesmo sem saber de nada disso, sempre digo nas minhas palestras que eu fico assim nesses eventos, pois cada vez que eu tenho uma tarde de autógrafos, um lançamento ou uma palestra para dar, é como se todas essas coisas estivessem ali me mostrando o que eu consegui realizar. Que aquele mundo literário que eu tanto amei ao longo de toda a minha vida, abriu as portas para mim e me deixou fazer parte de diversas estantes.

“É normal se emocionar e você não deveria ter vergonha de demonstrar isso” ela disse na consulta. “Isso é a maior demonstração de que você realmente ama o que faz, que você se encanta com as pessoas que vão te ver, que se enternece com cada um que diz que leu as suas histórias”. Mas eu expliquei para ela, que a sensação de ansiedade não me deixa aproveitar esses momentos. Que eu não consigo mesmo controlar a emoção que toma conta de mim. Não é nem vergonha de demonstrar, mas é porque é uma coisa grande demais. É uma mistura daquela “culpa” por estar conseguindo realizar algo, com a realização se materializando bem ali na minha frente. Risos. Não sei se consegui explicar muito bem.

Enfim, ela disse que existem maneiras de controlar e reduzir essa ansiedade e eu vou contando depois para vocês quais delas deram mais certo.

Dar atenção para a respiração, tentar controlar os pensamentos e não ficar tão focada naquilo que causa a ansiedade.

Exercícios físicos regulares.

Alguns alimentos (ela pediu que eu primeiro faça um exame de sangue  para ver se falta alguma coisa que pode ser compensada com vitaminas ou alimentos).

E  também pode ser usada como alternativa um calmante natural, tipo esses que são extratos de maracujá (não vou citar nomes aqui, pois não sou médica e cada um deve procurar seu próprio médico para conversar sobre esses tipos de problemas).

Pensei algumas vezes se deveria ou não trazer esse assunto aqui para o blog, mas como eu acho que nem sempre somos as pessoas mais fortes e sensatas do mundo, nem sempre somos perfeitinhas ou com mundinhos cor de rosa, que seria legal também trazer minhas dúvidas, medos, problemas e ansiedades.

De repente, outras pessoas passam pelas mesmas inseguranças e ansiedades que eu e saber que muitas outras passam pela mesma coisa, possa ajudar alguém.